Rio2C encerra dia 3 do Soundbeats III by Mundo da Música com Os Garotin, Globo, eventos, música clássica e urbana

O Soundbeats III levou ao Rio2C debates sobre audiovisual, música clássica, grandes eventos, Os Garotin e a força da música urbana
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Nathália Pandeló
Láisa Naiane, Os Garotin, Rafa Ventura e Mila Ventura
Láisa Naiane, Os Garotin, Rafa Ventura e Mila Ventura (Crédito: Igor Ventura)

O terceiro dia do palco Soundbeats III by Mundo da Música no Rio2C 2026 reuniu conversas que passaram por diferentes camadas da indústria musical, da criação artística aos bastidores de negócios. A programação de sexta-feira, 29 de maio, deu destaque a temas como produção musical no audiovisual, novos modelos para a música clássica, operação de grandes eventos, identidade sonora, comunidade de fãs e estratégias da música urbana.

Ao longo do dia, a Cidade das Artes recebeu nomes ligados à Globo, à cena de eventos, ao universo sinfônico, ao pop brasileiro e ao funk. O recorte mostrou como a música deixou de ocupar apenas o lugar do palco ou da trilha e passou a atravessar áreas como conteúdo, marcas, audiovisual, formação de público, planejamento de carreira e construção de valor cultural.

A programação também apontou para um mercado que busca soluções menos automáticas. Em vez de tratar música apenas como produto final, os painéis discutiram processos, relações, repertório, narrativa e visão de longo prazo. Do trabalho de Juliana Costantini nos Estúdios Globo ao case de Os Garotin, a pauta do dia mostrou que a indústria avança quando entende o que acontece antes da entrega chegar ao público.

Música, audiovisual e bastidores de produção começam o dia no Soundbeats III

Juliana Costantini e Mila Ventura
Juliana Costantini e Mila Ventura (Crédito: Igor Ventura)

O primeiro painel do dia, “Criatividade Encontra Palco: A Jornada Profissional de Juliana Costantini”, abriu a programação com uma conversa entre Juliana Costantini, Gerente de Produção Musical dos Estúdios Globo, e Mila Ventura, Head de Comunicação e Marketing na UBC e sócia-fundadora do Mundo da Música. A trajetória de Juliana serviu como ponto de partida para discutir a presença da música em novelas, programas, séries, filmes e grandes transmissões.

A fala passou por memórias afetivas com o rádio, pelo aprendizado de estrada e pela construção de relações com artistas e equipes. Juliana explicou como projetos musicais dentro da Globo dependem de articulação constante, de contratos a entrevistas, de autorizações a negociações com artistas. No audiovisual, a música não aparece sozinha. Ela precisa dialogar com narrativa, agenda, equipe técnica, direitos e entrega para milhões de pessoas.

Láisa Naiane, Potyra Lavor, Luiz Restiffe e Juliano Libmann (Crédito: Igor Ventura)
Láisa Naiane, Potyra Lavor, Luiz Restiffe e Juliano Libmann (Crédito: Igor Ventura)

Essa lógica de bastidor também apareceu no painel “Além do Line-Up e da Experiência: Os Bastidores que Movem os Grandes Eventos na Música”, mediado por Láisa Naiane, Sócia e Editora-Chefe do Mundo da Música. Potyra Lavor, fundadora e CEO da IDW e investidora do AFROPUNK no Brasil, Luiz Restiffe e Juliano Libman, sócios da InHaus, discutiram o que sustenta grandes eventos para além das atrações anunciadas.

A conversa partiu de temas como negociação de cachês, ativação de marcas, operação, logística e gestão de artistas. Projetos como Nômade Festival, Farraial, Camarote Essepê e AFROPUNK ajudam a mostrar que festivais e eventos funcionam como plataformas de negócio e cultura. A experiência do público é a ponta mais visível, mas depende de uma estrutura que conecta curadoria, patrocínio, posicionamento e capacidade de execução.

