Dia do Rock: Consumo do gênero cresce 8,6% no Brasil, mas ainda depende de clássicos

Os streams de rock sobem no país, e rankings e playlists mostram força do catálogo, com espaço limitado para novidades.
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Nathália Pandeló
Dia do Rock
Crédito: Freepik

O consumo de rock no Brasil cresceu 8,6% entre junho de 2025 e junho de 2026, passando de 2,41 bilhões para 2,62 bilhões de streams no período. O aumento de 210 milhões de reproduções indica que o gênero continua encontrando espaço nas plataformas digitais, mesmo longe do domínio exercido atualmente pelo sertanejo, pelo funk e pelo pagode nos rankings gerais.

Os dados exclusivos do Spotify obtidos pelo Mundo da Música mostram que o avanço não ficou concentrado em um mês ou em algum lançamento isolado. Desde janeiro de 2025, o rock apresentou crescimento anual em todos os meses, sempre na comparação com o mesmo período do ano anterior. A sequência torna o movimento mais consistente e reduz a chance de o resultado estar ligado apenas a um show, festival ou campanha específica.

Ao mesmo tempo, as músicas e as playlists que puxam esse consumo revelam um cenário menos movimentado quando o assunto é renovação. O público está ouvindo mais rock, mas grande parte dessa atenção continua direcionada a faixas lançadas há décadas ou a repertórios já consolidados.

O crescimento do rock vai além de um pico isolado

Dia Mundial do Rock

A alta de 8,6% representa uma boa notícia porque ocorre sobre uma base de consumo elevada. Sair de 2,41 bilhões para 2,62 bilhões de streams significa adicionar centenas de milhões de reproduções em apenas um ano. A presença contínua do gênero também ajuda a afastar a ideia de que o rock teria desaparecido do cotidiano dos ouvintes brasileiros.

O gênero seguiu aparecendo no Top 200 diário do Spotify Brasil em 2026. Entre as faixas de maior destaque estão Legião Urbana, com “Tempo Perdido”, Guns N’ Roses, com “Sweet Child O’ Mine”, e The Police, com “Every Breath You Take”.

Também aparecem Charlie Brown Jr., com “Só os Loucos Sabem”, e The Neighbourhood, com “Sweater Weather”. A lista reúne artistas brasileiros e estrangeiros, além de músicas de diferentes décadas, o que mostra que o interesse não está restrito a uma única geração de ouvintes.

O desempenho brasileiro acompanha um movimento observado em outros mercados. Nos Estados Unidos, o rock chegou a 260,5 bilhões de streams de áudio sob demanda em 2025, segundo a Luminate, alta de cerca de 11,2% sobre o volume registrado no ano anterior. O gênero foi um dos que mais ganharam participação no consumo digital americano.

No Brasil, o rock também mantém força fora das plataformas. Um levantamento do Mapa dos Festivais apontou que o gênero respondeu por 55% das turnês internacionais realizadas no país em 2025. O resultado mostra que existe um público disposto não só a ouvir, mas também a comprar ingressos e acompanhar apresentações ao vivo.

O catálogo domina e expõe a dificuldade de renovação

O principal sinal de estagnação aparece justamente entre as faixas de maior alcance. Das cinco músicas destacadas no Top 200 brasileiro, quatro foram lançadas entre as décadas de 1980 e 2000. “Sweater Weather”, a mais recente do grupo, chegou ao mercado em 2013.

Isso não reduz o valor do crescimento, mas muda sua interpretação. O rock está ganhando reproduções sem necessariamente produzir uma nova geração de grandes sucessos capazes de disputar espaço com os clássicos. O catálogo mantém o gênero ativo, porém também concentra a atenção que poderia chegar a artistas e lançamentos recentes.

As playlists editoriais do Spotify com maior volume de streams de rock no Brasil entre janeiro e junho de 2026 seguem a mesma lógica. As cinco primeiras foram “Rock Classics”, “BRock 80”, “Rock Forever”, “O Melhor dos Acústicos” e “All Out 80s”.

Os próprios nomes apontam para repertórios históricos, músicas dos anos 1980 e gravações acústicas conhecidas do público. Nenhuma das cinco principais seleções é voltada especificamente a novidades, descobertas ou lançamentos brasileiros.

O balanço do Dia do Rock, portanto, traz uma combinação de avanço e cautela. O consumo cresce, o gênero permanece nos rankings e ainda movimenta o mercado de shows. Por outro lado, esse desempenho segue apoiado em músicas consagradas, ao mesmo tempo que artistas novos enfrentam dificuldades para ocupar as mesmas vitrines.

O desafio do mercado não parece ser convencer o público a ouvir rock. Os números mostram que essa audiência já existe. A questão passa por transformar esse interesse em espaço para repertórios recentes, sem depender sempre das mesmas músicas para sustentar a presença do gênero.

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