A Rádio Eldorado volta ao FM de São Paulo em 7 de outubro, menos de cinco meses depois de interromper suas transmissões na capital paulista. A emissora do Grupo Estado passa a ocupar a frequência 107,9 MHz e inicia uma nova fase com patrocínio da Porto, mudanças na programação e uma presença maior em vídeo e streaming.
O retorno acontece depois de uma mobilização que reuniu mais de 10 mil assinaturas em um abaixo-assinado pela permanência da rádio, além de manifestações de ouvintes, artistas, músicos e jornalistas. A Eldorado havia saído do dial em maio, após o encerramento da parceria que permitia sua operação na frequência 107,3 FM.
A Porto adquiriu os direitos de associação de sua marca à emissora, modelo conhecido como naming rights. Segundo o g1, mesmo com o acordo, a companhia decidiu preservar o nome Eldorado. Para a retomada das transmissões, o Grupo Estado também firmou um acordo de programação com os responsáveis pela frequência 107,9 MHz.
Porto entra na nova fase da Eldorado
A parceria aproxima duas empresas que já mantêm investimentos ligados à cultura em São Paulo. A Porto está por trás do Teatro Porto e patrocina projetos e instituições como o MASP, a Pinacoteca de São Paulo, o Parque Ibirapuera e o Museu Catavento.
“A Eldorado volta porque a cidade não a deixou ir embora. O movimento dos ouvintes revelou uma entidade que vai além do rádio. As ideias e pessoas que circulam nos programas da Eldorado ganham valor num tempo em que boa parte do que ouvimos é escolhida por algoritmos. A parceria com a Porto nasce desse reconhecimento e da convicção de que essa história está longe de acabar”, afirma Erick Brêtas, CEO do Estadão.
“A Eldorado é uma marca que construiu uma relação especial baseada na inteligência, na qualidade, na arte e no cuidado permanente com a sociedade e as pessoas ao longo de sete décadas, algo que se mostra mais fundamental a cada dia. A parceria nasce, antes de tudo, da nossa admiração pela emissora e da convicção de que uma marca com essa identidade e essa relevância merece e precisa continuar presente e olhando para o futuro. Para a Porto, cuidar também significa preservar o que faz bem à sociedade. Apoiar o retorno da Eldorado é celebrar uma rádio que faz parte do patrimônio afetivo paulistano e que há gerações é sinônimo de boa música e informação equilibrada e relevante”, afirma Luiz Arruda, vice-presidente Comercial e de Marketing do Grupo Porto.
A articulação entre Porto e Grupo Estado teve participação da Trip, que mantém uma relação de mais de duas décadas com a rádio por meio do programa “Trip FM”. O fundador e publisher da empresa, Paulo Lima, participou das conversas que levaram ao acordo.
“Depois de mais de duas décadas de uma parceria extremamente positiva com a Eldorado, temos a emissora como uma segunda casa da Trip. Por isso, vê-la saindo do ar foi algo que tocou demais a todos aqui. Imediatamente pensamos em procurar o Estadão para oferecer nossa energia e um pouco dos relacionamentos construídos nesses mais de 40 anos de mercado. Com o aval deles, miramos nossas ‘flechas de cupido’ imediatamente na Porto. Na essência, Porto e Eldorado acreditam e lutam pelos mesmos valores. Ambas trabalham pelo Brasil e nunca aceitaram subestimar o público. Tratam as pessoas com cuidado e entregam tudo de melhor que têm ao seu alcance. Por isso achamos que seria o ‘match’ perfeito. Estamos muito felizes com esse ‘casamento’ entre duas marcas que admiramos há muito tempo”, diz Paulo Lima.
Para o mercado musical, a volta mantém no dial paulistano um espaço historicamente associado à curadoria de repertório. Em uma indústria na qual boa parte da descoberta de músicas passa por playlists, redes sociais e sistemas de recomendação, uma emissora com seleção editorial própria continua funcionando como outra porta de circulação para artistas e lançamentos.
Programação combina nomes conhecidos e novas atrações

A nova grade recupera profissionais e programas associados à história recente da Eldorado. Entre os nomes confirmados estão Roberta Martinelli, com “Som a Pino”; Paula Lima, com “Chocolate Quente”; Baba Vacaro, com “Navega”; Patrícia Ferraz, com “Por Aí”; Marina Person, com “Cinedrops”; Maurício Pereira, com “Música Falada”; e Sarah Oliveira, com “Minha Canção”.
Uma das principais novidades será Juliana Wallauer, cocriadora e apresentadora do podcast “Mamilos”, que terá um programa diário às 19h. O nome da atração ainda não foi divulgado. “Jornal da Eldorado”, “Fim de Tarde” e “Bike Repórter” também estão entre os programas previstos para o retorno.
A escolha mistura formatos tradicionais do rádio com profissionais que construíram audiência em outros meios. É um caminho que ajuda a explicar a estratégia da nova Eldorado: recuperar a relação com quem já acompanhava a emissora sem depender exclusivamente do aparelho de rádio para alcançar esse público.
“A Eldorado que volta ao ar preserva aquilo que sempre foi essencial para a sua identidade: a curadoria, as vozes e o jeito de conversar com os ouvintes. Ao mesmo tempo, amplia seu alcance, com novos programas e uma presença mais forte em vídeo e streaming. É uma Eldorado conectada ao seu tempo, sem abrir mão do que a tornou única”, diz Emanuel Bomfim, diretor artístico da Eldorado.
Eldorado leva parte da programação para vídeo
Os estúdios da emissora na sede do Estadão, no bairro do Limão, foram reformados e receberam câmeras para a produção audiovisual. A previsão é de pelo menos quatro horas diárias de conteúdo em vídeo.
Programas que não são estritamente musicais, como “Jornal da Eldorado”, as entrevistas do “Fim de Tarde” e a nova atração de Juliana Wallauer, serão transmitidos pelo YouTube da rádio e pelas plataformas digitais do Estadão.
A estratégia acompanha uma mudança que já atravessa o mercado de áudio. Rádio, podcasts, transmissões ao vivo e vídeo passaram a disputar a atenção do mesmo público em diferentes telas. Retornar ao FM não significa abandonar o digital. Para a Eldorado, a frequência passa a funcionar como uma das entradas para uma programação distribuída em vários formatos.
Fundada em 1958, a rádio chega à nova fase perto de completar sete décadas. Sua trajetória também deu origem ao Selo Eldorado, ao Prêmio Eldorado de Música e ao Prêmio Visa, iniciativas que tiveram ligação direta com a descoberta e a circulação de artistas brasileiros. Agora, a emissora tenta transformar a mobilização que pediu sua permanência no ar em ponto de partida para outra etapa da marca.
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