Apple Music abre casa de shows para 600 pessoas em Londres com estúdios, 48 caixas de som e estrutura para transmissões

Com o Apple Music Hall, a empresa reúne shows, gravação em Áudio Espacial, vídeo multicâmera e transmissões globais em um único espaço.
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Nathália Pandeló
Apple Music Hall
Apple Music Hall, em Londres (Crédito: Divulgação)

A Apple abriu em Londres uma casa de shows que aproxima diferentes etapas da produção musical em um mesmo endereço. Com capacidade para 600 pessoas, o Apple Music Hall combina palco, dois estúdios de gravação e mixagem, sistema de áudio espacial e uma estrutura permanente para filmagem e transmissão ao vivo.

Instalado na histórica Battersea Power Station, onde a empresa também mantém sua sede no Reino Unido, o espaço foi pensado para receber apresentações intimistas sem abrir mão de uma estrutura normalmente associada a produções maiores. O artista pode fazer um show e sair de lá com uma gravação finalizada em Áudio Espacial, uma mixagem pronta para transmissão e um vídeo produzido com múltiplas câmeras.

O projeto coloca a Apple em uma posição diferente dentro da disputa entre plataformas de música. Além de distribuir gravações, a empresa passa a ter um espaço próprio no qual pode participar diretamente da criação de apresentações exclusivas, conteúdos audiovisuais, entrevistas e transmissões destinadas ao Apple Music.

Apple Music Hall funciona também como estúdio e central de transmissão

O palco tem cerca de 11,6 metros de largura e pode ser configurado tanto para apresentações tradicionais, com o público à frente, quanto para shows com a plateia ao redor. O sistema de som reúne 48 caixas posicionadas em torno da audiência para reproduzir performances em Áudio Espacial.

Atrás do palco ficam dois estúdios dedicados à gravação e à mixagem. As apresentações podem ser registradas em várias pistas e trabalhadas em Áudio Espacial durante o próprio show ou posteriormente. A estrutura ainda está preparada para receber pelo menos 16 câmeras conectadas a uma sala de controle, além de permitir a captação simultânea com iPhones.

Os shows também poderão ser transmitidos globalmente. Com isso, a capacidade física de 600 pessoas deixa de representar o alcance máximo das apresentações, já que a Apple pode transformar um evento pequeno em conteúdo distribuído internacionalmente pela plataforma.

“Hoje, com a abertura do Apple Music Hall, estamos mais uma vez dando um passo sem precedentes em nosso compromisso com artistas e fãs, apoiando a música ao vivo de maneiras que só a Apple pode fazer”, afirmou Oliver Schusser, vice-presidente da Apple Music e Conteúdo Internacional.

Espaço também recebe novos estúdios da Apple Music Radio

A Battersea Power Station será a nova sede dos programas de rádio da Apple Music
A Battersea Power Station será a nova sede dos programas de rádio do Apple Music (Crédito: Divulgação)

O complexo de Battersea passa a concentrar ainda a operação londrina da Apple Music Radio. Os apresentadores e programas produzidos em Londres serão transmitidos dos novos estúdios instalados no local. A rádio funciona 24 horas por dia e pode ser ouvida gratuitamente em diferentes países.

A combinação permite que um artista passe por diferentes formatos dentro do mesmo prédio. Além de subir ao palco, ele pode gravar entrevistas, participar de programas de rádio e produzir conteúdos de áudio e vídeo ligados à apresentação. Essa integração ajuda a explicar por que o Apple Music Hall vai além de uma operação tradicional de shows.

“Estamos sempre procurando novas oportunidades para conectar os artistas e os fãs porque somos fãs. Que maneira melhor de celebrar essa relação do que uma nova casa de música onde podemos viver uma música incrível em um espaço incrível e compartilhá-la com o mundo?”, disse Zane Lowe, diretor criativo global da Apple Music e apresentador da Apple Music 1.

Apple retoma relação com shows em Londres

A chegada do espaço marca também uma retomada mais direta da Apple com apresentações próprias na cidade. Durante uma década, a empresa promoveu o iTunes Festival, posteriormente rebatizado como Apple Music Festival, que recebeu nomes como Adele, Lady Gaga, Elton John, Oasis e Kendrick Lamar. A série terminou em 2017.

Diferentemente daquele formato, baseado em uma temporada de apresentações em casas já existentes, o Apple Music Hall cria uma estrutura permanente para a produção de conteúdos ligados à plataforma. A estratégia aparece ainda em outras iniciativas recentes da Apple Music, que passou a exibir informações sobre shows e links para compra de ingressos dentro do aplicativo por meio de integrações com Bandsintown e Ticketmaster.

O movimento acontece em um momento delicado para o circuito britânico de música ao vivo. Segundo a BBC, 45 espaços fecharam em Londres somente no último ano. A entrada de uma empresa de tecnologia com estrutura própria também levanta questões sobre sua relação com casas independentes. Schusser afirmou à emissora que a Apple não pretende competir diretamente nesse mercado e que o objetivo do espaço é produzir trabalhos com artistas, aproximá-los dos fãs e distribuir esse conteúdo pelo Apple Music.

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