ROSTR aponta que mercado independente reúne 97% das empresas que movem a música no dia a dia

Dados da ROSTR mostram que o mercado independente domina empresas, contratações e acordos, mesmo longe da maior fatia da receita global.
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Nathália Pandeló
Artista independente se divide em diferentes funções
Artista independente se divide em diferentes funções

O mercado independente aparece como a base operacional da indústria da música em um novo levantamento da ROSTR, plataforma que monitora empresas, elencos, contratações e movimentações do setor. Segundo os dados de 2025, 97% das gravadoras, agências, editoras e empresas de gestão artística mapeadas pela plataforma são independentes.

O recorte ajuda a explicar uma diferença importante entre dois retratos da indústria. De um lado, as grandes gravadoras seguem concentrando a maior parte da receita global de música gravada. De outro, a camada de empresas que acompanha artistas no cotidiano, negocia contratos, organiza turnês, estrutura lançamentos e constrói carreiras é majoritariamente independente.

No levantamento, a ROSTR considera como independente a empresa que não pertence às majors – Universal Music Group, Sony Music Entertainment ou Warner Music Group – e que, em geral, tem menos de 50 funcionários. A definição não olha apenas para gravadoras, mas também para agências, editoras e empresas de management, áreas que costumam participar diretamente da rotina dos artistas antes de eles chegarem a uma escala maior.

O peso das empresas independentes na base da indústria

Major labels, gravadoras - Warner, Universal e Sony

A principal leitura dos dados é que a indústria da música tem uma base muito mais pulverizada do que a cobertura de mercado costuma sugerir. As majors operam em escala global, têm elencos com artistas de alto desempenho comercial e concentram boa parte da atenção da imprensa. Mas, em número de empresas, elas representam uma fatia pequena do ecossistema.

A ROSTR aponta que 98% das empresas adicionadas à sua base em 2025 eram independentes. Isso inclui novas gravadoras, novas agências, empresas de gestão artística e editoras que surgem fora dos grupos ligados às três majors. Ou seja, o funil de novas companhias do setor segue nascendo quase todo no ambiente independente.

Esse dado importa porque mostra onde parte da renovação do mercado acontece. Muitos artistas começam suas trajetórias com equipes menores, estruturas flexíveis e empresas que operam perto da base, antes de qualquer disputa por grandes contratos. Para o público leigo, é como pensar na diferença entre uma grande rede nacional e milhares de negócios especializados que mantêm a engrenagem funcionando em bairros, cenas locais e nichos específicos.

A independência, nesse caso, não significa ausência de estrutura. Muitas dessas empresas atuam em frentes profissionais de lançamento, agenda, direitos, sync, marketing e desenvolvimento de carreira. A diferença está no tamanho, no controle societário e na forma como elas se posicionam diante de artistas que ainda estão em fase de construção de público.

Contratações, acordos e atenção também passam pelos independentes

Artista independente faz distribuição digital para plataformas de streaming

O levantamento mostra que 80% das assinaturas de artistas rastreadas pela ROSTR em 2025 envolveram uma empresa independente. A conta inclui movimentos em gravadoras, editoras, agências e management. Ou seja, quatro em cada cinco acordos acompanhados pela plataforma passaram por companhias fora dos grandes conglomerados.

Essa leitura ajuda a separar dois momentos da carreira artística. As majors costumam entrar com mais força quando um nome já mostra tração comercial, presença nas plataformas, base de fãs e potencial de escala. As independentes, por outro lado, aparecem com frequência no caminho anterior, quando ainda é preciso testar repertório, posicionamento, narrativa, agenda e estratégia de lançamento.

O mesmo padrão surge no mercado de trabalho. Segundo a ROSTR, 95% das empresas com vagas ativas na ROSTR Jobs eram independentes. A plataforma cita gravadoras como Mom + Pop, Nettwerk e ANTI- entre as empresas com contratações abertas no período analisado, além de centenas de agências, editoras e companhias de gestão.

Para quem quer trabalhar na música, a chance de começar ou consolidar uma trajetória profissional em uma empresa independente é alta. Isso vale para áreas como marketing, operações, dados, turnês, relacionamento com plataformas, direitos autorais e atendimento a artistas.

A atenção dentro da própria ROSTR também segue essa lógica. Mais de 8 em cada 10 visualizações de perfis de empresas em 2025 foram direcionadas a companhias independentes. Isso indica que profissionais do setor buscam entender quem está por trás dos acordos, dos elencos e das movimentações de carreira, mesmo quando essas empresas não ocupam o mesmo espaço midiático das majors.

Receita concentrada não conta a história toda

Músico artista negro edital
Crédito: Freepik

O contraste aparece quando os dados da ROSTR são colocados ao lado dos números de participação de mercado. Segundo a MIDiA Research, em seu relatório mais recente de market share, as majors capturam cerca de 70% da receita global de música gravada. Esse é o retrato mais comum da indústria: poucos grupos concentram a maior parte do dinheiro que circula no fonograma.

A ROSTR propõe outro recorte. Em vez de olhar apenas para onde a receita se acumula, a plataforma observa onde o trabalho cotidiano acontece. Nesse ponto, a proporção muda bastante. Empresas independentes aparecem como maioria entre companhias mapeadas, novas empresas adicionadas, vagas abertas, assinaturas de artistas e perfis consultados.

Para o mercado brasileiro, a leitura é útil porque evita uma visão simplificada da indústria. O avanço do streaming, a profissionalização de artistas independentes e o surgimento de novas estruturas de gestão tornam o ecossistema mais fragmentado. Ao mesmo tempo, a concentração de receita nas grandes companhias continua forte, principalmente quando se fala em catálogo, escala internacional e investimento em marketing.

O dado da ROSTR não diminui a força das majors. Ele mostra que a indústria depende de uma rede muito maior de empresas para descobrir talentos, organizar carreiras e sustentar cenas fora do centro comercial. No dia a dia, boa parte do trabalho que transforma artistas em negócios viáveis passa por estruturas independentes, muitas vezes antes que esses artistas entrem no radar das grandes companhias.

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