Exclusivo: Bonus Track e Agência de Música criam BTA, com meta de faturamento de R$ 100 milhões em 2026

A BTA nasce da união entre Bonus Track e Agência de Música para integrar booking, publicidade e gestão de carreira artística.
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Nathália Pandeló
Luiz Oscar Niemeyer, Rafael Rossatto e Luiz Guilherme Niemeyer fundam a BTA
Luiz Oscar Niemeyer, Rafael Rossatto e Luiz Guilherme Niemeyer fundam a BTA (Crédito: Roberta Andrade)

A BTA – Bonus Talent Agency chega ao mercado brasileiro como uma nova agência de representação artística criada a partir da união entre o Grupo Bonus Track, de Luiz Guilherme Niemeyer e Luiz Oscar Niemeyer, e a Agência de Música, empresa fundada por Rafael Rossatto. A operação nasce com bases em São Paulo e no Rio de Janeiro, equipe inicial de 20 profissionais e projeção de R$ 100 milhões em faturamento para 2026.

A nova empresa integra, em uma mesma estrutura, o braço de agenciamento artístico da Bonus Track e toda a operação da Agência de Música. Isso significa juntar uma empresa marcada por festivais, turnês, casas de espetáculo e projetos com marcas a uma estrutura de empresariamento que, desde 2006, atua na construção de carreiras de artistas de grande projeção.

O casting inicial também ajuda a explicar o tamanho do movimento. A Bonus Track leva para a BTA nomes como Capital Inicial e Criolo, enquanto a Agência de Música chega com sua experiência em carreiras como as de IZA e Di Ferrero. Com a união, Marcelo Camelo também passa a integrar o elenco da nova agência. A proposta é atuar em três frentes conectadas: booking, publicidade e gestão de carreira.

Uma agência criada para conectar palco, marcas e estratégia

A criação da BTA parte de uma leitura simples, mas cada vez mais presente no mercado: a carreira de um artista deixou de depender apenas de lançar música e vender shows. Hoje, a agenda envolve turnês, festivais, conteúdo, imagem pública, marcas, plataformas digitais, projetos especiais e decisões de longo prazo.

Para Luiz Guilherme Niemeyer, sócio da Bonus Track e um dos idealizadores da BTA, o modelo tenta responder a uma dificuldade comum no mercado brasileiro: artistas que precisam coordenar muitas frentes ao mesmo tempo, muitas vezes com equipes separadas ou pouco especializadas.

“O que vemos muito hoje são artistas que tem uma equipe que faz de tudo, sem muita especialização em cada coisa, ou que montam um quebra-cabeça com gente diferente para cada frente e ficam no meio tentando alinhar todo mundo. O que a gente quis construir com a BTA é uma terceira lógica. Booking, publicidade e gestão de carreira ficam sob o mesmo teto, mas cada uma com um time que vive aquele universo. Quem trabalha com publicidade entende de marca, de briefing, de campanha. Quem faz booking entende de praça, de calendário, de festival. E o artista escolhe onde precisa da gente. Pode ser nas três, pode ser em uma. Não é um pacote fechado”, explica.

A diferença, segundo ele, está menos em concentrar serviços e mais em fazer com que as áreas conversem antes das decisões chegarem ao artista. Em vez de tratar show, campanha publicitária e posicionamento de carreira como assuntos isolados, a BTA propõe uma lógica em que cada frente alimenta a outra.

“Na prática, isso muda porque essas três áreas conversam o tempo todo. Quando isso tudo está na mesma casa, a integração acontece naturalmente”, avalia.

Essa ideia também aparece na leitura de Rossatto. Para ele, a Agência de Música já trabalhava com uma visão próxima da construção de carreira. Ao entrar em uma estrutura maior, essa experiência passa a se conectar com o ecossistema de entretenimento ao vivo e marcas criado pela Bonus Track.

“A Agência de Música sempre teve uma visão muito estratégica e próxima da construção de carreira dos artistas. Com a BTA, essa visão passa a ganhar ainda mais escala e integração com o universo do entretenimento ao vivo, das marcas e dos grandes projetos. Na prática, o artista passa a contar com uma estrutura multidisciplinar, onde gestão de carreira, touring, conteúdo e negócios trabalham de forma conectada. Isso traz mais inteligência estratégica, mais oportunidade e uma visão de longo prazo ainda mais sólida para cada projeto”, compara Rossatto.

