Mari Fernandez sempre participou das decisões sobre a própria trajetória, mas essa atuação ganhou outra dimensão conforme a cantora amadureceu dentro do mercado. Hoje, além das escolhas artísticas, ela acompanha marketing, imagem, posicionamento, administrativo, financeiro, comercial e outros pontos da operação que sustenta sua carreira.
A artista, que está há cinco anos construindo sua trajetória, explica que assumir esse protagonismo não significa centralizar funções ou executar pessoalmente cada área. A estrutura inclui sócios, profissionais especializados e a Vybbe, responsável pela gestão comercial e pela agenda de shows. A diferença está no nível de participação de Mari, que acompanha reuniões, processos e decisões que afetam sua música, sua imagem e seus negócios.
Essa mudança também corrige uma possível leitura de que a cantora teria passado de uma posição completamente distante da gestão para o comando da carreira. Segundo Mari, ela sempre esteve próxima dos bastidores. O que mudou foi a maturidade e, com ela, a capacidade de participar de maneira mais profunda das escolhas.
Uma visão mais ampla sobre a própria carreira
O envolvimento de Mari hoje começa antes mesmo de uma música ser lançada. Ao avaliar um repertório, ela diz considerar não apenas o gosto pessoal, mas a conexão da faixa com sua identidade, o momento profissional e o público. Depois, acompanha com a equipe a estratégia de lançamento, a comunicação e o papel daquele projeto dentro de uma construção de longo prazo.
“Hoje eu faço questão de acompanhar a minha carreira de uma forma muito mais ampla. Não é só repertório, lançamento ou show. Eu participo das decisões de marketing, imagem e posicionamento, mas também acompanho administrativo, financeiro, comercial e várias questões do dia a dia que muitas vezes o público nem imagina que fazem parte da carreira de um artista”, ela explica.
Mari Fernandez já está na música há tempo suficiente para saber que uma andorinha só não faz verão. Por isso, ela se cerca de profissionais que possam fazer a sua visão ganhar vida.
“Tenho sócios, profissionais e equipes muito competentes comigo, cada um responsável pela sua área, e confio muito neles. Não significa que eu execute tudo, porque seria impossível, mas gosto de entender o que está acontecendo, acompanhar os processos e participar das decisões. Das grandes escolhas aos pequenos detalhes, gosto de saber o que está sendo construído e por quê”, diz a artista.
Essa estratégia passa por diferentes etapas da carreira, que vai de decisões criativas a administrativas. Tudo passa pela identidade musical que o nome de Mari Fernandez já construiu até aqui.

“Na parte artística acontece da mesma forma. Quando chega uma música, por exemplo, não penso apenas se gosto dela. Penso se conversa comigo, com o momento da minha carreira e com o meu público. Depois, junto com a equipe, começamos a pensar em todo o caminho: como lançar, como comunicar, qual história queremos contar e como aquele trabalho contribui para o que estamos construindo a longo prazo”, ela exemplifica.
Segundo Mari, essa abordagem já dá resultados expressivos – mas vem, juntamente dela, uma necessidade de olhar cada etapa com esse mesmo profissionalismo.
“Acho que hoje eu tenho uma visão muito mais 360º da minha carreira. E os números também fazem parte dessa visão. Em 2026, já são mais de 300 milhões de streams no Spotify, 600 milhões de visualizações no YouTube e mais de 100 shows realizados. São resultados que me deixam muito feliz, mas que também aumentam a responsabilidade sobre cada decisão”.
Esses números ajudam a dimensionar o tamanho da operação sobre a qual ela passou a ter uma visão mais abrangente. Não se trata meramente de escolher repertório ou aprovar campanhas, mas de entender como decisões de diferentes áreas se conectam em uma carreira com centenas de milhões de reproduções e uma agenda intensa de apresentações.
Participação cresceu junto com a maturidade
Ao explicar como chegou a esse nível de envolvimento, Mari afasta a ideia de que tenha ocorrido uma mudança brusca na gestão da carreira. A cantora diz que sempre teve interesse pelos bastidores, mas que sua participação ganhou outra dimensão conforme acumulou experiência e passou a compreender melhor o funcionamento do mercado.
