Deborah Secco, arte digital e bastidores de grandes eventos marcam o SP2B no dia 13

Debates sobre carreira, criação, comunidades e estrutura de grandes eventos colocaram cultura e economia criativa entre os destaques do SP2B.
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Nathália Pandeló
Painel no SP2B fala sobre o potencial do hit
Painel no SP2B fala sobre o potencial do hit (Crédito: Divulgação)

A programação do SP2B nesta quinta-feira (13) levou ao Parque Ibirapuera discussões sobre inteligência artificial, empreendedorismo, saúde, relações humanas e economia criativa, com nomes como Deborah Secco, Nathalia Arcuri, João Silva, Danni Suzuki, Gabriel Massan e Neil Redding.

Para os setores da música, da cultura e do entretenimento, alguns dos encontros no SP2B tocaram em questões que fazem parte da rotina de artistas, produtores, festivais e empresas. A infraestrutura por trás dos grandes eventos, a relação entre audiência e comunidade, os efeitos da tecnologia sobre a autoria e a construção de carreiras mais autônomas estiveram entre os assuntos do dia.

Bastidores dos grandes eventos entram em debate

Lucas Lima fala em painel no SP2B (Crédito: Divulgação)
Lucas Lima fala em painel no SP2B (Crédito: Divulgação)

No painel “A infraestrutura invisível por trás de grandes eventos”, Marcio Carvalho, da Claro Brasil, Marcelo Frazão, da WTorre Entertainment, e Lucas Lima, da Salve, discutiram elementos que normalmente ficam longe dos olhos do público, mas sustentam a experiência de shows, festivais e outros eventos de grande porte.

Conectividade, dados, inteligência operacional e operações comerciais estiveram em destaque na conversa. No mercado de música ao vivo, essas áreas passaram a ter peso cada vez maior diante de eventos que recebem milhares de pessoas e exigem uma operação integrada para acesso, comunicação, pagamentos e circulação do público.

A discussão ajuda a colocar em perspectiva uma mudança no próprio conceito de experiência ao vivo. O palco continua sendo o ponto mais visível, mas boa parte da percepção do público é construída antes e depois da apresentação, a partir de serviços e estruturas que precisam funcionar de maneira coordenada.

Arte digital discute tecnologia, autoria e circulação internacional

A relação entre criação e tecnologia apareceu em “Bye Bye Brazil: Arte e Tecnologia do Brasil para o Mundo”. Os artistas Gabriel Massan e Bernardo Martins (Figa) conversaram sobre inteligência artificial, computação gráfica, autoria e circulação internacional de trabalhos brasileiros.

O painel discutiu questões que também atravessam a música. Afinal, as ferramentas de inteligência artificial e outras tecnologias abrem novas possibilidades criativas, mas também aumentam as discussões sobre autoria, reconhecimento e identidade artística. Ao mesmo tempo, plataformas digitais facilitam a circulação internacional de obras, sem eliminar as dificuldades de construir uma carreira global a partir do Brasil.

As trajetórias de Massan e Figa serviram como ponto de partida para discutir justamente essa relação entre presença internacional e vínculo com a produção cultural brasileira.

Deborah Secco fala no SP2B sobre autonomia e escolhas profissionais

Deborah Secco no SP2B
Deborah Secco no SP2B (Crédito: Divulgação)

No Auditório Ibirapuera, Deborah Secco e João Silva participaram de “Empreender: Talento ou Escolha?”, com mediação de Nathalia Arcuri, fundadora da Me Poupe!. A conversa passou por reinvenção profissional, tomada de risco e construção de novas trajetórias.

Deborah contou que passou anos vivendo abaixo do padrão que poderia bancar para formar uma reserva financeira e conquistar mais liberdade para escolher seus trabalhos. A discussão se aproxima de uma questão comum entre profissionais da economia criativa, que muitas vezes precisam lidar com períodos de renda irregular e decisões de carreira menos previsíveis.

Nathalia resumiu sua visão sobre planejamento financeiro durante o painel: “Rico é quem gasta menos do que ganha.”

Comunidade vai além dos números de seguidores

A relação com o público foi outro tema do SP2B com conexão direta com o mercado musical. No painel “Audiência Não é Comunidade: Criando Conexões Reais”, Karima Ben Abdelmalek, CEO do Happn, e Susan McPherson, CEO da McPherson Strategies, discutiram o que diferencia alcance de vínculo.

Para artistas, selos e festivais, a discussão ganha relevância em um ambiente no qual seguidores, visualizações e reproduções ajudam a medir alcance, mas não necessariamente indicam uma relação duradoura com o público. Construir comunidade envolve frequência de contato, identificação e participação, fatores que podem ter efeito direto sobre consumo de música, venda de ingressos e continuidade de projetos.

Susan também levou o debate para as relações profissionais:

“É muito mais eficaz se conectar de verdade. Networking é diferente quando você começa pensando em como pode ser útil para as outras pessoas.”

A relação entre música e marcas também entrou na programação com “Musicalize Apresenta: BPM – Marcas que Viram Hit”, no palco Belong – Beyond Brands. Julia Ceschin, head global de Brand Experience da Natura e Avon, Rafael Rossatto, sócio-fundador da BTA – Bonus Talent Agency, e Bruno Affonseca, sócio e head de Produção de Experiência e Estratégia da Musicalize, discutiram como a música pode influenciar preferência, conversão e relevância cultural das marcas no Brasil. O painel levou para o SP2B uma discussão diretamente ligada ao mercado musical, ao mostrar como artistas, repertórios e experiências sonoras vêm sendo incorporados às estratégias de branding e de conexão com o público.

SP House inicia preparação para o SXSW 2027

A programação cultural do dia também incluiu um encontro da SP House no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo. O evento marcou o início dos preparativos para a quarta participação consecutiva do projeto no SXSW, em Austin, prevista para 2027.

Organizada pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo em parceria com a InvestSP, a SP House funciona como um espaço dedicado à inovação, aos negócios e à economia criativa durante o festival norte-americano.

O encontro apresentou um balanço da edição de 2026 e abriu as primeiras conversas sobre a próxima participação. Para artistas, produtores e empresas criativas brasileiras, iniciativas desse tipo funcionam como pontos de conexão com mercados internacionais e ajudam a inserir projetos nacionais em redes de negócios e circulação cultural fora do país.

O SP2B segue até 16 de agosto no Parque Ibirapuera. Ao todo, a programação reúne mais de 750 painéis, cerca de mil horas de conteúdo, aproximadamente dois mil palestrantes e mais de 20 palcos espalhados pelos equipamentos do parque.

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