O peso da Bonus Track na operação

A entrada da Bonus Track dá à BTA um ponto de partida incomum para uma agência de representação. O grupo já opera ou está ligado a plataformas, palcos e eventos de destaque no calendário nacional.

Essa estrutura importa porque, no mercado ao vivo, relação com palcos, marcas e produtoras parceiras pode encurtar caminhos. Isso não significa colocar automaticamente os artistas representados em todos os projetos do grupo, mas cria uma proximidade que pode gerar uma leitura mais rápida de oportunidades.

“A Bonus Track tem plataformas como Todo Mundo no Rio, MITA, Doce Maravilha, Primavera Sound, o Teatro Prio, tem o trabalho que está em curso no Canecão, temos a Mangolab, nossa agência de live marketing especializada em música… Isso é uma rede de palcos, de relação com marcas, de produtoras parceiras, que foi construída ao longo de muito tempo. Quando um artista entra na BTA, ele entra nessa rede. Não é uma promessa de que vai estar em tudo, mas existe uma proximidade natural, e isso encurta caminho”, resume Luiz Guilherme Niemeyer. 

Essa capacidade de realização também muda a forma como a agência olha para a carreira. Uma empresa que produz festivais e opera casas de espetáculo não enxerga o artista apenas do lado de quem vende show. Ela também conhece a ponta de quem contrata, programa, negocia patrocínio, monta grade e precisa entender que tipo de artista agrega valor a um projeto.

Para Luiz Oscar Niemeyer, fundador da Bonus Track, essa vivência do outro lado da mesa ajuda a pensar a carreira para além da agenda:

“Essa experiência nos traz o olhar de quem está do ‘outro’ lado, contratando shows. Ou seja, com esta visão, sabemos o que um artista precisa para chamar a atenção e agregar valor para os contratantes”, diz.

A leitura é especialmente importante em um momento em que festivais, marcas e plataformas buscam artistas com repertório, público, narrativa, consistência visual e capacidade de ativação. O show continua sendo o centro de muitas carreiras, mas o entorno passou a pesar mais na negociação.

Casting da BTA
Casting da BTA

O retorno do NX Zero como ensaio da parceria

A aproximação entre Bonus Track e Agência de Música não começou apenas no anúncio da BTA. Um dos exemplos citados pelos executivos é o retorno do NX Zero aos palcos, em 2023.Para Luiz Guilherme, o caso serviu como prova prática de que a relação entre criação de plataformas, turnês e gestão artística poderia gerar uma estrutura mais robusta:

“O retorno do NX Zero em 2023 é um exemplo concreto. A turnê começou no MITA, numa realização conjunta com o Rossatto e o time da Agência de Música, e foi ali, que a aproximação entre as duas empresas virou parceria.”

Para Rossatto, as empresas já tinham trabalhado juntas, mas o desenho do retorno do NX Zero tornou mais clara a complementaridade entre os times.

“A Bonus Track e a Agência de Música já atuaram em conjunto ao longo dos últimos anos em projetos pontuais. Eu diria que, ao começarmos a pensar juntos como seria a turnê de retorno do NX Zero, tivemos uma experiência ainda mais clara de como funcionaria, na prática, essa integração. A parceria aconteceu de forma muito natural e mostrou uma complementaridade muito forte entre as empresas. Acho que ali ficou evidente o potencial de um modelo mais integrado, onde carreira, entretenimento ao vivo e negócios passam a trabalhar de forma conectada desde o início.”

A lógica de artista como marca

A BTA também chega em um momento em que o artista precisa lidar com uma identidade pública cada vez mais complexa. O repertório segue sendo primordial, mas a carreira passa por decisões de comunicação, campanhas, presença em eventos, parcerias comerciais, posicionamento digital e leitura de público.

Luiz Oscar resume esse cenário ao tratar o artista como uma marca. A expressão não significa reduzir a arte a produto, mas reconhecer que cada carreira precisa de uma operação capaz de organizar várias frentes ao mesmo tempo.

