O mercado de produção musical deve sair de US$ 72,43 bilhões em 2026 para US$ 94,76 bilhões em 2031, segundo relatório da Mordor Intelligence. A projeção indica crescimento médio anual de 5,52% e mostra como a criação de música passou a envolver muito mais do que estúdios, microfones e softwares tradicionais.
O dado mais importante do relatório não está apenas no tamanho do mercado. Ele aparece na mudança de composição dessa cadeia. A produção musical está sendo puxada por ferramentas com inteligência artificial, modelos de assinatura, colaboração remota, áudio para games, artistas independentes e novos formatos de lançamento.
A leitura ajuda a explicar por que empresas de tecnologia, plataformas de distribuição, fabricantes de equipamentos e serviços para criadores passaram a disputar uma etapa que antes era vista principalmente como bastidor. Gravar, editar, mixar e finalizar músicas virou um mercado próprio, conectado à economia dos criadores e à demanda por conteúdo em vídeo curto, podcasts, publicidade, games e experiências digitais.
IA e assinatura mudam o acesso à produção

Segundo a Mordor Intelligence, a adoção de ferramentas com IA é o principal vetor positivo para o crescimento do setor. O relatório estima que esse fator acrescente 1,2 ponto percentual à projeção de avanço do mercado. Na prática editorial do setor, isso desloca a conversa sobre IA: a tecnologia não aparece apenas como ameaça à criação humana, mas como uma camada cada vez mais presente no fluxo de trabalho.
Esse uso inclui recursos de composição assistida, limpeza de áudio, separação de faixas, afinação, masterização automática, organização de sessões e apoio à mixagem. Para o produtor profissional, essas ferramentas podem encurtar etapas técnicas. Para o artista independente, podem reduzir a distância entre a ideia inicial e uma gravação pronta para circular.
O avanço dos modelos de assinatura também pesa nessa transformação. Em vez de comprar um software caro de uma vez, produtores e artistas passam a acessar ferramentas, bibliotecas, plugins e serviços em pagamentos recorrentes. Esse modelo reduz a barreira de entrada, mas também cria dependência de plataformas específicas.
Empresas como Apple, Avid, Adobe, Ableton e Steinberg disputam não só a venda de ferramentas, mas a rotina de criação de quem produz música. Quanto mais o trabalho passa por ambientes conectados, maior fica o valor do ecossistema em torno do usuário.
Games e formatos híbridos criam novas frentes

O relatório mostra que a produção musical comercial ainda lidera o mercado, com 51,73% de participação em 2025. No entanto, o áudio para games aparece como um dos segmentos de crescimento mais acelerado, com previsão de avanço médio anual de 11,63% até 2031.
Esse dado é relevante porque os games não usam música apenas como trilha de fundo. O setor demanda temas, paisagens sonoras, áudio imersivo, efeitos, vozes, música adaptativa e soluções que mudam conforme a ação do jogador. Para compositores, produtores e engenheiros de som, isso abre uma frente de trabalho que mistura música, tecnologia e narrativa.
Outro dado forte está nos formatos de lançamento. As gravações digitais lideraram o mercado em 2025, com 77,31% de participação, mas os lançamentos híbridos devem crescer 13,48% ao ano até 2031. O relatório trata como híbridos os modelos que combinam distribuição digital com produtos físicos, conteúdos interativos ou experiências ligadas ao lançamento.
Essa tendência conversa com a economia dos superfãs. Em um ambiente no qual o streaming concentra o consumo diário, artistas e selos buscam formatos capazes de vender mais valor: edições físicas, versões especiais, itens colecionáveis, experiências exclusivas e pacotes conectados a comunidades de fãs.
Artistas independentes puxam demanda por ferramentas

A expansão dos artistas independentes é outro motor do mercado. O relatório aponta que empresas e usuários profissionais ainda concentram a maior fatia, com 52,61% em 2025, mas os consumidores individuais devem crescer 12,46% ao ano até 2031.
Isso significa que estúdios, agências, produtoras e empresas seguem gastando mais, mas o crescimento mais rápido vem de quem produz por conta própria. O artista que grava em casa, o produtor de quarto, o criador de conteúdo e o músico independente passaram a consumir interfaces, controladores, monitores, plugins, serviços de distribuição e plataformas de colaboração.
Esse avanço também aumenta a competição. Se mais gente consegue produzir, lançar e testar repertório, a régua de diferenciação sobe. O acesso à ferramenta não garante atenção, carreira ou receita. Ele apenas coloca mais artistas dentro do jogo.
O ponto de tensão está nos direitos autorais. A Mordor Intelligence indica que a incerteza sobre conteúdos gerados ou assistidos por IA funciona como freio para o mercado, com impacto negativo estimado de 0,8 ponto percentual no crescimento projetado.
Para o setor musical, esse é um dos debates mais importantes dos próximos anos. A produção musical está ficando mais acessível, rápida e conectada, mas também mais dependente de plataformas, assinaturas, dados e regras jurídicas ainda em disputa.
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