A fraude no streaming ganhou uma nova frente de combate nesta segunda-feira (14). A IFPI, Federação Internacional da Indústria Fonográfica, anunciou a Streaming Integrity Initiative (SII), compromisso do setor que reúne 27 organizações em torno de práticas comuns para prevenir, identificar e combater reproduções artificiais nas plataformas digitais. CLIQUE AQUI para conhecer o site da campanha.
A iniciativa tem como foco principal as distribuidoras de música, vistas como uma das portas de entrada do conteúdo que chega aos serviços digitais. Entre os apoiadores estão Sony Music Group, Universal Music Group, Warner Music Group, The Orchard, Virgin Music Group, ADA, AWAL, CD Baby, FUGA, RouteNote, Merlin, IMPALA e WIN.
Segundo a IFPI, a fraude ocorre quando os agentes manipulam serviços de streaming para gerar receita a partir de reproduções que não correspondem a ouvintes reais. Isso pode envolver o envio de faixas criadas para esse fim e o uso de redes de robôs para gerar execuções artificiais, desviando parte dos valores que compõem os pagamentos aos titulares legítimos.
Cinco práticas para barrar fraudes antes que elas cheguem às plataformas
A Streaming Integrity Initiative estabelece cinco compromissos básicos. O primeiro é verificar quem envia o conteúdo e se essa pessoa ou empresa realmente possui os direitos necessários. A proposta inclui processos de identificação de clientes, conhecidos como KYC, além de checagens voltadas à titularidade das obras.
O segundo compromisso é analisar o material antes da distribuição. Isso inclui checagens de letras e metadados, reconhecimento de áudio, consultas a bancos de dados e mecanismos capazes de identificar um conteúdo criado com inteligência artificial e possíveis violações de voz, nome, imagem ou semelhança de artistas.
As empresas também devem investigar comportamentos suspeitos, agir contra infratores reincidentes, compartilhar informações sobre fraudes quando a legislação permitir e acompanhar continuamente a eficiência de seus sistemas. A lógica é evitar que um agente banido de uma empresa simplesmente passe a operar por outra.
Victoria Oakley, CEO da IFPI, classificou o problema de forma direta:
“A fraude em streaming engana os fãs e priva artistas e compositores legítimos de uma renda que deveria, por direito, chegar até eles. Isso é roubo, pura e simplesmente. Saudamos a liderança demonstrada pelos primeiros distribuidores que apoiaram publicamente a Streaming Integrity Initiative e esperamos que isso leve a uma ação direta, eficaz e coordenada para proteger artistas, compositores e fãs da fraude em streaming”, disse a CEO.

Setor independente também adere à iniciativa
A participação de organizações independentes coloca a discussão para além das grandes gravadoras. Sarah McNabb, diretora de Integridade de Conteúdo da Merlin, disse que combater atividades ilegítimas depende de uma atuação conjunta de diferentes partes do mercado.
“Combater atividades ilegítimas de forma eficaz exige que todas as partes da indústria avancem juntas. Esses compromissos refletem a própria posição da Merlin e estão alinhados de perto com o que a Merlin já exige de seus membros. É encorajador ver tantos de nossos membros já colocando seus nomes neste anúncio, e estamos felizes em estar ao lado da IFPI nesta iniciativa à medida que ela continua a crescer.”
Noemí Planas, CEO da WIN, destacou o caráter internacional do problema:
“Combater a fraude em streaming é uma prioridade compartilhada em todo o setor independente globalmente. A fraude não conhece fronteiras, então nossa resposta também não pode conhecer. As práticas propostas para combater a fraude estão alinhadas às que muitos distribuidores de nossa rede já estão implementando, e esperamos continuar trabalhando juntos para proteger o valor da música genuína para artistas e fãs no mundo todo.”
Já Helen Smith, presidente executiva da IMPALA, relacionou a iniciativa ao plano digital da entidade:
“O Plano de Música Digital da IMPALA, adotado no início deste ano, apresentou nossas recomendações para o crescimento do mercado e identificou a colaboração da indústria em uma nova escala como uma prioridade máxima. Com recomendações para serviços digitais e gravadoras, além de distribuidores, trabalhar juntos em integridade, promoção da arte humana e outros aspectos importantes em toda a cadeia é vital.”
Tecnologia, IA e cooperação entram no centro da discussão

Para Simon Wills, diretor-geral da Absolute Label Services, enfrentar a manipulação artificial exige ferramentas capazes de identificar padrões antes que o problema se espalhe.
“Combater o streaming artificial não pode ser um jogo reativo de ‘bater na toupeira’, exige tecnologia inteligente e voltada para o futuro, combinada com colaboração entre diferentes partes da indústria”, disse.
“Ao integrar detecção profunda de fraude baseada em múltiplos sinais ao nosso sistema operacional de música, Anthology, a Absolute permite que titulares de direitos identifiquem possíveis irregularidades cedo. Apoiamos totalmente a Streaming Integrity Initiative da IFPI e temos orgulho de defender um ecossistema digital mais limpo e justo para todos os artistas e titulares de direitos”, complementou.
Sebastián Mañana, CEO da SonoSuite, também destacou o impacto financeiro:
“A fraude em streaming não custa apenas dinheiro à indústria, ela retira receita dos artistas e compositores que merecem ser pagos por reproduções genuínas feitas por fãs reais. Como parte do ecossistema da música independente e como infraestrutura tecnológica que apoia distribuidores e gravadoras em todo o mundo, a SonoSuite apoia firmemente a Streaming Integrity Initiative. Combater a fraude é uma responsabilidade compartilhada em toda a cadeia de valor, e estamos comprometidos em fazer a nossa parte”, disse Mañana.
A SII se conecta à campanha “End Streaming Fraud”, criada pela IFPI e por empresas do setor. Agora, a entidade pede que mais distribuidoras, plataformas digitais e organizações adotem os cinco compromissos e integrem a resposta coletiva contra fraudes.
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