O palco Soundbeats III by Mundo da Música começou sua programação no Rio2C 2026 com um recorte amplo do que movimenta a indústria hoje: catálogo infantil, gestão de carreira, audiovisual, novos artistas e música aplicada ao storytelling. Ao longo do primeiro dia, a sala recebeu cinco painéis, das 10h30 às 18h, com nomes de diferentes pontas do mercado.
A abertura do Soundbeats III deixou claro que a música, dentro e fora das plataformas, já não pode ser pensada apenas como lançamento. O debate passou por marcas de longo prazo, propriedade intelectual, construção de comunidade, licenciamento, audiovisual, games e formação de equipe. O dia mostrou como a música virou ferramenta de negócio para empresas, artistas, produtores, editoras e criadores de conteúdo.
Também foi um dia de contrastes. A programação saiu do universo infantil de Mundo Bita para a trajetória institucional de Marcelo Castello Branco, passou pela força do audiovisual musical, chegou à ascensão de Léo Foguete e terminou com uma conversa sobre música em narrativas, games, séries e projetos de marca.
Do infantil à memória do mercado

O primeiro painel do dia, “Mundo Bita: Música Infantil Como Case de Gestão, Criatividade e Conexão Com o Público”, colocou o segmento infantil no centro da discussão de negócios. Com Felipe Almeida, produtor executivo da Mr. Plot e do Mundo Bita, Chaps, criador do projeto, e mediação de Luciana Fialho, CEO da Comunicação Real, a conversa partiu de um dado forte: a marca nasceu há 15 anos, tem mais de 130 clipes e ultrapassa 21 bilhões de visualizações no YouTube.
Mais do que um case de sucesso para crianças, o painel apontou o infantil como um modelo de recorrência. É um público renovado todos os anos, com consumo familiar, conexão educacional e força transmídia. Para o mercado musical, isso ajuda a explicar por que projetos desse tipo constroem valor com catálogo, consistência e identidade visual, em vez de depender apenas do ciclo curto dos hits.

Na sequência, “O Som do Tempo: Lições de Uma Vida Pela Música” trouxe Marcelo Castello Branco, CEO da União Brasileira de Compositores, em conversa com Láisa Naiane, sócia e editora-chefe do Mundo da Música. O painel propôs uma leitura mais humana da indústria, a partir de uma trajetória ligada aos bastidores, aos autores e às transformações do setor.
A presença da UBC também ajudou a conectar o dia a uma discussão maior: como a música se organiza como trabalho. Em um mercado cada vez mais guiado por dados, tecnologia e escala, a experiência de quem atravessou diferentes fases da indústria funciona como um contraponto importante. O debate mostrou que inovação não substitui memória, gestão de direitos e visão de longo prazo.
Audiovisual, escala e novos artistas

À tarde, o Soundbeats III by Mundo da Música entrou no campo do audiovisual com o painel “Produção Audiovisual: Como Pensar a Música de Forma Estratégica Para Criação de Negócios Rentáveis?”. A conversa reuniu Chico Kertész, diretor da Macaco Gordo, Daniel Mendes, CEO da Casa Amarela, e mediação de Rafa Ventura, especialista em jornalismo cultural.
O painel partiu de uma pergunta importante: como a música pode sustentar projetos audiovisuais com relevância cultural, recorrência e monetização? Entre os exemplos citados estavam o case “Dominguinho”, a cobertura do Carnaval de Salvador e a série “Macaco Sessions”, com artistas como Ivete Sangalo, Saulo, Xanddy Harmonia, Léo Santana e Claudia Leitte. A discussão mostrou que o audiovisual deixou de ser vitrine e passou a operar como produto, arquivo, estratégia de marca e motor de receita.
Depois, Léo Foguete foi o tema do painel “Ascensão e Solidez: A Trajetória de Léo Foguete, Desafios e Oportunidades Para Novos Artistas”. Com apenas um ano de carreira, o artista chegou a números fortes nas plataformas digitais e a uma indicação ao Latin Grammy, dado que serviu como ponto de partida para uma conversa sobre crescimento rápido e estrutura.
Ao lado de Neto Sales, diretor da Acertei Produções, e Letícia Cordeiro, diretora de estratégia de comunicação da Vybbe, Léo discutiu os bastidores de uma carreira em formação. O painel abordou posicionamento, estratégia digital, equipe, finanças e tomada de decisão. A principal leitura é a de que viralizar pode abrir portas, mas transformar atenção em carreira exige gestão, repertório, planejamento e escolhas bem calculadas.
Música como narrativa em games e telas

O encerramento do primeiro dia levou a música para o campo do storytelling. O painel “Os Códigos Secretos da Música no Storytelling” reuniu Megan Goldstein, vice-presidente de sync licensing da BMG, Raphaella Lima, diretora global de música e marketing da Electronic Arts, Day Limns, cantora e compositora, e mediação de Mario Di Poi, sócio e produtor executivo da Input Post.
A conversa tratou de como uma música é escolhida, negociada e integrada a projetos audiovisuais, games e conteúdos de marca. Esse processo envolve mais do que gosto pessoal. Há decisões sobre narrativa, licenciamento, direitos, público, linguagem e objetivos comerciais. Para artistas e equipes, entender esse caminho pode abrir novas frentes de receita fora do lançamento tradicional.
Ao fechar o dia com esse tema, o Soundbeats III by Mundo da Música amarrou uma ideia que atravessou toda a programação: a música está em mais lugares do que nunca, mas isso também exige mais preparo. Do infantil ao game, do audiovisual ao palco, o mercado cobra repertório artístico, leitura de negócio e capacidade de transformar criação em projeto sustentável.
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