Banda inglesa Muse tem usuário no Instagram alterado após Meta lançar IA homônima

Nova ferramenta da Meta assume o @muse no Instagram, e banda britânica passa a usar @museband; termos da rede permitem mudanças de usuário.
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Nathália Pandeló
Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard, integrantes do Muse
Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard, integrantes do Muse

A banda inglesa Muse teve seu nome de usuário no Instagram alterado de @muse para @museband. O antigo identificador passou a ser usado pela nova ferramenta de inteligência artificial da Meta, também chamada Muse. A troca chamou atenção depois que a empresa apresentou oficialmente o produto na terça-feira (8).

Liderado por Matt Bellamy, o grupo soma mais de 2,7 milhões de seguidores no Instagram e usava havia anos um endereço diretamente ligado ao nome da banda. Até agora, não há confirmação pública sobre como a mudança aconteceu, se houve acordo com a Meta ou se a alteração foi feita pela própria plataforma, sem aviso prévio.

A situação ficou ainda mais curiosa porque algo parecido aconteceu no X. Por lá, a banda passou a usar @musetheband, e @muse também ficou associado à ferramenta de IA. Como a Meta não controla essa rede social, a mudança abre espaço para a hipótese de uma negociação mais ampla, embora nenhum detalhe tenha sido divulgado.

O que é o Muse lançado pela Meta

O Muse é um agente pessoal de inteligência artificial. A ideia vai além de responder perguntas ou gerar textos: a ferramenta foi criada para executar tarefas em nome do usuário, inclusive aquelas que exigem várias etapas.

Segundo a Meta, o Muse pode navegar pela internet, preencher formulários, marcar compromissos, lidar com serviços de atendimento, criar documentos, fazer compras e acompanhar objetivos definidos pelo usuário. Também pode se conectar a aplicativos como e-mail, calendário e Instagram.

O usuário pode pedir algo mais complexo, como organizar uma viagem ou acompanhar o preço de um produto. A ferramenta divide esse pedido em tarefas menores e tenta executá-las. Algumas ações, como enviar mensagens ou concluir uma compra, podem exigir aprovação antes de serem realizadas.

O sistema funciona dentro do chamado Muse Secure VM, um computador virtual próprio com navegador. A Meta diz que os dados de login ficam armazenados separadamente e que o usuário pode consultar o histórico das ações executadas pelo agente. A empresa também afirma que o Muse pode continuar trabalhando depois que o aplicativo é fechado.

Por que a Meta pode alterar um nome de usuário no Instagram

Meta lança a IA Muse
Meta lança a IA Muse (Crédito: Divulgação)

A mudança envolvendo a banda também chama atenção para uma diferença importante entre uma marca e um nome de usuário em uma rede social. Ter um @ há muitos anos não significa que aquele endereço digital pertença de forma permanente ao dono da conta.

Os termos de uso do Instagram reservam à plataforma o direito de alterar um nome de usuário ou identificador quando considerar a mudança apropriada ou necessária. Entre os exemplos citados estão casos que envolvem propriedade intelectual ou perfis que imitam outros usuários.

Isso dá à Meta poder para administrar os identificadores usados dentro do Instagram. Ainda assim, a existência dessa regra não permite afirmar que foi exatamente esse mecanismo que levou o @muse da banda para a nova ferramenta. Até o momento, nem a Meta nem o grupo explicaram publicamente os termos da mudança.

Também não há confirmação de que a banda tenha simplesmente perdido o endereço contra a sua vontade. A Digital Music News observou que o grupo já havia começado a usar @museband meses antes do anúncio oficial do agente, o que também abre a possibilidade de um acordo entre as partes.

A coincidência com as letras do Muse

A história ganhou repercussão entre os fãs por causa dos temas presentes no trabalho do Muse. Ao longo da carreira, a banda abordou várias vezes questões ligadas à tecnologia, ao controle por sistemas digitais e aos riscos de uma sociedade cada vez mais dependente de máquinas.

Um dos exemplos é “Algorithm”, faixa de abertura do álbum “Simulation Theory”, lançado em 2018. Já “Drones”, de 2015, também explorou ideias relacionadas ao uso da tecnologia como ferramenta de controle e opressão. A coincidência entre esse repertório e a troca do @ para uma inteligência artificial rapidamente virou assunto entre os fãs.

A mudança acontece poucos meses depois de o grupo lançar seu décimo álbum de estúdio, “The WOW! Signal”, em junho. Com mais de três décadas de carreira, o Muse agora passa a carregar a palavra “band” em seus identificadores nas duas redes, justamente no momento em que a Meta transforma Muse em um dos nomes de sua nova geração de produtos de inteligência artificial.

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