Chartmetric mostra força do Brasil na música global, com 127 novos superstars em 2026

Relatório da Chartmetric mostra 127 superstars brasileiros em 2026, mas aponta queda da presença do país em rankings internacionais.
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Nathália Pandeló
Cada vez mais, EUA e Reino Unido disputam espaço com outros países
Cada vez mais, EUA e Reino Unido disputam espaço com outros países (Crédito: Reprodução)

A Chartmetric colocou o Brasil entre os cinco mercados analisados em seu novo estudo sobre a circulação internacional da música e encontrou um cenário que ajuda a explicar a força e, ao mesmo tempo, os limites da exportação brasileira. O país criou 127 novos artistas classificados como superstars somente em 2026, mas viu sua presença recorrente em rankings internacionais diminuir nos últimos anos.

O relatório “The New Sound of Global Music” compara Brasil, México, Japão, Índia e Nigéria para mostrar que não existe uma única rota para construir uma carreira internacional. Cada mercado depende de fatores como idioma, tamanho do consumo doméstico, gêneros locais, comportamento nas plataformas e presença de comunidades no exterior.

Para a Chartmetric, um superstar integra aproximadamente os 0,02% de artistas com melhor desempenho em seu sistema. A classificação leva em conta o Chartmetric Score, índice calculado a partir da performance em 16 plataformas sociais e de streaming, entre elas Spotify, YouTube, Apple Music, TikTok, Instagram, Amazon Music e Deezer.

Brasil cria mais superstars, mas depende menos do exterior

Gráficos da Chartmetric mostram como a presença internacional do Brasil mudou
Gráficos da Chartmetric mostram como a presença internacional do Brasil mudou (Crédito: Reprodução)

O crescimento brasileiro nessa faixa chama atenção. O número de artistas do país que chegaram pela primeira vez à categoria Superstar passou de 50 em 2021 para 127 em 2026. Segundo a análise, porém, esse avanço não deve ser entendido automaticamente como maior internacionalização.

Isso acontece porque o Brasil possui um mercado doméstico grande o suficiente para sustentar carreiras de enorme alcance sem que o artista precise conquistar uma audiência internacional do mesmo tamanho. Ou seja, é possível chegar ao topo dos indicadores da Chartmetric concentrando boa parte do consumo dentro do próprio país.

Esse comportamento aparece com clareza no YouTube. Em 2025, 82,4% dos inscritos dos dez principais artistas brasileiros analisados estavam no Brasil. O percentual fica acima de México, com 33,7%, Japão, com 36,2%, e Nigéria, com 11,5%. Entre os países comparados, apenas a Índia apresentou concentração doméstica semelhante, com 79,4%.

Presença brasileira no exterior ficou mais fragmentada

Dados de território facilitam exportar música brasileira

Ao mesmo tempo, os dados do Spotify mostram uma mudança no tipo de presença alcançada pelos artistas brasileiros fora do país. Entre 2021 e 2025, as entradas em rankings regionais estrangeiros, considerando as posições de 1 a 50, caíram 44,8%, de 1.622 para 895.

A quantidade de músicas e artistas diferentes que chegaram ao exterior, porém, cresceu no período. O número de faixas brasileiras presentes nesses rankings passou de 26 para 44, e o de artistas, de 18 para 30. O pico ocorreu em 2024, quando 85 músicas de 49 artistas brasileiros apareceram em mercados estrangeiros.

O dado sugere que mais nomes conseguem cruzar as fronteiras, mas por períodos menores ou com menos recorrência.Isso significa que a circulação internacional ficou distribuída entre um número maior de lançamentos, sem necessariamente produzir uma presença contínua nos rankings.

No YouTube, a retração é mais acentuada. As aparições de brasileiros no Global Artist Chart caíram de 257, em 2021, para 75, em 2025, uma redução de 71%. O número de artistas representados passou de 20 para seis. A própria Chartmetric ressalta que esses dados não significam, isoladamente, uma queda do consumo global total de música brasileira.

Funk e phonk mantêm portas abertas para descoberta

Chartmetric mostra como anda a expansão internaiconal de artistas brasileiros
Chartmetric mostra como anda a expansão internaiconal de artistas brasileiros (Crédito: Reprodução)

A descoberta internacional continua ocorrendo por outros caminhos. As entradas brasileiras em rankings virais estrangeiros do Spotify permaneceram relativamente estáveis entre 2021 e 2025, impulsionadas também por gêneros ligados à cultura de vídeos curtos, como o funk e o Brazilian phonk.

O forró somou 846 entradas em rankings virais estrangeiros e alcançou 49 países na base analisada. O funk brasileiro registrou 376 entradas, o hip-hop brasileiro teve 276 e o Brazilian phonk apareceu 63 vezes, chegando a oito países. Os números mostram que descoberta e consumo prolongado não necessariamente caminham juntos.

Na comparação internacional, cada país segue um modelo diferente. O México combinou vários gêneros de exportação, a Nigéria espalhou o Afrobeats por dezenas de mercados e a Índia multiplicou sua presença regional. Já o Brasil se destaca pela capacidade de sustentar grandes carreiras dentro de casa e, ao mesmo tempo, produzir ondas internacionais mais dispersas.

Para a indústria brasileira, o estudo indica que o desafio não está necessariamente em gerar artistas grandes, algo que o mercado já faz em escala. A questão passa por converter descobertas pontuais no exterior em públicos mais recorrentes, capazes de acompanhar esses artistas por diferentes lançamentos e plataformas.

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