O cantor Rick, da dupla Rick & Renner, morreu aos 59 anos após a queda de um helicóptero em Santa Catarina. A morte foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros nesta terça-feira (22), após os destroços da aeronave serem encontrados na região da Serra Catarinense.
O helicóptero havia decolado de Porto Belo, no litoral catarinense, com destino a São Joaquim na segunda-feira (21). Cinco pessoas estavam a bordo e morreram no acidente: Rick, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto e o copiloto da aeronave, cujos nomes não foram divulgados. As buscas começaram ainda na segunda e seguiram durante a madrugada até a localização dos destroços.
Nascido como Geraldo Antônio de Carvalho, o cantor construiu uma carreira de mais de três décadas na música e ficou conhecido nacionalmente a partir da parceria com Renner. A trajetória da dupla, porém, também ajuda a contar um período decisivo do sertanejo brasileiro: Rick & Renner fizeram parte da geração que consolidou o sertanejo romântico nos anos 90 e levou o gênero a grandes vendas de discos, rádios, televisão e turnês pelo país.
Rick & Renner fizeram parte da geração que consolidou o sertanejo romântico
O próprio começo profissional da dupla mostra como essa geração se formava por redes de compositores, artistas, produtores e gravadoras. Zezé Di Camargo teve participação importante nos primeiros passos de Rick & Renner e ajudou na aproximação dos músicos com a Continental. Um registro publicado em 1992 já apontava a participação do cantor na chegada da dupla à gravadora.
A projeção cresceu durante os anos 1990 e chegou a um de seus pontos mais altos com o álbum “Mil Vezes Cantarei”, lançado em 1998. O disco trouxe “Ela é Demais”, que se tornou o maior sucesso de sua carreira e continua entre as músicas mais conhecidas da dupla. No ano seguinte, “Instante Mágico” manteve os artistas em evidência com faixas como “Muleca”, “Cara-de-Pau”, “Fim de Semana” e “Na Pontinha do Pé”.
Ao longo da carreira, Rick & Renner venderam mais de 10 milhões de discos. Em 2007, quando a dupla já contabilizava 7 milhões de cópias vendidas, os dois mantinham uma média de cerca de 150 apresentações por ano, dimensão que ajuda a mostrar a presença que conquistaram no circuito sertanejo antes da consolidação do streaming.
A trajetória, porém, teve interrupções. Os cantores uma primeira separação em 2010, retomaram a parceria em 2012 e voltaram a se afastar em 2015. O reencontro definitivo aconteceu em 2018, com o projeto “Seguir em Frente”. Em 2026, ano em que completavam quatro décadas de parceria, os dois continuavam com uma agenda de shows pelo país, com apresentações marcadas até dezembro.
Como compositor, Rick circulou por grandes duplas de sua geração

A importância de Rick para aquele período não ficou restrita ao repertório que cantava com Renner. Como compositor, ele teve músicas gravadas por vários artistas que dividiam espaço com a dupla nas rádios e nas vendas de discos.
Entre elas estão “Conta Pra Ela”, gravada por Leandro & Leonardo; “Fazer Amor”, por Zezé Di Camargo & Luciano; “Hoje Eu Sei”, por João Paulo & Daniel; “Página de Amigos”, por Chitãozinho & Xororó; e “Tô Pensando Nela”, por Gian & Giovani. Esse trânsito entre repertórios ajuda a dimensionar sua participação na construção musical daquela geração para além da própria discografia.
Após Rick & Renner interromperem a parceria em 2010, Rick passou a trabalhar em formato solo, e a dupla retomou as atividades em 2018. Nos últimos anos, continuava lançando músicas e fazendo shows. Entre os trabalhos recentes estão “Estou Aqui!”, de 2024, “Porque o Bruto Chora”, de 2025, e “O Caçador”, lançado em 2026.
A dupla também estava em circulação com a turnê “Em Nome da Música”. A morte de Rick ocorre, portanto, com o artista ainda em atividade e mais de três décadas depois de sua chegada ao mercado fonográfico, conectando uma geração formada na era dos discos a um sertanejo que hoje circula principalmente pelas plataformas digitais.
Artistas lamentam a morte de Rick
A morte do cantor provocou uma série de homenagens de artistas sertanejos e de outros nomes da música brasileira. As mensagens destacaram tanto a importância do cantor para o gênero quanto a relação pessoal construída ao longo de décadas de estrada.
Brenno e Matheus afirmaram que “a música sertaneja está de luto” e agradeceram a Rick pela contribuição ao gênero. Matheus & Kauan também publicaram uma homenagem e citaram a voz, o talento e a trajetória do cantor, além de prestarem solidariedade às famílias das demais vítimas do acidente.
Bruno & Marrone lembraram o artista como “irmão de estrada, de música e de tantos momentos”, em uma mensagem sobre a convivência com o artista. Já Kaique & Felipe destacaram sua atuação como cantor e compositor e o definiram como uma referência da música sertaneja.
Entre as artistas que também se manifestaram estão Simone Mendes, Ana Castela, Lexa e Jayne, que publicaram mensagens de pesar e solidariedade às famílias. Marcos & Belutti lembraram Rick como ídolo e amigo, enquanto Junior Marques o chamou de exemplo e professor para outros artistas do sertanejo.
As homenagens ajudam a dimensionar o alcance de Rick dentro do gênero. Além de integrar uma geração que ganhou projeção nacional nos anos 1990, ele manteve contato com artistas de diferentes fases do sertanejo e seguiu reconhecido por nomes que chegaram ao mercado décadas depois.
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