Novo selo do Spotify identifica artistas de IA após plataforma alcançar 300 milhões de assinantes Premium 

A partir de setembro, o Spotify vai sinalizar personas de IA e deixá-las fora das recomendações editoriais e algorítmicas por padrão.
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Nathália Pandeló
Spotify vai identificar artistas de IA
Spotify vai identificar artistas de IA (Crédito: Divulgação)

O Spotify anunciou hoje (11) que passará a identificar perfis de artistas que representam personas geradas por inteligência artificial e, ao mesmo tempo, vai retirar esses perfis das recomendações editoriais e algorítmicas por padrão. A mudança começará a aparecer para os usuários em meados de setembro, com um selo “AI Persona” exibido nos perfis, nas buscas e nas faixas dentro de playlists.

A medida mira uma diferença que ganhou peso com a popularização das ferramentas generativas: uma coisa é usar inteligência artificial na criação de uma música, outra é construir uma identidade artística que parece representar uma pessoa real. O novo selo foi desenhado para informar o público sobre essa segunda situação. Segundo a empresa, a classificação diz respeito à identidade pública do artista, e não ao processo usado para produzir as faixas.

O anúncio chega em um momento de expansão do Spotify, que encerrou o segundo trimestre de 2026 com 300 milhões de assinantes Premium e 777 milhões de usuários ativos mensais. Ao mesmo tempo em que cresce em escala, a plataforma vem adicionando ferramentas de personalização e mecanismos para diferenciar artistas humanos, uso de IA e perfis artificiais.

Como o selo “AI Persona” vai funcionar

A partir de agora, artistas poderão informar pelo Spotify for Artists que o perfil representa uma persona de IA. A empresa, porém, não dependerá apenas dessa autodeclaração. Equipes internas também revisarão perfis cuja identidade pública, incluindo nome e imagens, pareça representar uma pessoa fotorrealista criada por inteligência artificial.

O primeiro grupo analisado será formado por artistas que atingirem determinados níveis de audiência. A ideia é concentrar o selo nos perfis que respondem pela maior parte das visitas dos usuários. Quando a marcação for aplicada pela equipe da plataforma, o responsável pelo perfil será avisado e poderá assumir a classificação ou apresentar recurso.

Persona de IA identificada no Spotify
Persona de IA identificada no Spotify (Crédito: Divulgação)

Para o ouvinte, o selo aparecerá no banner e na seção de informações do artista, além da busca e das linhas de faixas em playlists. Ao tocar na identificação, será possível saber se o próprio artista declarou que se trata de uma persona de IA ou se a decisão partiu do Spotify. Nos próximos meses, usuários também deverão ganhar uma ferramenta para denunciar perfis que considerem artificiais.

A decisão afeta diretamente a descoberta de música. Por padrão, personas de IA não entrarão em playlists editoriais nem em recomendações algorítmicas. A exceção será quando houver uma ação explícita do usuário, como seguir aquele perfil. Com isso, o Spotify estabelece uma separação entre permitir a presença dessas criações no catálogo e usar seus sistemas de recomendação para distribuí-las.

Crescimento e personalização avançam junto com novas regras

A nova política chega uma semana depois de o Spotify divulgar os resultados do segundo trimestre. A empresa alcançou 300 milhões de assinantes Premium, alta de 9% em um ano, enquanto os usuários ativos mensais cresceram 12%, para 777 milhões. A receita chegou a 4,8 bilhões de euros, avanço anual de 14%, e o lucro operacional ficou em 655 milhões de euros.

Os números ajudam a dimensionar o impacto das decisões de recomendação da plataforma. Quando um serviço com centenas de milhões de usuários decide deixar determinado tipo de perfil fora de seus sistemas editoriais e personalizados, a regra pode alterar a capacidade de descoberta desse conteúdo, mesmo sem removê-lo do catálogo.

Essa estratégia aparece também em outras frentes. No fim de julho, o Spotify lançou o Running Mode, recurso que transforma playlists em sessões de corrida personalizadas. Usuários Premium em mercados selecionados podem escolher entre 25 configurações, ajustar tipo de treino, duração, batidas por minuto e preferência musical, enquanto o aplicativo adapta a sequência das músicas ao exercício.

O Running Mode mostra como o Spotify tenta tornar a recomendação cada vez mais ligada ao contexto de uso, enquanto o selo “AI Persona” acrescenta uma camada de informação sobre quem está por trás do conteúdo. As duas iniciativas apontam para uma mesma disputa: não basta sugerir a faixa certa, a plataforma também quer controlar melhor quais sinais entram nessa escolha e como eles são apresentados ao público.

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