Rio2C 2026 coloca a SoundOn no debate sobre conteúdo e comunidade a partir da carreira de Puterrier

No palco do Mundo da Música, a SoundOn foi parte de uma conversa sobre fãs, dados e narrativa para artistas que querem ir além do lançamento.
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Nathália Pandeló
Raphael Franco, Puterrier e Láisa Naiane
Raphael Franco, Puterrier e Láisa Naiane (Crédito: Igor Ventura)

A SoundOn foi tema de um dos debates do Rio2C 2026 sobre a relação entre artistas e fãs em um mercado cada vez mais guiado por conteúdo, presença digital e leitura de comportamento. O painel “Conexão Artista & Fã: Como Fortalecer Sua Comunidade Através do Conteúdo” reuniu Puterrier, cantor ligado à Mainstreet, e Raphael Franco, Music Marketing Manager da SoundOn e do TikTok. A mediação foi de Láisa Naiane, sócia e editora-chefe do Mundo da Música.

A proposta do encontro partiu de uma questão prática para artistas e equipes: como manter o público por perto quando a rotina de lançamentos já não basta para sustentar uma carreira. Hoje, uma música pode ganhar alcance em poucos dias, mas esse pico não garante vínculo. A disputa real está em transformar a atenção passageira em uma relação contínua.

O conteúdo deixou de ser apenas uma peça de divulgação. Ele passou a fazer parte da forma como o artista se apresenta, explica seu universo e cria pontos de contato com quem acompanha sua trajetória. Bastidores, cortes, vídeos curtos, interações, narrativas de lançamento e presença em plataformas ajudam a construir uma percepção mais completa sobre o artista.

Conteúdo não substitui música, mas muda a estratégia

A discussão ganha força porque o mercado vive um excesso de oferta. A cada semana, novos lançamentos chegam às plataformas, disputam espaço nas playlists, nas redes sociais e na rotina do público. Para artistas em crescimento, isso torna a consistência mais importante. Não basta aparecer apenas no dia em que a faixa chega ao streaming.

A comunidade começa a se formar quando o público entende quem é aquele artista, reconhece sua linguagem e encontra motivos para acompanhar os próximos passos. Esse processo não depende só de números. Ele envolve identidade, repertório, frequência e uma comunicação que pareça conectada ao que o artista realmente representa.

Puterrier se encaixa nesse debate por vir de uma cena em que música, estética e linguagem digital caminham juntas. O artista ganhou visibilidade com uma sonoridade que mistura funk, grime e referências urbanas, em um movimento que também passa pela forma como a cena se comunica nas redes. Esse tipo de construção ajuda a entender por que o conteúdo virou uma extensão da carreira, e não apenas um acessório.

Para nomes ligados à música urbana, essa relação costuma ser ainda mais direta. A rua, os vídeos, a moda, os códigos visuais e a forma de falar com o público fazem parte do mesmo pacote. Quando essa combinação funciona, a música não circula sozinha. Ela vem acompanhada de contexto.

Dados ajudam a entender o público

SoundOn

A presença da SoundOn no painel também leva a conversa para o papel das plataformas na carreira musical. A ferramenta, ligada ao TikTok, atua com distribuição e marketing musical, conectando artistas a recursos de lançamento, dados e promoção dentro do ambiente digital. Isso muda a lógica de trabalho para equipes que precisam tomar decisões com mais rapidez.

Os dados ajudam a perceber sinais que antes demoravam mais para aparecer. Um trecho que começa a circular, um público que reage melhor, um formato de vídeo que cresce ou uma comunidade específica que adota uma faixa podem indicar caminhos para a estratégia. Para o artista, isso pode orientar próximos passos sem depender apenas de percepção subjetiva.

Ao mesmo tempo, o dado não deve virar fórmula. O risco de seguir apenas o que performa melhor é criar uma comunicação sem personalidade. A leitura das plataformas funciona melhor quando ajuda a fortalecer o que o artista já tem de próprio. O dado mostra onde existe resposta. A direção artística decide o que fazer com essa resposta.

Comunidade é mais do que alcance

O painel com a participação da SoundOn e Puterrier no Rio2C colocou em pauta uma distinção importante: audiência e comunidade não são a mesma coisa. A audiência pode ser grande e ainda assim distante. Comunidade envolve participação, reconhecimento e senso de pertencimento. É quando o fã deixa de apenas consumir uma música e passa a acompanhar a história por trás dela.

Para artistas, esse vínculo pode fazer diferença em várias frentes. Ele ajuda a sustentar novos lançamentos, vender ingressos, ativar campanhas, movimentar redes e criar uma base mais fiel. Para distribuidoras, plataformas e equipes de marketing, também muda a forma de planejar. O trabalho passa a olhar para ciclos mais longos, não apenas para a semana de estreia.

A conversa com SoundOn, Puterrier e Raphael Franco dialoga com um mercado em que artista, conteúdo e plataforma estão cada vez mais conectados. O desafio não é transformar todo lançamento em tendência, mas criar uma presença que faça sentido para o público. No fim, a comunidade se fortalece quando a estratégia encontra uma narrativa verdadeira.

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