Soundbeats III by Mundo da Música e Backstage Lab começam fim de semana no Rio2C com debates sobre técnica e carreira

A parceria entre Mundo da Música e Backstage Lab levou ao Rio2C conversas sobre roteiro, luz, gestão e audiovisual no sábado.
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Nathália Pandeló
Fabio Almeida, Camila Rebouças, Marcel Lapa, John Oliveira, Cecilia Vale, Laisa Naiane e Mila Ventura
Fabio Almeida, Camila Rebouças, Marcel Lapa, John Oliveira, Cecilia Vale, Laisa Naiane e Mila Ventura (Crédito: Igor Ventura)

O Soundbeats III by Mundo da Música e o Backstage Lab iniciaram, no sábado, 30 de maio, uma programação conjunta no Rio2C 2026 voltada aos bastidores da música, do audiovisual e da economia criativa. A parceria, que segue ao longo do fim de semana, abriu espaço para debates sobre roteiro, iluminação, formação profissional, gestão de carreira e novas formas de produção.

Ao longo do dia, os painéis deslocaram o foco do artista no palco para as equipes que tornam a experiência possível. Roteiristas, iluminadores, diretores, produtores, gestores e profissionais técnicos apareceram como parte essencial de um mercado que cresce, mas cobra preparo, repertório, organização e capacidade de adaptação.

Roteiro no ao vivo precisa organizar sem engessar a cena

Edu Araujo e Thais Belchior no Rio2C
Edu Araujo e Thais Belchior (Crédito: Igor Ventura)

No painel “Tem Roteiro Nisso? Como Prender a Atenção e Criar Conexões Reais Com o Público”, Edu Araújo e Thais Belchior discutiram a construção narrativa em audiovisuais musicais, com foco na TV ao vivo. A conversa teve clima bem humorado e participação da plateia, aproximando o roteiro de situações reais de palco, câmera e improviso.

O debate passou por transmissões de grande escala, como shows em espaços abertos, e formatos mais controlados, como “Música Boa Ao Vivo”, do Multishow. A diferença entre esses ambientes ajuda a entender o desafio do roteirista no entretenimento musical: criar uma estrutura capaz de sustentar ritmo, emoção e clareza sem prender a espontaneidade de quem está em cena.

A trajetória dos participantes dialogou diretamente com esse tema. Edu é roteirista e criador audiovisual, com trabalhos para Globo, Amazon, Netflix, GNT e Globoplay, além de projetos como “Perrengue Fashion”, “B.O.” e produções do Porta dos Fundos. Thais, atriz, cantora, roteirista e apresentadora, levou ao encontro uma experiência marcada por humor, improvisação, teatro musical, TV e internet.

Iluminação aparece como linguagem artística e carreira de longo prazo

Láisa Naiane e Paulinho Lebrão
Láisa Naiane e Paulinho Lebrão (Crédito: Divulgação)

Na sequência, Paulinho Lebrão e Láisa Naiane, sócia e editora-chefe do Mundo da Música, se debruçaram sobre o tema “Carreira, Técnica e Estética na Iluminação: Como Dominar o Design de Luz e Construir Sua Assinatura Visual”. A conversa tratou a luz como linguagem artística, especialmente em grandes projetos musicais, e não como um elemento secundário da apresentação.

A partir da trajetória de Paulinho, que atua profissionalmente na iluminação desde 1999 e fundou a FOH Design em 2016, o painel abordou a evolução da lâmpada tradicional para o LED, a especialização do setor e a necessidade de um olhar de longo prazo. A discussão também passou pelo acesso ao mercado e pelos caminhos para elevar o nível técnico das produções.

O painel ainda tratou de temas práticos, como segurança do trabalho e estrutura física dos locais. No fim da década de 1990, equipamentos de segurança ainda eram pouco comuns no setor. Hoje, a operação técnica exige uma visão mais completa, com profissionais capazes de entender diferentes frentes do trabalho para alcançar um resultado mais apurado.

Economia criativa exige audácia, planilha e constância

Gringo Cardia, Fabio Almeida e Rafa Ventura
Gringo Cardia, Fabio Almeida e Rafa Ventura (Crédito: Igor Ventura)

O painel “Como Transformar Seu Interesse por Cultura em uma Profissão Estratégica e Lucrativa na Economia Criativa?” reuniu Fabio Almeida, Gringo Cardia e a mediação de Rafa Ventura para discutir formação, posicionamento e profissionalização. A conversa partiu de uma pergunta prática: como transformar a paixão por cultura em carreira sólida dentro de um setor que depende de criatividade, mas também de método.

Fabio levou ao debate uma trajetória que começou como roadie e avançou para gestão de carreiras, blocos de Carnaval, projetos especiais e operações internacionais. Gringo, com atuação em design, cenografia, videoclipes, teatro, óperas, museus e exposições, conectou criação visual e formação técnica a partir de sua experiência na Escola Fábrica Spectaculu, projeto que forma jovens das periferias do Rio de Janeiro para a área de espetáculos há 26 anos.

Entre os pontos tratados, apareceram audácia, constância, planejamento, planilha e cronograma. A leitura central foi a de que a economia criativa pode nascer do interesse por cultura, mas precisa de organização para virar trabalho. Em um mercado de shows, festivais e conteúdos audiovisuais cada vez mais complexo, a capacidade de se posicionar também passa por entender processos, orçamento, equipe e entrega.

Audiovisual independente ganha força com periferia, tecnologia e preparo

Marcel Lapa, John Oliveira e Cecilia Vale
Marcel Lapa, John Oliveira e Cecilia Vale (Crédito: Igor Ventura)

Fechando a tarde, John Oliveira, Marcel Lapa e Cecilia Vale discutiram o audiovisual atual no painel “Como Hackear o Mercado Audiovisual na Atualidade e Usar Tendências para Acelerar seu Crescimento Profissional?”. A conversa colocou em pauta cultura independente, periferia, tecnologia, inteligência artificial e novas formas de produzir com recursos limitados.

Cecilia destacou a presença de estudantes na plateia e o valor de espaços de troca no fim de semana do Rio2C. O painel também apresentou o Cri.Ativos da Favela, projeto coidealizado por John que funciona como incubadora e aceleradora de talentos e já formou 300 jovens de favelas no audiovisual.

A periferia apareceu como território de criação, cor e potência narrativa. John apontou uma mudança no audiovisual, com maior busca por histórias verdadeiras e pessoas reais. Marcel, diretor autodidata com videoclipes que somam mais de 100 milhões de visualizações, conectou essa visão à pré-produção e ao preparo para passar a impressão de um apuro estético elevado.

“Quando você está atento a buscar meios e sempre se preparar, você tem resultados melhores que levam a essa percepção”, afirmou Lapa.

O painel também discutiu redes sociais, streaming, formatos híbridos e a mudança no acesso às ferramentas. Antes, parte da produção dependia de softwares caros e estruturas maiores. Hoje, o celular pode entrar em etapas do processo, o que dá mais liberdade criativa, mas não elimina a necessidade de planejamento. Para os jovens profissionais, a mensagem foi a de que ninguém precisa saber fazer tudo, mas entender como cada etapa funciona se tornou parte do jogo.

Ao reunir esses debates, a parceria entre Soundbeats III by Mundo da Música e Backstage Lab mostrou que o futuro da música também passa por quem escreve, ilumina, organiza, filma, dirige, planeja e sustenta a engrenagem por trás do palco.

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