BMG nomeia Tim Miles para comandar a SYNC+ e acelera aposta global em licenciamento com IA e dados

A BMG anuncia Miles como EVP da divisão lançada em janeiro que reúne sync comercial, produção musical e serviços de mídia.
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Nathália Pandeló
Tim Miles, vice presidente executivo de Global SYNC+ da BMG
Tim Miles, vice presidente executivo Global de SYNC+ da BMG (Crédito: divulgação)

A BMG deu mais um passo na reorganização de sua frente de música para audiovisual ao nomear Tim Miles como Vice-Presidente Executivo Global da área de SYNC+. Baseado em Londres, o executivo passa a liderar a divisão lançada em janeiro e responderá a Johannes von Schwarzkopf, diretor de estratégia da companhia.

A movimentação coloca um nome experiente no centro de uma área cada vez mais disputada entre gravadoras e editoras. Nos últimos anos, o mercado de sync, que envolve o licenciamento de músicas para filmes, séries, publicidade, games e plataformas digitais, deixou de ser apenas uma linha complementar de receita para virar peça importante na estratégia de crescimento das empresas de música.

Antes de chegar à BMG, Miles passou mais de dez anos no Warner Music Group, onde ocupava mais recentemente o cargo de Vice-Presidente Sênior Global de Sincronização. Nesse período, liderou a operação global de sync da empresa em mais de 25 mercados, com atuação em parcerias ligadas a cinema, televisão, games e marcas.

O que muda com a chegada de Tim Miles

Na nova função, Tim Miles será responsável por definir e executar a estratégia global da SYNC+, alinhando equipes em diferentes regiões e conduzindo a expansão da divisão. A estrutura reúne licenciamento global, operações e serviços regionais em uma mesma frente, com a proposta de tornar o atendimento mais integrado para clientes e parceiros.

Isso significa centralizar uma operação que conversa com vários setores da indústria criativa ao mesmo tempo. Em vez de tratar sincronização comercial, trilhas de produção e serviços de mídia como áreas separadas, a BMG tenta organizar tudo em uma oferta única. Para o mercado, esse tipo de arranjo tende a reduzir etapas, acelerar negociações e facilitar o acesso a catálogos e serviços criativos num mesmo pacote.

Johannes von Schwarzkopf, diretor de estratégia da BMG, afirmou:

“Tim traz um histórico forte de construir equipes de alto desempenho e impulsionar parcerias de música para mídia com impacto. À medida que expandimos a SYNC+, nosso foco está em um serviço mais inovador e habilitado por tecnologia, combinando escala global com capacidades avançadas em dados, produto e IA para conectar melhor a música às oportunidades.”

O executivo também destacou que Miles assume a operação com uma liderança global já montada, formada por Allegra Willis Knerr, Amberly Crouse-Knox, Scott Doran e Caspar Kedros. Isso indica que a empresa não está começando do zero, mas entrando numa fase de consolidação e crescimento.

Amberly Crouse-Knox e Scott Doran, da BMG (Créditos: Rich Polk e Anjali Bhurat)
Amberly Crouse-Knox e Scott Doran, da BMG (Créditos: Rich Polk e Anjali Bhurat)

A estratégia da BMG para disputar espaço no mercado de sync

O lançamento da SYNC+, em janeiro, já mostrava que a BMG queria dar mais peso ao segmento de música para mídia. A divisão combina um repertório de mais de 3 milhões de músicas e gravações, além de mais de 200 mil faixas exclusivas de production music. A isso se somam serviços como consultoria, sonic branding, parcerias com talentos e composição original.

Esse modelo tenta responder a uma demanda crescente do mercado audiovisual e publicitário por soluções completas. Em vez de buscar direitos, trilhas, criação e atendimento em fornecedores diferentes, estúdios, marcas e plataformas tendem a procurar empresas que entreguem esse processo de ponta a ponta. É justamente essa lógica que a BMG está tentando vender com a SYNC+.

Tim Miles afirmou:

“A oportunidade com a SYNC+ é clara: uma plataforma unificada de direitos, um catálogo de classe mundial e uma estrutura desenhada em torno dos nossos clientes, de estúdios globais a plataformas digitais emergentes.”

O executivo também apontou o tom da nova fase:

“A próxima etapa é ser mais rápido, mais inteligente e mais conectado, por meio de um produto melhor, processos mais afiados e uma abordagem global mais integrada. Com a IA generativa e outras tecnologias tendo um papel cada vez maior na forma como a música é descoberta e licenciada, há uma vantagem competitiva real para quem agir de forma decisiva.”

A fala ajuda a entender por que a empresa insiste tanto em tecnologia, produto e dados no posicionamento da SYNC+. O recado é que o jogo do licenciamento hoje não passa só pelo tamanho do catálogo, mas também pela velocidade de resposta, pela organização dos direitos e pelo uso de ferramentas que facilitem a descoberta e a contratação de música.

Nomeação acontece em meio a uma fase de expansão da companhia

Imagem do interior moderno de um escritório da BMG, com iluminação elegante, mesas de madeira e uma parede vermelha exibindo o logotipo da BMG. Espaço amplo e iluminado, ideal para colaborações e reuniões.
Escritório da BMG em Los Angeles

A chegada de Tim Miles também se encaixa numa sequência de mudanças de liderança na BMG. Nos últimos meses, a empresa promoveu Celine Joshua a EVP, Global Marketing & Streaming, nomeou Jasper Niebuhr como diretor-geral para a região GSA e promoveu Marion Gargula e Laurent Pernin a co-gerentes gerais da BMG França.

O movimento acompanha um momento de crescimento financeiro da companhia. Segundo os dados divulgados pela própria empresa, a BMG registrou receita de 900 milhões de euros em 2025, margem EBITDA recorde de 32% e investimento em catálogo acima de 400 milhões de euros. Para uma empresa que se apresenta como a quarta maior companhia de música do mundo, reforçar a operação de sync faz sentido num mercado em que audiovisual, publicidade, plataformas e games seguem disputando repertório conhecido e novas criações.

Mais do que uma troca de executivo, a nomeação de Tim Miles mostra onde a BMG quer concentrar parte da próxima etapa de sua expansão: na conexão entre catálogo, tecnologia e licenciamento global.

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