“Hoje, a indústria musical hoje requer um olhar onde cada artista é uma marca. Cada marca dessa se faz necessária uma operação que possa cuidar de publicidade, outra de venda de shows, outra de projetos especiais e por aí vai. A BTA chega para desenvolver artistas nesse novo cenário, com estrutura que possibilita esse olhar múltiplo”, ele pontua.

Esse olhar conversa com o desenho das três áreas da agência. Booking cuida da venda de shows e estratégia de circulação. Publicidade aproxima artistas de marcas, campanhas e projetos comerciais. Gestão de carreira organiza o percurso mais amplo, com decisões que envolvem timing, posicionamento e prioridades.

Rossatto afirma que o desafio não está em juntar as áreas, mas em respeitar o momento de cada artista. Uma operação integrada só funciona se não transformar todos os projetos em um modelo único.

“A BTA nasce justamente da possibilidade de integrar diferentes áreas de forma mais estratégica. Booking, publicidade e gestão de carreira precisam conversar o tempo inteiro, mas sempre respeitando o momento, a linguagem e os objetivos de cada projeto. O grande valor da BTA está exatamente nessa capacidade de conectar diferentes áreas dentro de uma visão integrada, criando oportunidades mais consistentes para os artistas e para as marcas”, diz.

R$ 100 milhões e uma expansão para além da música

A BTA nasce com números altos. As operações que agora se integram, somando o braço de agenciamento artístico da Bonus Track e a estrutura da Agência de Música, registraram mais de R$ 80 milhões em faturamento em 2025. Para 2026, a projeção é chegar a R$ 100 milhões.

O crescimento esperado não vem apenas de uma nova aposta isolada. Segundo Luiz Guilherme, a base está na soma de duas operações que já funcionavam e agora passam a dividir estrutura, estratégia e oportunidades. O casting também deve crescer, inclusive fora da música.

“A maior parte vem da própria união das duas empresas. Quando você junta duas operações que já vinham funcionando bem, com times que se complementam, o ganho aparece naturalmente, na sinergia entre as frentes, na otimização da estrutura e no crescimento orgânico do trabalho que já existe. O resto vem da expansão do casting, que não vai ficar restrito a música, e do desenvolvimento de novas disciplinas dentro da casa. Mas a base do salto está na soma, não numa aposta nova”, esclarece.

A informação de que o casting não ficará restrito ao segmento musical aponta para um movimento maior no mercado de talentos. Agências de representação tendem a olhar para artistas, criadores, apresentadores e personalidades como carreiras que podem circular entre palco, publicidade, conteúdo e experiências presenciais.

Um modelo internacional com adaptação brasileira

A BTA também se apresenta como uma tentativa de organizar o mercado brasileiro a partir de referências internacionais, mas sem copiar formatos de fora de maneira automática. Luiz Oscar defende que o Brasil tem uma forma própria de trabalhar e que a nova agência precisa dialogar com essa realidade.

“Acho importante dizer que a BTA chega para trazer uma estrutura com base nos modelos internacionais, mas também sabe que o mercado brasileiro tem uma forma diferente de trabalhar. Nós temos esta visão e não queremos propor que o mercado mude, mas sim que possamos juntos trabalhar de maneira mais profissional e organizada em prol de um mercado mais sustentável”, ele afirma.

A fala toca em um ponto sensível. No Brasil, muitas carreiras ainda são organizadas por redes de confiança, empresários de longa data, acordos por projeto e estruturas familiares. Ao mesmo tempo, o crescimento do mercado ao vivo e da relação com marcas exige processos mais claros, equipes especializadas e maior capacidade de negociação.

Para Luiz Oscar, o elemento central continua sendo o time. Depois de muitos anos trabalhando com artistas, ele enxerga a construção de carreira como um trabalho coletivo, e não como resultado de uma única área.

“Quatro décadas trabalhando com artistas no Brasil me ensinaram uma coisa: carreira longa se faz com time. A BTA junta dois times que cresceram com a cena do país, cada um com sua especialidade, em uma mesma casa. É disso que o artista brasileiro precisa neste momento”, conclui.

A criação da BTA não altera o cronograma das demais frentes da Bonus Track, que seguem operando normalmente em festivais, turnês e eventos proprietários. A nova empresa passa a funcionar como uma camada dedicada à representação artística, com times especializados por frente e estrutura preparada para incorporar novas disciplinas ao longo do tempo.

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