“Eu sempre participei muito da minha carreira e sempre fui curiosa para entender o que estava acontecendo. Acho que o que mudou ao longo do tempo foi a maturidade e, consequentemente, o nível dessa participação”, pontua.
No início da trajetória, esse processo esteve mais ligado à observação e ao aprendizado com profissionais que já conheciam a indústria. Mari Fernandez conta que essa escuta continua fazendo parte da rotina, mesmo com a autonomia maior que conquistou ao longo dos últimos anos:
“No começo, é muito importante ouvir quem tem experiência, aprender com as pessoas que estão ao seu redor e observar muito. E continuo fazendo isso até hoje. Mas, conforme fui amadurecendo como artista e entendendo melhor o mercado, percebi que poderia contribuir cada vez mais para as decisões e que estar mais próxima desses processos também poderia ajudar a construir resultados melhores.”
Esse envolvimento também parte de uma percepção pessoal: ainda que a equipe possa oferecer conhecimento técnico e diferentes pontos de vista, é a própria artista quem conhece com mais profundidade os objetivos que pretende alcançar e a direção que deseja dar à carreira.
“Ninguém conhece tão profundamente a minha história, os meus sonhos e a artista que eu quero me tornar quanto eu mesma. Então fui entendendo que participar mais não significava querer controlar tudo. Significava assumir cada vez mais responsabilidade sobre a minha própria carreira”, ela diferencia.
Agora, esse processo passa por ouvir variados profissionais, avaliar possibilidades e participar das escolhas sem abrir mão das especialidades de cada pessoa da equipe.
“Hoje consigo ouvir diferentes opiniões, entender o que cada profissional traz, analisar as possibilidades e, junto com as pessoas que trabalham comigo, tomar decisões muito mais conscientes sobre o que faz ou não sentido para mim”, Mari acrescenta.
“Saudade do Carai” mostra como Mari Fernandez pensa cada lançamento
A mudança na forma de participar da gestão também alterou o modo como Mari enxerga seus projetos. Em vez de tratar cada lançamento como uma ação isolada, a cantora passou a considerar o que aquela música pode acrescentar à trajetória e como o trabalho pode continuar depois da estreia nas plataformas.
“Mudou principalmente a maneira como eu penso cada projeto. Hoje tento olhar menos para ações isoladas e mais para o que cada decisão pode construir para a carreira.”
Essa visão faz com que o lançamento seja tratado como apenas uma das etapas. A estratégia também considera a continuidade do trabalho, a resposta dos ouvintes e as possibilidades que podem surgir conforme a música ganha vida própria junto ao público.
“Uma música, por exemplo, não começa e termina no dia do lançamento. Penso em como ela pode crescer, como podemos continuar trabalhando depois que ela sai, como o público vai se apropriar dela e o que aquele trabalho acrescenta à minha trajetória”, avalia.
Mari cita “Saudade do Carai”, parceria com Natanzinho Lima e Grelo, como um caso recente em que esse acompanhamento teve peso. Segundo ela, tanto a escolha da faixa quanto as decisões posteriores ao lançamento ajudaram a construir o desempenho da música ao longo dos meses.
“’Saudade do Carai’ é um exemplo muito claro. A escolha da música, o encontro com Natanzinho Lima e Grelo e todo o trabalho que continuamos fazendo depois do lançamento contribuíram para construir um resultado que não aconteceu apenas em um dia.”
Os números colocam a faixa entre os principais resultados recentes da cantora. Segundo ela, a música ultrapassou 100 milhões de streams no Spotify e 50 milhões de visualizações no YouTube, chegou ao Top 11 do Spotify Brasil e ao Top 9 da Deezer, além de ter sido a 28ª música mais consumida do Brasil no primeiro semestre, de acordo com dados da Pro-Música.
Mais do que o pico alcançado, porém, Mari chama atenção para a capacidade da música de continuar circulando. A faixa foi lançada em novembro de 2025 e permanecia relevante em agosto de 2026, um tipo de resultado que a cantora considera importante para medir a força de um trabalho.
“Mas uma coisa que eu valorizo muito nesse resultado é a permanência. Estamos em agosto falando de uma música lançada em novembro do ano passado que continua sendo ouvida e relevante. Para mim, construir uma música que atravessa meses é tão importante quanto alcançar um grande pico”, ela comemora.