Popular, erudito e novas receitas

Manno Góes, Rafaello Ramundo, Carlos Prazeres e Thiessa Torres (Crédito: Igor Ventura)
Manno Góes, Rafaello Ramundo, Carlos Prazeres e Thiessa Torres (Crédito: Igor Ventura)

No painel “Quando o Popular Encontra o Erudito: Estratégias que Renovam a Música Clássica e Geram Novas Fontes de Receita”, o debate olhou para a música clássica a partir de novas combinações com repertórios populares. A mediação foi de Thiessa Torres, com participação de Manno Góes, diretor artístico da MAPA Fonográfica, Rafaello Ramundo, CEO da Novo Traço, e Carlos Fernando Fortuna Lopes Prazeres, maestro e diretor artístico da OSBA.

A conversa teve como base projetos como “GAL 80”, apresentado pela Orquestra Sinfônica da Bahia, e o encontro entre L7nnon, Papatinho e a Orquestra Novo Traço no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O debate mostrou que aproximar o erudito do popular exige mais do que uma boa ideia estética. É preciso lidar com autorizações, arranjos, repertório, artistas, compositores, intérpretes, instituições e novos caminhos de receita.

Essa construção também aponta para uma mudança de percepção sobre a música clássica. Quando uma orquestra se aproxima de Gal Costa, do rap ou da música urbana, ela abre portas para outros públicos sem abandonar sua estrutura artística. O desafio está em fazer isso com cuidado, sem transformar o repertório em peça decorativa e sem reduzir a tradição a um efeito de novidade.

Os Garotin e a força da comunidade (e da juventude)

Os Garotin e Rafa Ventura
Os Garotin e Rafa Ventura (Crédito: Igor Ventura)

Um dos momentos mais aguardados do dia foi o painel “De São Gonçalo ao Latin Grammy: A Identidade Sonora e o Case de Sucesso d’Os Garotin”, com Anchietx, Cupertino e Leo Guima, mediados por Rafa Ventura. A conversa recuperou a formação do trio, nascida de encontros, saraus, amizade, São Gonçalo e composições feitas durante a pandemia.

O grupo falou sobre a importância da cidade na própria identidade, da Praça Zé Garoto à vivência em igrejas, rodas, quintais, ruas e referências de black music, R&B, MPB e baile. O álbum “Os Garotin de São Gonçalo”, vencedor do Latin Grammy 2024 em Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, foi tratado como resultado de uma construção afetiva e musical, com papel decisivo do produtor Júlio Raposo.

A partir da vitória no Latin Grammy, o trio passou a olhar com mais atenção para marketing, comunidade e redes. O painel trouxe uma leitura importante para artistas em crescimento: mirar apenas o mainstream pode ser um caminho incerto, enquanto fortalecer uma comunidade real pode sustentar carreira, shows, lançamentos e novas fases. Para Os Garotin, o marketing aparece como cuidado com a obra, não como uma camada artificial.

Música urbana fecha o dia em diálogo com o mainstream

Matheus Cristiano MC GW e Kamilla Fialho

O encerramento veio com “Identidade e Estratégia: o Ritmo da Música Urbana em Diálogo Com o Mainstream”, mediado por Kamilla Fialho, presidente da K2L e CEO da Lyons. O painel reuniu Matheus Cristiano, diretor comercial da 30Praum, e MC GW, artista em destaque na expansão global do funk.

A conversa tratou da música urbana brasileira em um momento de presença mais forte em marcas, plataformas, festivais e grandes players da indústria. Funk e trap já não aparecem apenas como movimentos de nicho. Eles se tornaram linguagens centrais para entender consumo, comportamento, identidade e novos modelos de carreira no Brasil.

Ao reunir audiovisual, eventos, orquestras, pop, Latin Grammy e funk no mesmo dia, o Soundbeats III mostrou que a música se movimenta por muitas frentes ao mesmo tempo. No Rio2C, a sexta-feira deixou claro que estratégia e identidade não caminham separadas. Quando o mercado entende a origem, a estética e a comunidade por trás de cada projeto, a música ganha mais força para ocupar novos espaços.

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