A RIAA, a Associação da Indústria Fonográfica dos Estados Unidos, registrou receita de quase US$ 6 bilhões para a música gravada americana no primeiro semestre de 2026. O valor representa alta de 6,9% sobre o mesmo período do ano passado e veio acompanhado de crescimento nas principais categorias acompanhadas pela entidade.
O streaming continua como principal fonte de receita desse mercado. As plataformas responderam por US$ 4,9 bilhões entre janeiro e junho, 4,7% acima de 2025 e equivalentes a 82% do total. O dado que mais chama atenção, porém, está fora do digital: a receita de CDs cresceu 58,6%, enquanto o mercado físico como um todo avançou 25,9%.
O levantamento ajuda a mostrar um mercado americano mais distribuído entre diferentes formas de consumo. A assinatura continua responsável pela maior parcela do dinheiro, mas formatos físicos e sincronização, quando músicas são licenciadas para filmes, séries, publicidade e outras produções, cresceram em ritmo bem mais acelerado.
Assinaturas ainda movimentam a maior parte da receita
Dentro do streaming, as assinaturas pagas premium chegaram a 111,1 milhões de contas identificadas, alta de 5,5% em um ano. A receita dessa modalidade subiu 7,8%, para US$ 3,11 bilhões.
Quando outras modalidades pagas são incluídas, a RIAA calcula US$ 3,4 bilhões em receita de assinaturas. O crescimento de 6,4% mantém esse modelo como a principal engrenagem financeira do mercado fonográfico dos Estados Unidos.
O streaming gratuito também avançou, embora em ritmo menor. A categoria gerou US$ 899,6 milhões, alta de 3,7%. Já os planos pagos nos quais a música não aparece como principal componente caíram 9%, para US$ 239,1 milhões.
Os downloads seguem a direção oposta. A receita com compras permanentes de músicas e álbuns caiu 12,7%, para US$ 121 milhões. O desempenho mostra como o modelo de posse digital continua perdendo espaço justamente no momento em que a compra de produtos físicos recupera participação.
CDs têm alta de 58,6% e vinil mantém crescimento

A receita total com formatos físicos alcançou US$ 731,5 milhões no primeiro semestre, 25,9% acima do registrado um ano antes. Apesar de ainda representar uma parcela pequena do mercado diante do streaming, a categoria apresentou uma das maiores taxas de crescimento do relatório.
O vinil permaneceu como o principal formato físico, com US$ 543,8 milhões em receita, alta de 17,7%. Foram vendidos 26,5 milhões de discos no período, crescimento de 20,9% em unidades.
Os CDs, porém, tiveram a maior aceleração. A receita chegou a US$ 171,1 milhões, 58,6% acima de 2025. O volume vendido cresceu 45,7%, para 17,5 milhões de unidades. Outros formatos físicos, entre eles as fitas cassete, somaram US$ 16,5 milhões, alta de 44,9%.
Os números sugerem que o retorno dos formatos físicos não está restrito à retomada do vinil observada nos últimos anos. O CD também volta a ganhar espaço como produto ligado ao consumo de fãs, em um mercado no qual a música pode ser acessada por streaming e, ao mesmo tempo, comprada como item físico.
RIAA vê mercado mais diversificado
Outro segmento com avanço acima de dois dígitos foi o de sincronização. A receita com licenciamento de músicas para produções audiovisuais, publicidade e outros usos cresceu 18,2%, chegando a US$ 231,8 milhões.
Para Matt Bass, vice-presidente de pesquisa da RIAA, o resultado mostra diferentes maneiras pelas quais o público está consumindo e comprando música.
“O poder da música, potencializado dos fones de ouvido às festas em porões e às playlists da Copa do Mundo nos Estados Unidos, está refletido não apenas em sua importância cultural, mas também nos US$ 6 bilhões em receita documentados pelo relatório semestral da RIAA. Esses resultados apontam para um mercado saudável e diversificado, que sustenta investimentos contínuos em artistas e novas formas de o público vivenciar a música”, afirmou Bass.
O relatório também coloca em perspectiva a própria evolução do streaming. Ele ainda responde por mais de quatro quintos da receita americana, mas cresceu 4,7%, abaixo dos 25,9% dos formatos físicos e dos 18,2% da sincronização. Para a indústria, isso significa que a expansão do mercado em 2026 passa tanto pela escala das plataformas quanto pela capacidade de transformar a relação com fãs em outras fontes de receita.
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