Estar à frente também significa saber delegar
Participar de todas as principais decisões não significa assumir pessoalmente cada função. Mari conta que aprendeu a enxergar a montagem da equipe e a divisão de responsabilidades como parte central de uma boa gestão.
“Uma das coisas que aprendi é que estar à frente não significa fazer tudo. Na verdade, acho que uma boa gestão começa justamente por saber montar um time, confiar nas pessoas e entender onde cada profissional pode contribuir mais”, admite.
A estrutura atual inclui sócios e profissionais dedicados a diferentes frentes. A Vybbe segue ligada à gestão comercial e à agenda de shows, enquanto outras equipes cuidam de áreas como marketing, comunicação, financeiro, administrativo e artístico. Dentro desse modelo, as equipes têm espaço para atuar em suas especialidades, mas Mari procura acompanhar os caminhos escolhidos e participar das discussões que podem impactar o projeto como um todo.
“Confio muito nessas pessoas e cada área tem autonomia para trabalhar dentro da sua especialidade. Ao mesmo tempo, gosto de acompanhar tudo. Participo das reuniões, quero entender os caminhos, supervisiono os processos, dou minha opinião e estou presente nas decisões”, ela conta.
Na prática, algumas demandas permanecem totalmente nas mãos dos profissionais responsáveis. A participação da cantora está mais concentrada em compreender os processos e estar próxima das escolhas que interferem diretamente na música, na imagem, no negócio e na direção da carreira.
“Obviamente existem questões técnicas e operacionais que precisam ser delegadas. Eu não preciso executar tudo para participar da construção. Meu papel é estar próxima, entender o que está acontecendo e, principalmente nas decisões que impactam minha música, minha imagem, meu negócio e os caminhos da minha carreira, estar presente”, resume.
Para Mari, o equilíbrio está justamente em preservar a atuação dos especialistas sem afastar a artista das decisões.
Os dados entraram de vez na tomada de decisão
O acompanhamento mais próximo também passa por números. Mari observa indicadores de streaming, redes sociais, desempenho de conteúdos, consumo do catálogo, distribuição geográfica do público e resposta das músicas nos shows.
“Hoje temos uma quantidade de informação que alguns anos atrás o mercado não tinha, então acho um desperdício tomar decisões sem olhar para esses dados”, ela avalia.
Para Mari Fernandez, cada indicador ajuda a responder uma pergunta diferente. Uma música pode apresentar sinais de crescimento nas redes antes que esse movimento apareça nas plataformas de áudio, enquanto outra pode se destacar primeiro em cidades ou regiões específicas.
“Acompanho streaming, redes sociais, desempenho dos conteúdos, comportamento das músicas, cidades e regiões onde estamos crescendo, consumo do catálogo e, principalmente, aquilo que acontece nos shows. E cada indicador responde uma pergunta diferente.”
Esse cruzamento pode levar a equipe a rever prioridades. Um trecho inicialmente secundário, por exemplo, pode se mostrar mais interessante conforme o público começa a utilizá-lo em conteúdos ou a responder melhor a ele.
“Uma música pode estar crescendo nas criações das redes antes de isso aparecer no streaming. Outra pode ter um consumo muito forte em determinadas cidades. Às vezes um conteúdo mostra que existe uma parte da música com potencial que não era necessariamente a nossa aposta inicial”, ela relata.
A partir dessas informações, as estratégias podem ser ajustadas e os esforços direcionados para os pontos que apresentam melhor resposta. “Quando você cruza essas informações, consegue ser muito mais assertivo sobre onde colocar energia e qual próximo passo tomar”, complementa.
Mari também diz evitar uma leitura baseada apenas nos números totais. Crescimento, estabilidade e comportamento ao longo do tempo podem oferecer sinais tão importantes quanto uma posição de destaque alcançada rapidamente. Mesmo com esse acompanhamento, ela não trata as métricas como uma fórmula para escolher repertório ou prever sucessos. A decisão artística continua tendo espaço próprio.
“Mas existe um limite importante: dado não substitui sensibilidade artística. Nem toda escolha precisa nascer de uma planilha. Às vezes você acredita em uma música antes de existir qualquer número mostrando que ela vai funcionar”, sentencia.
Para Mari, a melhor combinação está em utilizar as informações disponíveis sem permitir que elas determinem sozinhas o caminho criativo.
