A Suno fechou uma parceria global com a Believe e a TuneCore que permitirá o uso autorizado de repertórios de artistas e selos participantes nos novos modelos de inteligência artificial da plataforma. O acordo também abre a distribuição pela Believe e TuneCore para músicas produzidas com essa nova geração da tecnologia.
O anúncio, feito na terça-feira (8), marca uma mudança na relação entre as empresas. Em abril, Believe e TuneCore haviam decidido bloquear automaticamente a distribuição de faixas produzidas total ou parcialmente em plataformas de IA generativa que consideravam não licenciadas. A Suno estava entre elas.
A virada coincide com uma nova etapa da Suno. Nesta quarta-feira (9), a empresa lançou o v6, geração de modelos desenvolvida em parceria com a indústria musical e que substitui gradualmente as versões anteriores. Warner Music Group, BMG e Believe aparecem entre as empresas envolvidas no desenvolvimento.
Artistas poderão decidir se querem participar
Pelo acordo, aos rtistas e selos ligados à Believe e à TuneCore poderão escolher se autorizam a participação do seu repertório nos produtos licenciados desenvolvidos pelas empresas. Quem aderir deverá receber remuneração pelo uso da música, segundo o comunicado conjunto. Os detalhes sobre valores ou modelos de pagamento não foram divulgados.
A diferença é relevante em relação aos modelos anteriores da Suno. A parceria abrange especificamente a nova estrutura desenvolvida com empresas da indústria. As versões antigas, alvo das restrições anunciadas pela Believe em abril, estão sendo aposentadas com a chegada do v6.
“Há 20 anos, ajudamos artistas e selos a alcançar todo o seu potencial e, cada vez mais, isso significa trabalhar com novas tecnologias como a inteligência artificial, ao mesmo tempo em que garantimos que a inovação responsável se traduza em mais oportunidades e geração de valor para os artistas”, afirmou Denis Ladegaillerie, fundador e CEO da Believe.
“A parceria que desenvolvemos com a Suno para a Believe e a TuneCore libera ferramentas poderosas para todos os artistas e selos. Agora, ela lhes dá uma escolha real sobre como podem participar, proteger seus direitos e permite que compartilhem o valor criado por tecnologias inovadoras e responsáveis de inteligência artificial”, completou.
A Suno também adotou ferramentas como marcas d’água e identificação por impressão digital de áudio para rastrear músicas produzidas na plataforma. Além disso, desde 3 de setembro, assinantes Pro têm limite de 20 downloads mensais e usuários Premier, de 60. O Suno Studio não segue esse teto. A medida busca dificultar a produção e distribuição em massa de conteúdo para serviços de streaming.
Suno avança nos acordos com a indústria musical

A Believe se soma a uma lista crescente de titulares de direitos que passaram a negociar diretamente com a Suno. Em novembro de 2025, o Warner Music Group encerrou sua disputa judicial com a empresa e anunciou uma parceria. Em agosto deste ano, a BMG assinou um acordo global que cobre repertórios de gravações e edição musical, além de acertar questões relacionadas aos usos anteriores desse catálogo.
A entrada da Believe tem um peso diferente por aproximar o modelo de artistas independentes e de músicos que fazem a própria distribuição pela TuneCore. A própria Suno afirma que mais de 100 milhões de pessoas já criaram músicas na plataforma, o que ajuda a explicar por que as regras de distribuição e licenciamento se tornaram parte essencial da discussão sobre IA generativa no setor.
“Nosso objetivo em comum com a Believe sempre foi apoiar artistas independentes em todas as etapas de suas carreiras. Esta parceria vai aumentar muito as oportunidades para artistas independentes, dando a eles acesso a ferramentas criativas, novos caminhos para distribuir suas músicas por meio da Believe e da TuneCore e mais exposição”, explicou Mikey Shulman, CEO da Suno.
“Nos últimos meses, temos preparado as bases para a próxima geração da Suno, fortalecendo nossas proteções, expandindo nossas parcerias com a indústria e aprendendo com artistas que estão testando nossos próximos modelos musicais. Estamos muito felizes em trabalhar com a Believe em experiências de produto inovadoras que darão aos seus artistas novas formas de ganhar dinheiro e criar conexões ainda mais profundas com seus fãs”, disse Shulman.
O avanço comercial, porém, não encerra as disputas sobre como a tecnologia foi desenvolvida. Universal Music Group e Sony Music Entertainment continuam litigando contra a Suno nos Estados Unidos e acusam a empresa de violação de direitos autorais no treinamento dos modelos anteriores. Em agosto, as gravadoras acrescentaram à ação a alegação de que a plataforma teria contornado mecanismos de proteção para acessar gravações no YouTube.
A empresa também enfrenta processos de entidades de gestão coletiva em outros mercados. A GEMA obteve uma decisão favorável em primeira instância na Alemanha em julho, enquanto a SOCAN entrou com uma ação no Canadá em 2 de setembro. Assim, a Suno chega ao v6 com uma rede maior de parceiros licenciados, mas ainda precisa lidar judicialmente com a origem e o uso de repertórios nos modelos que construíram sua primeira fase.
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