Deekapz revela bastidores de álbum de remixes com nova geração da eletrônica brasileira

Em “Deekapz FM - Remixes”, a dupla reúne 17 produtores e DJs para transformar as músicas do álbum original sob uma perspectiva de pista.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
Capa do álbum Deekapz FM - Remixes
Capa do álbum Deekapz FM - Remixes (Crédito: Divulgação)

O duo Deekapz transformou o primeiro álbum da carreira em ponto de partida para um novo projeto coletivo. “Deekapz FM – Remixes” reúne 14 faixas e coloca 17 produtores e DJs convidados para reinterpretar o repertório apresentado originalmente pela dupla formada por Matheus Henrique e Paulo Vitor.

O movimento prolonga uma ideia que já existia durante a produção de “Deekapz FM”, lançado em agosto de 2025. O disco original reuniu nomes como Fat Family, Criolo, DJ Marky, Tuyo, Urias, Luccas Carlos e Nill, em uma mistura de referências que passa pelo funk, house, rap, R&B, drum and bass e UK garage.

Agora, o foco muda da participação de intérpretes para a leitura de produtores ligados a diferentes circuitos da música eletrônica brasileira. O resultado passa por nomes como Maffalda, Carola, KENYA20HZ, King Kami, Flying Buff, Klap, Brunoso e Enderhax, entre outros.

De anos de produção a poucos meses de remixes

A diferença entre os dois processos ajuda a entender como “Deekapz FM – Remixes” nasceu. Segundo Matheus Henrique, o álbum original começou a ser desenvolvido anos antes de chegar ao público.

“Diferente do projeto original, que durou entre três, quatro anos pra ser produzido, desde a primeira sessão que a gente fez, a gente começou essa ideia do Deekapz FM Remixes no final do ano passado, em dezembro. E a gente foi concluir acho que quatro a cinco meses depois. Então a gente precisou de metade do ano pra fazer”, contou Matheus ao Mundo da Música.

O formato também coloca a dupla em uma posição diferente dentro do projeto. Matheus Henrique conta que os remixes já faziam parte da visão desde a criação de “Deekapz FM” e que convidar outros produtores para reinterpretar suas próprias faixas representou uma realização para os dois.

“A gente sempre gostou de fazer remix e acho que, quando a gente começou a fazer o álbum Deekapz FM, a gente já começou pensando também na possibilidade de fazer remix no futuro. Então pra gente é uma realização, poder chamar outras pessoas pra poder fazer o remix da nossa música, porque a gente também nunca teve outras oportunidades de fazer remix da nossa faixa. A gente teve um ali na nossa faixa ‘Vice e Versa’, uma das primeiras músicas que a gente chamou outras pessoas pra fazer o remix”, relembra.

Deekapz e a curadoria parte de 12 anos de relações na cena

Deekapz
Deekapz (Crédito: Wilmore Oliveira)

Mais do que reunir produtores em circulação no momento, a seleção do projeto foi construída a partir da própria trajetória da Deekapz. A dupla já tem mais de uma década de atividade e usou relações formadas nesse percurso para decidir quem poderia assumir cada música.

“A gente seguiu uma linha de raciocínio muito parecida com o Deekapz FM original. São 12 anos de caminhada, e aí pensamos em elencar, usar esses nomes de nossos amigos pra somar nesse projeto com a gente. É bem legal poder contar com cada característica de cada um ali, de sonoridade, e tendo em vista essa visão mais club, que é a proposta do Deekapz FM Remixes.”

Essa direção aparece também na diversidade das releituras. O projeto circula por linguagens como house, funk, cumbia, trance, hard techno e UK garage, fazendo com que músicas originalmente pensadas dentro de um álbum colaborativo ganhem novas funções para DJs e pistas.

A estratégia coloca a lógica do remix na espinha dorsal do projeto. Em vez de lançar uma edição estendida com pequenas alterações no disco original, o Deekapz distribuiu o repertório entre produtores com assinaturas próprias. Assim, o álbum funciona também como uma fotografia de parte da geração que hoje circula pelo underground eletrônico brasileiro.

Quem fez “Deekapz FM – Remixes”

A abertura ficou com “Intro”, creditada ao próprio Deekapz e com participação de Jamés Ventura. A partir daí, cada música do álbum original recebe uma nova produção. A versão disponível nas plataformas soma 41 minutos.

A identidade visual do projeto tem assinatura de Arthur Reis. Na música, os créditos dos remixes se distribuem da seguinte forma:

  1. “Intro”: Deekapz e Jamés Ventura
  2. “Dance”, feat. Fat Family: Flying Buff
  3. “Vem Comigo”, feat. Maui: Jacquelone e ANTCONSTANTINO
  4. “Onde Anda o Meu Amor”, feat. Criolo, DJ Marky e Makoto: Crosstalk e Maffalda
  5. “Eu Te Entendo”, feat. Luccas Carlos: DJ Lukinhas e DJ CARLOZS
  6. “Detalha”, feat. Kaike: Carola
  7. “Riscos”, feat. Bibi Caetano: KENYA20HZ e Chediak
  8. “Repare”, feat. Tuyo: Klap
  9. “Manias Disfuncionais”, feat. Gab Ferreira: ELK
  10. “Bafora”, feat. Urias: King Kami
  11. “Nóis É o Trem”, feat. Clara Lima: Brunoso
  12. “Ego”, feat. Nego Bala: Th4ys
  13. “Mundo Novo”, feat. Nill: MKJay
  14. “Party”, feat. Jamés Ventura: Enderhax

Com o segundo capítulo de “Deekapz FM”, a dupla troca o trabalho de construir cada faixa do zero por outro exercício: escolher quem poderia desmontá-las e montá-las novamente. O resultado conecta os anos de relações acumulados pelo Deekapz a uma geração de produtores que encontra no remix um espaço para apresentar sua própria leitura da pista brasileira.

Leia mais: