O Circuito Sertanejo chega à etapa de Barretos em 2026 como parte de uma estratégia mais ampla da Globo para transformar grandes festivais em experiências de conteúdo distribuídas entre televisão aberta, canal por assinatura, streaming e plataformas digitais. Em entrevista exclusiva ao Mundo da Música, Joana Thimoteo, diretora de gênero da Globo, explica como o projeto passou a ocupar um espaço próprio na programação musical da empresa e o que a emissora identifica na força atual do sertanejo.
Criado em 2022, o Circuito Sertanejo reúne algumas das principais festas do gênero no país. Neste ano, são seis etapas no total: ExpoLondrina, Ribeirão Rodeo Music, Pedro Leopoldo Rodeio Show, Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, Jaguariúna Rodeo Festival e Caldas Country. Para Joana, a consolidação aconteceu à medida que a iniciativa deixou de funcionar como uma sequência de transmissões isoladas e passou a construir uma jornada reconhecível ao longo do calendário.
A etapa de Barretos exemplifica essa lógica. No sábado (22), a TV Globo transmite o show de Gusttavo Lima após o “Altas Horas”, enquanto Multishow e Globoplay acompanham ao vivo apresentações de Gusttavo e Alok. O evento também se desdobra em conteúdos no gshow, nas redes sociais e nas páginas do “Viver Sertanejo”, com entrevistas, bastidores e registros da cultura ligada à festa.
Música ao vivo ganha espaço em uma estratégia que vai além dos shows
A aposta no Circuito Sertanejo acompanha um movimento maior da Globo em direção aos grandes eventos musicais do país. Segundo Joana, a música ao vivo ocupa um papel particular nessa estratégia por oferecer elementos difíceis de reproduzir em outros formatos, como a reação da plateia, encontros inesperados e a sensação de acompanhar um acontecimento no momento em que ele ocorre. O desafio, de acordo com a executiva, é traduzir essa atmosfera para públicos que não estão fisicamente dentro das arenas.
Essa adaptação também ajuda a explicar por que uma mesma cobertura assume formatos diferentes em cada plataforma. A TV aberta concentra os grandes momentos para uma audiência mais ampla, enquanto o Multishow se aproxima de um público que já acompanha música de maneira recorrente. O Globoplay estende o acesso à transmissão, e os canais digitais exploram bastidores, encontros e conteúdos mais curtos. Em vez de reproduzir o mesmo material em todas as telas, a estratégia procura fazer com que as plataformas se complementem.
A própria configuração dos festivais também mudou. Joana aponta que as fronteiras entre gêneros se tornaram menos rígidas e cita a aproximação do sertanejo com o pop, o piseiro e a música urbana. A presença de artistas como Alok em Barretos ajuda a ilustrar esse cenário. Para a diretora, a cobertura precisa acompanhar tanto essa mistura musical quanto uma relação mais ativa entre fãs e artistas, marcada por comunidades digitais, interesse por bastidores e busca por histórias que extrapolam o palco.
Confira, abaixo, a conversa completa com o Mundo da Música:
Entrevista com Joana Thimoteo, diretora de gênero da Globo

Mundo da Música: O sertanejo ocupa há anos uma posição importante no consumo de música no Brasil. O que a Globo identifica hoje na força do gênero que justifica um projeto dedicado como o Circuito Sertanejo?
Joana Thimoteo: O sertanejo é o gênero mais ouvido no país e tem uma capacidade muito particular de conversar com diferentes públicos e gerações. É um gênero que está presente nas grandes festas, nas plataformas digitais, nas rádios e, principalmente, em experiências ao vivo que mobilizam milhares de pessoas.
Para a Globo, que tem como premissa estar sintonizada com o que a sociedade escuta e vive, o Circuito Sertanejo nasceu como uma resposta estratégica a essa força cultural. É um projeto que nos permite acompanhar a evolução do gênero, a popularidade dos encontros ao vivo e a forma como o sertanejo dialoga de forma fluida com outros ritmos, fortalecendo o nosso compromisso de levar a riqueza da música brasileira para todas as telas.
MM: O Circuito Sertanejo nasceu em 2022. Ao longo desses anos, em que momento vocês perceberam que o projeto havia se consolidado como uma frente importante da programação musical da Globo?
Joana: Desde o início, percebemos uma resposta muito positiva do público, mas a consolidação acontece quando o projeto deixa de ser apenas uma transmissão pontual e passa a construir uma jornada contínua e uma identidade sólida no calendário cultural do país e na nossa grade. O Circuito foi crescendo a cada temporada, acompanhando festas importantes do calendário sertanejo e reunindo grandes artistas. Hoje, chegamos a uma etapa como Barretos entendendo que existe uma expectativa do público em torno dessa cobertura e uma marca já reconhecida dentro da nossa programação musical. Ele reforça o papel da Globo de transformar festivais em grandes eventos de conteúdo e entretenimento multiplataforma, em que a audiência sabe que encontrará a melhor cobertura, seja pela TV aberta, por assinatura ou no streaming.
MM: A Globo tem investido cada vez mais na transmissão e na cobertura de alguns dos maiores festivais e eventos musicais do país. O que a música ao vivo representa hoje dentro da estratégia de entretenimento da empresa?
Joana: A música tem a capacidade única de gerar conexão emocional imediata. E a música ao vivo tem uma força que é muito difícil de reproduzir em outro formato. Existe a energia de estar diante de uma plateia, a imprevisibilidade dos encontros e a sensação de acompanhar algo que está acontecendo naquele momento.
