Os shows devem movimentar US$ 67,1 bilhões em receita global até 2035, segundo o relatório “Live Music 2026”, publicado pela Luminate. A projeção indica que a música ao vivo continuará crescendo na próxima década, embora os dados recentes mostrem um mercado menos acelerado após os recordes da retomada pós-pandemia.
Nos Estados Unidos, a receita do setor deve superar US$ 14,5 bilhões em 2028. O cálculo considera as vendas de ingressos para os shows e os patrocínios relacionados aos eventos. Já as 100 maiores turnês globais faturaram US$ 9,1 bilhões em 2025, exatamente o mesmo resultado registrado em 2024.
A estabilidade mostra que a indústria de shows alcançou um novo patamar, mas também sugere que o ciclo de altas consecutivas pode ter encontrado um limite. Mesmo sem um novo recorde de receita, o mercado ainda permanece bem acima dos resultados anteriores à pandemia.
Grandes turnês ainda operam muito acima de 2019
As principais turnês venderam 69,5 milhões de ingressos em 2025, crescimento de 40,7% na comparação com 2019. O faturamento de shows ficou 85,7% acima do nível pré-pandemia, o que mostra como a música ao vivo ganhou ainda mais peso dentro do mercado nos últimos anos.
O preço médio das entradas, porém, apresentou uma pequena queda. O valor passou de US$ 130,36 em 2024 para US$ 127,17 em 2025. Mesmo assim, continuou sendo o segundo maior preço anual da série analisada pelo estudo.
A redução pode sinalizar uma resposta aos limites financeiros do público. Nos Estados Unidos, 53% dos entrevistados ainda apontam o custo da entrada como um obstáculo para comparecer a eventos de música ao vivo. Em 2024, esse percentual era de 59%.
Entre os integrantes da geração Z que frequentam eventos, o índice caiu de 75% para 57% em dois anos. O dado indica uma disposição maior dos jovens para direcionar parte da renda ao entretenimento ao vivo, embora isso não signifique que os preços para acessar os shows tenham deixado de pesar no orçamento.
Superfãs sustentam parte importante do consumo

Os frequentadores de shows e festivais gastam duas vezes mais com atividades musicais do que a população geral dos Estados Unidos. Eles também dedicam mais tempo ao consumo de música em diferentes formatos.
Os fãs de festivais consomem conteúdos musicais durante 66 horas mensais. Entre os frequentadores de shows, a média chega a 60 horas por mês. Esse envolvimento ajuda a explicar por que artistas, produtoras e plataformas observam o comportamento do público ao planejar rotas, cidades e formatos de turnê.
Os superfãs representam 29% dos frequentadores de eventos musicais, contra 19% da população geral. A Luminate classifica esse grupo como consumidores que participam regularmente de cinco ou mais atividades relacionadas à música.
Esse público costuma ouvir mais, gastar mais e manter uma relação mais frequente com os artistas. Por isso, a indústria tem investido em setores premium, produtos exclusivos, pacotes especiais e experiências destinadas aos fãs mais engajados.
Festivais enfrentam mais dificuldades para lotar
Enquanto as maiores turnês mantêm receitas elevadas, os festivais apresentam um cenário mais instável. Apenas 17% dos festivais europeus pesquisados esgotaram as entradas em 2025. Em 2022, essa parcela chegava a 29%.
O número de cancelamentos também aumentou. Foram registrados 107 festivais cancelados no mundo em 2025, contra 89 no ano anterior. Outros 33 cancelamentos já haviam ocorrido em 2026 até a publicação do relatório.
O resultado cria um contraste com o interesse declarado pelo público. A intenção de comparecer a festivais chegou a 23% entre os entrevistados no primeiro trimestre de 2026, um dos maiores níveis registrados pelo levantamento.
A diferença entre intenção e venda pode estar ligada aos custos de viagem, hospedagem e alimentação, que se somam ao valor da entrada. Com orçamentos mais apertados, parte do público pode preferir uma apresentação local ou uma turnê de um artista específico.
Os números desenham um setor maior do que antes da pandemia, mas mais concentrado nas grandes atrações e nos fãs dispostos a gastar com frequência. Para os festivais, o desafio passa por transformar o interesse em vendas sem elevar ainda mais os custos para o público.
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