Soundbeats III by Mundo da Música reúne Tati Cantinho, Júnior Pepato, Spotify e SoundOn em dia sobre bastidores da música no Rio2C

Na quinta-feira, o Soundbeats III conectou liderança, composição na música sertaneja, streaming, periferias e comunidade artística no Rio2C.
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Nathália Pandeló
Raphael Franco, Puterrier e Láisa Naiane
Raphael Franco, Puterrier e Láisa Naiane (Crédito: Igor Ventura)

O palco Soundbeats III by Mundo da Música reuniu, nesta quinta-feira, 28 de maio, no Rio2C, uma programação voltada aos bastidores que sustentam a música para além do palco. Ao longo de cinco painéis, o dia passou por liderança, gestão de catálogo, composição sertaneja, circulação de ritmos periféricos, economia do streaming e construção de comunidade entre artistas e fãs.

A agenda mostrou uma indústria em movimento, na qual carreira musical já não depende apenas de lançamento, alcance ou presença em plataformas. O debate passou por estruturas de trabalho, direitos autorais, dados, repertório, narrativa e presença territorial. O dia colocou lado a lado executivos, artistas, compositores, produtores e profissionais que atuam na engrenagem menos visível do mercado.

Liderança e composição ganham lugar de estratégia

Láisa Naiane e Tatiana Cantinho (Crédito: Igor Ventura)
Láisa Naiane e Tatiana Cantinho (Crédito: Igor Ventura)

Logo pela manhã, Tatiana Cantinho, SVP & Label Head da Som Livre, abriu a programação em uma conversa mediada por Láisa Naiane, Sócia e Editora-Chefe do Mundo da Música. O painel “Liderança com Propósito: Caminho de Uma Nova Indústria” discutiu carreira, gestão e a transformação das gravadoras em um mercado menos verticalizado.

Na conversa, Tati conectou sua trajetória, iniciada como estagiária na Sony Music em 1998, a uma visão de liderança baseada em escuta, pluralidade e desenvolvimento de equipes. Ao falar sobre a experiência em Miami, a maternidade e a passagem pelo empreendedorismo, ela trouxe uma leitura sobre o novo papel da gravadora: menos controle isolado e mais construção conjunta com artistas, empresários e times.

Mila Ventura, Rafa Ventura, Junior Pepato, Caroline Pepato, Adriana Ramos e Láisa Naiane
Mila Ventura, Rafa Ventura, Junior Pepato, Caroline Pepato, Adriana Ramos e Láisa Naiane (Crédito: Igor Ventura)

Esse olhar apareceu como ponto de partida para o restante do dia. Se a liderança precisa ser mais humana e horizontal, os bastidores criativos também exigem organização. Foi esse o eixo do painel “Escrita Musical e Negócios: Os Bastidores que Compõem o Universo Sertanejo”, com Adriana Ramos, Diretora Geral da Universal Music Publishing, Caroline Pepato, editora musical e scouting do Grupo Música Nossa, e Júnior Pepato, compositor com mais de 17 bilhões de streams em obras gravadas por nomes como Henrique & Juliano, Simone Mendes e Mari Fernandez.

Mediado por Rafa Ventura, o encontro mostrou como o sertanejo profissionalizou a composição em escala. A discussão passou pela rotina de criação, pelas audições para DVDs, pela formação de catálogos e pela necessidade de documentação organizada para que obras possam gerar dinheiro de forma contínua. Júnior descreveu a composição como trabalho de agenda, parceiros e entrega constante, enquanto Caroline e Adriana destacaram a obra musical como patrimônio que precisa de gestão, contrato, cadastro e leitura de mercado.

Periferias, Angola e Brasil ocupam o centro da conversa

Láisa Naiane, Pablo Bispo, Dani Pepper, Lucioval Gama, Edcity e Mila Ventura
Láisa Naiane, Pablo Bispo, Dani Pepper, Lucioval Gama, Edcity e Mila Ventura (Crédito: Igor Ventura)

À tarde, o painel “O Atlântico Percussivo: A Música Como Ponte Entre Países, Ritmos e as Vozes das Ruas” levou a discussão para as conexões entre Brasil e Angola. Com mediação de Dani Pepper, a conversa reuniu Edcity Fantasmão, Lucioval Gama e Pablo Bispo em torno de ritmos urbanos, periferias, oralidade e indústria.

Edcity falou sobre o pagodão baiano e o “groove arrastado” como linguagem que saiu da comunidade para ocupar outros espaços sem abandonar sua origem. Ao lembrar o Fantasmão, ele conectou entretenimento, afirmação do povo negro, enfrentamento ao racismo e orgulho periférico. Pablo Bispo levou o debate para a construção de narrativas no pop e na música urbana, falando da música como forma de nomear histórias de mulheres, drags, mães, tias e pessoas que nem sempre tiveram espaço na indústria.

Lucioval Gama trouxe a perspectiva angolana e apontou um desafio de mercado: organizar direitos, cadastros e remuneração em um cenário no qual o consumo digital cresce, mas a compensação financeira ainda não chega de forma equilibrada aos criadores. A conversa aproximou samba, kuduro, kizomba, pagodão e pop urbano, mostrando que a ponte atlântica é cultural, mas também econômica.

Streaming e comunidade fecham o dia com dados e conteúdo

Láisa Naiane, NandaTsunami, Carolina Alzuguir e Renata Gomes
Láisa Naiane, NandaTsunami, Carolina Alzuguir e Renata Gomes (Crédito: Igor Ventura)

O quarto painel, “Além dos Plays: Como o Streaming Impulsiona Carreiras na Música”, trouxe a economia das plataformas para o centro da programação. Com Carolina Alzuguir, Head of Music do Spotify Brasil, Renata Gomes, Diretora de Marketing Artístico da ONErpm Brasil, e Nandatsunami, primeira artista brasileira com videoclipe no Spotify, a conversa mediada por Láisa Naiane teve como base os dados do Loud & Clear Brasil 2026.

A proposta foi discutir o streaming para além da contagem de reproduções. O painel abordou como a música brasileira gera receita, como artistas independentes podem ganhar escala e como dados ajudam a entender repertório, público e circulação internacional. Dentro do contexto do dia, o tema completou a discussão sobre profissionalização: não basta lançar, é preciso entender como o dinheiro circula.

Puterrier
Raphael Franco, Puterrier e Láisa Naiane (Crédito: Igor Ventura)

No encerramento, “Conexão Artista & Fã: Como Fortalecer Sua Comunidade Através do Conteúdo” levou a conversa para narrativa e relacionamento direto. Com Puterrier, artista da Mainstreet, e Raphael Franco, Music Marketing Manager da SoundOn/TikTok, o painel discutiu conteúdo como ativo de carreira, indo além da divulgação de singles.

A construção de comunidade apareceu como etapa essencial para transformar a audiência em uma base ativa. Em um dia que começou falando sobre liderança e passou por composição, direitos, streaming e periferias, o fechamento apontou para uma lógica cada vez mais evidente: o artista que constrói carreira hoje precisa entender não só o que lança, mas também como se comunica, com quem conversa e que comunidade deseja formar.

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