Sabemos que nem todos conseguem estar fisicamente na arena de um festival. Por isso, a nossa missão é justamente encontrar maneiras de traduzir e levar essa experiência para quem está em casa, preservando essa emoção e, ao mesmo tempo, criando uma narrativa que faça sentido para a televisão e para cada uma das plataformas, desdobrando essa vivência em um ecossistema multitela que conecta artistas, público e marcas de maneira orgânica e marcante.

MM: Barretos terá transmissão na TV Globo, Multishow e Globoplay, além da cobertura digital. Como vocês definem o papel de cada plataforma e adaptam a cobertura aos diferentes públicos?
Joana: Cada plataforma nos permite contar essa história de uma maneira diferente. Na TV Globo, temos a oportunidade de levar os grandes momentos de Barretos para um público amplo, inserindo o festival dentro da programação da emissora. No Multishow, conseguimos aprofundar a experiência musical e acompanhar os shows ao vivo de uma maneira mais próxima do público que já tem essa relação com a música. O Globoplay amplia esse acesso e permite que as pessoas acompanhem a transmissão de onde estiverem. E, no digital, temos espaço para explorar bastidores, encontros e conteúdos mais rápidos, criando outras portas de entrada para o festival. No fim, é uma cobertura que se complementa.
MM: Os festivais também funcionam como vitrines para observar movimentos do mercado musical. A partir da experiência da Globo nesses eventos, vocês percebem mudanças no perfil do público, nos artistas que despertam mais interesse ou na relação das pessoas com os gêneros musicais?
Joana: Com certeza. As fronteiras entre os gêneros musicais estão cada vez mais tênues e o público brasileiro é essencialmente eclético. Hoje, observamos uma busca forte por experiências de interseção entre estilos e isso é bem percebido nos festivais, que hoje reúnem artistas de universos diferentes no mesmo palco e encontram um público disposto a ouvir e descobrir novidades. O próprio sertanejo dialoga constantemente com o pop, o piseiro e a música urbana, para citar alguns.
Além disso, vemos o crescimento da relação de colaboração direta entre fãs e artistas, onde o fandom e o engajamento digital moldam a repercussão das apresentações. O público não quer apenas assistir passivamente ao show, ele busca histórias, bastidores, identificação cultural e causas como diversidade e inclusão. Festivais como Barretos são retratos vivos dessas transformações.
MM: Ao transmitir festivais tão diferentes entre si, do Circuito Sertanejo a outros grandes eventos do calendário nacional, quais critérios determinam quais artistas, apresentações e histórias recebem maior espaço na cobertura?
Joana: Não olhamos apenas para os números de streaming. O nosso principal critério é a representatividade e a pluralidade. A Globo fala com todo o Brasil, e o Brasil é um país essencialmente diverso, onde a música representa a força de cada região. Por isso, o nosso olhar não se restringe apenas aos maiores festivais do circuito nacional.
Na hora de definir o espaço de cada apresentação, buscamos um equilíbrio entre a relevância do artista no momento, a força dos ritmos locais e a capacidade daquela história de gerar conexão emocional com o público. Também buscamos aproveitar aquilo que só um evento ao vivo pode oferecer: um encontro inesperado, uma participação especial, um momento espontâneo ou uma história que ajude a traduzir a atmosfera daquele lugar. Nosso objetivo é garantir que toda a diversidade da música brasileira encontre espaço e voz no nosso ecossistema. Hoje a Globo tem um portfólio de eventos musicais amplo e diverso. A música é uma marca na Globo.
MM: Por fim, o que a experiência acumulada com o Circuito Sertanejo ensinou à sua equipe sobre como transformar um festival presencial em uma experiência musical pensada para quem acompanha de casa?
Joana: O principal aprendizado é que transmitir um festival é entregar uma experiência, e não apenas colocar uma câmera no palco. Aprendemos que o evento precisa ser desenhado para o formato multitela desde o início.
Para quem está em casa sentir que faz parte daquela festa, precisamos integrar o show com o entorno: a energia do público, a narrativa dos bastidores, o engajamento nas redes digitais e a linguagem apropriada para cada tela. O Circuito Sertanejo nos ensinou a aprimorar esse equilíbrio entre a grandiosidade do evento presencial e a intimidade da tela, construindo uma jornada fluida, emocionante e memorável para o público.
Serviço | Circuito Sertanejo em Barretos
Evento: 71ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos
Data da transmissão principal: sábado, 22 de agosto de 2026
TV Globo: show de Gusttavo Lima ao vivo, logo após o “Altas Horas”
Multishow e Globoplay: transmissão ao vivo a partir das 23h, com shows de Gusttavo Lima e Alok
Globoplay: sinal aberto também para não assinantes
Apresentação na TV Globo: Kenya Sade e Rafa Kalimann
Apresentação no Multishow e Globoplay: Laura Vicente, Marina Fabris e André Piunti
Especial na TV Globo: domingo, 30 de agosto, após o “Fantástico”, com melhores momentos dos shows de Nattan e Alok
Cobertura digital: gshow, redes sociais do Multishow e Globoplay e páginas do “Viver Sertanejo”, com bastidores, entrevistas e conteúdos do festival
Local: Parque do Peão, Barretos, São Paulo
Onde assistir: TV Globo, Multishow e Globoplay
Leia mais:
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