Mais autonomia também significa assumir os erros

Estar presente nas escolhas significa, inevitavelmente, lidar de maneira mais direta com as decisões que não produzem o resultado esperado. Mari reconhece que já revê hoje algumas escolhas feitas ao longo da trajetória.
“Quando você participa mais das decisões, também precisa aprender a assumir quando uma escolha não funciona como imaginava. Nem tudo vai dar certo e acho importante falar sobre isso”, reconhece.
Em vez de tratar esses momentos apenas como derrotas, a cantora diz procurar entender o que levou ao resultado e quais aprendizados podem ser carregados para projetos futuros:
“Eu já tomei decisões que, olhando depois, faria diferente. Faz parte. O que tento fazer é entender por que não funcionou, o que aquele resultado está ensinando e, principalmente, não repetir o mesmo erro.”
Os cinco anos de trajetória entram nesse processo como um período de acúmulo de experiências positivas e negativas que ajudaram a construir a forma como ela toma decisões atualmente. Mari também trata a música como uma atividade que envolve componentes empresariais.
“Música também é negócio. Existe planejamento, investimento, estratégia, público, posicionamento e risco. Só que estamos lidando com algo que não tem uma fórmula exata. Você pode fazer tudo que acredita ser correto e o resultado ainda ser diferente do esperado”, ela alerta.
Essa imprevisibilidade não elimina a necessidade de analisar decisões depois que elas são colocadas em prática:
“Por isso, para mim, erro só vira um problema quando você não aprende com ele.”
Na avaliação da cantora, os resultados de 2026 são fruto desse processo acumulado e não uma garantia de que todas as decisões futuras funcionarão.
“E acho que 2026 tem sido um ano muito positivo nesse sentido. Estamos crescendo em diferentes indicadores, tivemos uma temporada muito forte de shows e músicas construindo resultados importantes. Mas eu não vejo isso como sinal de que agora acertaremos tudo. Vejo como resultado de cinco anos aprendendo, ajustando e entendendo cada vez melhor a carreira que queremos construir”, comemora.
Mari Fernandez defende mais artistas nos espaços de decisão
A experiência acumulada também mudou o conselho que Mari dá a outros artistas interessados em participar mais da própria gestão. Para ela, conhecer a carreira é tão importante quanto contar com pessoas qualificadas ao redor.
“Eu diria para estudarem a própria carreira e não terem medo de participar das decisões. Você não precisa saber executar tudo, mas precisa entender o que está acontecendo ao seu redor.”
Esse conhecimento inclui diferentes aspectos da operação, dos números aos contratos, sem deixar de lado a compreensão da própria identidade artística.
“Conheça seus números, seu público, seu mercado, seus contratos e, principalmente, saiba quem você é como artista. E se cerque de pessoas que saibam mais do que você nas áreas em que são especialistas. Participar não significa deixar de confiar na equipe; pelo contrário, quanto mais você entende o processo, melhores também ficam as conversas e as decisões em conjunto”, ela lembra.
O olhar para os resultados também aparece nesse aprendizado. Mari volta à ideia de permanência para argumentar que uma carreira não pode ser medida apenas pelos maiores picos alcançados. Atualmente, a cantora soma nove músicas acima de 100 milhões de streams, resultado que ela associa mais à consistência do que a um sucesso pontual.
“Sucesso também é conseguir permanecer relevante, continuar conectada com o público e fazer com que as pessoas queiram ouvir sua música de novo e de novo”, ela explica.
Ao falar especificamente com outras mulheres, Mari destaca a importância de ocupar espaços de decisão sem confundir autonomia com a necessidade de fazer tudo sozinha.
“E, principalmente para as mulheres, eu diria: não tenham medo de ocupar os espaços de decisão. Ouçam, estudem, aprendam, montem bons times, deleguem e confiem nas pessoas, mas também confiem na própria visão.”
Para ela, compreender o negócio por trás da música é uma ferramenta para que artistas tenham mais condições de decidir que caminhos querem seguir e com quem desejam construí-los:
“Acho que quanto mais artistas entenderem o negócio que existe por trás da própria arte, mais preparadas estarão para construir carreiras que façam sentido para elas no longo prazo”, conclui.
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