As siglas fazem parte da rotina de quem lança música, mesmo quando o artista nem percebe. Ao cadastrar uma faixa na distribuidora, registrar uma composição ou conferir informações sobre direitos autorais, nomes como ISRC, ISWC, IPI e UPC começam a aparecer pelo caminho.
À primeira vista, parece que todos esses códigos precisam ser providenciados antes de colocar uma música no ar. Não é bem assim. Cada um serve para uma coisa diferente e, em muitos casos, o próprio sistema de uma distribuidora ou de uma associação gera o número durante o cadastro.
A diferença mais simples é pensar no que cada código identifica. Um aponta para a gravação, outro para a composição, outro para quem tem direitos sobre ela e outro para o lançamento como produto. Saber separar essas funções ajuda principalmente na hora de conferir créditos, localizar cadastros e corrigir informações.
ISRC identifica a gravação

O ISRC, sigla para International Standard Recording Code, é o código ligado ao fonograma, ou seja, à gravação. Se uma mesma composição ganha uma versão de estúdio, uma gravação ao vivo e um remix, cada uma dessas gravações pode ter seu próprio ISRC.
No Brasil, a Pro-Música Brasil atua como agência nacional do sistema ligado à IFPI, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica. Os produtores fonográficos também podem gerar ISRCs por meio de associações de gestão coletiva ou receber o código da própria distribuidora durante o processo de lançamento.
O artista costuma encontrar o número no painel da distribuidora ou no cadastro do fonograma junto à associação. Se algum dado ligado àquela gravação estiver errado, o primeiro passo não é gerar outro ISRC. Caso a gravação continue sendo a mesma, o código deve ser mantido e os metadados corrigidos com quem fez o cadastro.
ISWC identifica a composição

O ISWC, International Standard Musical Work Code, olha para outra parte da música: a obra. Ele identifica a composição, independentemente de quantas gravações existam dela.
É por isso que uma mesma canção pode ter um ISWC e vários ISRCs. A composição continua sendo a mesma, mas cada gravação feita a partir dela pode ganhar uma identificação própria.
O número é gerado a partir do cadastro da obra nas entidades ligadas ao sistema internacional administrado pela Cisac, a Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores. O compositor não precisa inventar nem solicitar um código avulso antes de lançar a música. Ele precisa, sim, manter a obra devidamente cadastrada em sua associação.
Quando há erro em autores, percentuais ou outras informações, a correção deve ser feita junto à associação responsável pelo cadastro. Esse cuidado é importante porque divergências podem dificultar a identificação correta de quem deve receber valores ligados à obra.
IPI identifica compositores e outros titulares

O IPI, de Interested Parties Information, identifica pessoas e empresas ligadas aos direitos de uma obra. Entram aí compositores, autores e editoras, por exemplo.
Ele ajuda a diferenciar titulares mesmo quando existem nomes iguais, nomes artísticos ou variações de grafia. É como um identificador internacional daquela pessoa ou empresa dentro dos sistemas de gestão de direitos.
O IPI também nasce a partir das informações enviadas pelas sociedades de gestão coletiva. Por isso, normalmente pode ser consultado junto à associação à qual o compositor ou titular é filiado.
Se o número estiver incorreto ou faltar no cadastro, pode haver dificuldade para relacionar corretamente a obra ao seu titular. Nesse caso, a associação é novamente o caminho para conferir os dados e pedir a atualização.
UPC identifica o lançamento como produto

O UPC muda completamente de função. Ele não identifica uma composição nem uma faixa isolada. Ele identifica o lançamento como produto.
Um single, EP ou álbum recebe um código próprio. Dentro daquele lançamento, cada gravação continua tendo seu ISRC. É comum, portanto, um álbum ter um UPC e vários ISRCs, um para cada faixa.
No digital, a própria distribuidora costuma gerar o UPC quando o lançamento é criado. O artista normalmente encontra esse número no painel da plataforma, ao lado das demais informações do single, EP ou álbum. O padrão faz parte da família de identificadores comerciais administrada internacionalmente pela GS1.
Preciso ter todos esses códigos antes de lançar?

Não. Apesar de todas essas siglas fazerem parte da cadeia da música, elas não precisam estar necessariamente em mãos antes de um lançamento chegar às plataformas. O ISRC e o código do produto, geralmente um UPC, entram diretamente no processo de distribuição e muitas vezes são gerados pela própria distribuidora.
Já o ISWC e o IPI estão ligados à identificação da composição e de seus titulares. Eles podem aparecer a partir do cadastro da obra e da filiação do compositor a uma associação de gestão coletiva. Isso significa que uma música pode chegar ao streaming antes de toda essa documentação estar refletida nos sistemas de direitos autorais.
O problema é deixar essas informações para depois e nunca voltar a elas. Créditos incompletos, percentuais errados ou cadastros duplicados podem dificultar a identificação de quem deve receber valores pela obra ou pela gravação. Por isso, mesmo quando nem todos os códigos são exigidos para apertar o botão de lançamento, vale conferir se composição, fonograma e titulares estão corretamente cadastrados.
Se algum dado estiver errado, o caminho depende de onde ele nasceu. Informações do lançamento e do fonograma costumam ser corrigidas com a distribuidora ou com a entidade responsável pelo ISRC. Já erros relacionados a autores, titulares, ISWC ou IPI devem ser levados à associação responsável pelo cadastro da obra.
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