O Gemini, assistente de inteligência artificial do Google, ganhará conexões com Ticketmaster, Pandora e iHeartRadio, colocando música e eventos ao vivo entre as novas frentes de integração da plataforma. As novidades foram anunciadas durante o evento Made by Google, e começam a ser liberadas gradualmente nas semanas seguintes.
Para a indústria da música, o movimento chama atenção porque aproxima descoberta, recomendação e consumo de um ambiente que já reúne mais de 1 bilhão de usuários ativos por mês. O Google anunciou esse marco um dia antes de apresentar a nova rodada de aplicativos conectados.
A mudança também insere o Gemini em uma tendência que começa a redesenhar a jornada do público. Em vez de abrir diferentes aplicativos para procurar um show, comparar ingressos ou encontrar música para ouvir, o usuário passa a poder iniciar parte desse processo por uma conversa com a IA.
Vale contextualizar, no entanto, que o movimento não é exclusivo do Google. O ChatGPT também passou a incorporar aplicativos de terceiros ao ambiente de conversa e, desde abril, conta com uma integração da Ticketmaster. A lógica é semelhante: o usuário pode pesquisar shows e outros eventos a partir de perguntas feitas à IA e seguir para a plataforma de ingressos para concluir a compra. Com empresas do setor presentes em diferentes assistentes, a descoberta de música ao vivo começa a ganhar uma nova camada, na qual os fãs podem encontrar artistas e eventos antes mesmo de acessar diretamente uma bilheteria ou plataforma de streaming.
Ticketmaster leva busca por shows para dentro do Gemini

A integração com a Ticketmaster permite que usuários pesquisem shows, festivais, esportes e outros eventos usando linguagem natural. Nos Estados Unidos, onde a conexão está disponível inicialmente, é possível adicionar a Ticketmaster ao Gemini e fazer perguntas sobre eventos em determinada cidade, datas, preços ou lugares disponíveis.
O Gemini pode apresentar informações sobre os eventos, opções de assentos e valores. Depois que o usuário escolhe uma alternativa, ele é direcionado ao ambiente da Ticketmaster para concluir a compra, com os assentos previamente selecionados. A transação, portanto, não acontece diretamente dentro do assistente do Google.
Para produtores e promotores, há outra mudança relevante nesse fluxo. Segundo a Ticketmaster, eventos elegíveis podem aparecer automaticamente nas pesquisas feitas pelos fãs, sem que os organizadores precisem criar uma implementação específica para o Gemini. Isso transforma o assistente em mais um ponto de descoberta para apresentações cadastradas na plataforma.
Pandora e iHeartRadio colocam o consumo de música na conversa
O pacote anunciado pelo Google também inclui as plataformas Pandora e iHeartRadio. Com as conexões ativadas, os usuários poderão descobrir estações e reproduzir playlists a partir do Gemini. A disponibilidade varia conforme o serviço e o país.
A proposta cria uma ponte entre a recomendação feita por uma IA e o início da escuta. Nesse modelo, uma pergunta sobre determinado estilo, momento ou contexto pode levar diretamente a uma estação ou playlist, reduzindo etapas entre a intenção do usuário e o consumo da música.
Para artistas, gravadoras e distribuidoras, isso adiciona uma nova camada à questão da descoberta digital. O público já encontra repertório por playlists, redes sociais, buscas, vídeos curtos e recomendações algorítmicas. Com assistentes conectados a serviços de música, as conversas com IA passam a disputar espaço nesse caminho.
Assistentes de IA viram nova porta de entrada para a música
O caso da Ticketmaster mostra como esse processo pode avançar do interesse até uma ação comercial. Uma pessoa pode perguntar quais shows acontecem perto dela, estabelecer uma faixa de preço e comparar opções antes de chegar ao site de venda. Para um artista desconhecido daquele usuário, aparecer nessa resposta pode representar um novo ponto de contato.
A presença em assistentes também aumenta a importância da qualidade dos dados disponíveis sobre artistas e eventos. Datas, cidades, locais, preços e informações de catálogo precisam estar consistentes entre plataformas para que sistemas de inteligência artificial consigam apresentar resultados úteis.
O Gemini não concentra essa movimentação sozinho. Serviços de música, venda de ingressos e outras empresas digitais vêm buscando presença em ambientes de IA conversacional, indicando que a próxima disputa pela descoberta pode acontecer antes mesmo de o fã abrir uma plataforma de streaming ou um aplicativo de ingressos.
Com mais de 1 bilhão de usuários mensais, o alcance do Gemini dá escala a esse experimento. Para o mercado musical, o ponto central passa a ser acompanhar até que ponto uma conversa com uma IA poderá influenciar o que o público decide ouvir, qual artista descobre e para qual show compra ingresso.
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