Embratur e Instituto Futuros lançam edital de R$ 350 mil para apoiar casas de show que revelam artistas e movimentam o turismo

O edital Palcos do Brasil é destinado a cinco casas em Recife, Rio e Salvador, com foco em música independente e turismo.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
Edital Palcos do Brasil

O edital “Palcos do Brasil”, lançado pela Embratur em parceria com o Instituto Futuros, vai destinar R$ 350 mil a casas de show de pequeno e médio porte em Recife, Rio de Janeiro e Salvador. Ao todo, cinco espaços serão escolhidos e cada um receberá R$ 70 mil para desenvolver uma programação com pelo menos oito apresentações de artistas independentes.

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A proposta mira uma parte da cadeia da música que costuma ocupar uma posição importante na formação de novos nomes: os espaços menores, onde artistas encontram público, testam repertórios e constroem uma trajetória antes de chegar a palcos de maior porte. Ao mesmo tempo, o programa conecta essa atividade ao turismo cultural, com foco em regiões que já recebem visitantes ou estão próximas a polos culturais, gastronômicos, históricos e de entretenimento.

Serão escolhidas duas casas em Recife, uma no Rio de Janeiro e duas em Salvador. As inscrições são gratuitas e ficam abertas até 26 de outubro, enquanto a execução dos projetos selecionados está prevista para o período entre dezembro de 2026 e abril de 2027.

Quem pode participar do edital

Podem se inscrever pessoas jurídicas responsáveis pela gestão ou operação de casas de show e espaços de música ao vivo, incluindo Microempreendedores Individuais, os MEIs. É necessário ter CNPJ ativo, atividade compatível com a proposta e pelo menos 12 meses de funcionamento comprovado com programação regular de apresentações musicais.

O edital considera de pequeno porte os espaços com capacidade para até 300 pessoas. Já as casas de médio porte devem receber entre 301 e 800 pessoas. Bares musicais, clubes culturais, casas de espetáculos e espaços híbridos também podem disputar o recurso, desde que tenham programação musical contínua e estrutura para receber apresentações ao vivo. Cada CNPJ poderá apresentar apenas uma proposta.

“O turismo não é apenas um consumidor de entretenimento; ele deve assumir também o papel de fomento e fortalecimento da nossa indústria criativa. O objetivo central é mitigar os impactos econômicos da sazonalidade turística, garantindo que os espaços culturais mantenham uma programação musical de excelência o ano inteiro, especialmente durante a baixa temporada”, afirma Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur. “Outros países, como o Reino Unido, Coreia do Sul e Japão também apostaram no fortalecimento da cena local. A música brasileira é um patrimônio admirado no mundo inteiro e um diferencial competitivo fundamental para a experiência de quem visita o país”, complementa.

R$ 70 mil para programação, cachês e estrutura

Consumo de bebida alcoólica em show - Crédito Cottonbro Studio
Crédito: Cottonbro Studio

Cada proposta selecionada receberá R$ 70 mil. O dinheiro poderá ser usado para cachês artísticos, equipe técnica e produção, comunicação, registros, acessibilidade, segurança, locação ou adequação de equipamentos e outras despesas diretamente ligadas à programação. Pequenos ajustes técnicos e melhorias de palco também poderão entrar no orçamento.

O regulamento não estabelece um limite específico por categoria de despesa nem valor mínimo ou máximo para cachês. Por outro lado, ficam de fora obras estruturais, reformas de grande porte, aquisição de imóveis e custos administrativos gerais da casa. O pagamento será dividido em duas parcelas, com 80% após a assinatura do contrato e os 20% restantes depois da aprovação do relatório parcial de execução.

“A parceria inédita entre a Embratur e o Instituto Futuros soma a experiência das duas instituições para promover o desenvolvimento turístico e cultural de três grandes capitais por meio do poder da música brasileira, que é reconhecida por pessoas de todos os lugares do mundo”, afirma Carla Uller, diretora do Instituto Futuros. “Queremos ver essas cidades diversificando sua oferta cultural e fazendo das casas de show uma parada obrigatória para qualquer turista”.

Música independente e turismo entram na avaliação

As propostas serão avaliadas por uma comissão formada por representantes da Embratur, do Instituto Futuros e especialistas das áreas de cultura, música, turismo, comunicação e economia criativa. Entre os critérios estão a relevância da casa para a cena local, a qualidade da programação, o impacto cultural e turístico, a estratégia de comunicação e formação de público, a capacidade de execução e a articulação territorial com o turismo internacional.

A proposta precisa detalhar conceito curatorial, artistas previstos, cronograma, orçamento, estratégia de comunicação e estimativas de público. Também são exigidas cartas de anuência dos artistas ou bandas. O “Palcos do Brasil” integra a estratégia Brasil Sounds, da Embratur, que usa a música brasileira como ferramenta de promoção internacional do país e já esteve ligada a iniciativas como o Tiny Desk Brasil.

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