A saída de Scooter Braun do conselho da HYBE marca mais um passo no afastamento gradual do executivo das funções formais dentro da gigante sul-coreana. Segundo o Music Business Worldwide, a renúncia foi registrada em documento publicado no sistema regulatório sul-coreano DART, com data efetiva de 30 de março.
A HYBE confirmou ao veículo que Braun continuará ligado à companhia como consultor. A empresa também afirmou que ainda avalia possíveis áreas de colaboração futura com o executivo, citando a relação de confiança construída nos últimos anos. O movimento não representa, portanto, uma ruptura completa, mas muda o peso institucional de Braun dentro da estrutura da empresa.
A ausência de Scooter Braun no conselho aparece no relatório trimestral da HYBE referente ao primeiro trimestre de 2026, protocolado em maio. O documento lista os diretores atuais da companhia até 31 de março, e Braun já não aparece na composição. Outro registro de participação acionária também mostra que ele deixou de ser listado como parte relacionada ao grupo de acionistas do presidente Bang Si-hyuk.
Saída de Scooter Braun fecha uma transição iniciada em 2024
O afastamento de Braun da linha de frente da HYBE não começou agora. Em junho de 2024, ele anunciou sua aposentadoria da gestão artística após 23 anos de atuação no setor, período em que ficou conhecido por trabalhar com nomes como Justin Bieber e Ariana Grande. Naquele momento, Braun disse que passaria a concentrar esforços em sua função na HYBE America.
Em julho de 2025, veio outro passo dessa transição. Braun deixou o cargo de CEO da HYBE America e passou a atuar como consultor executivo, enquanto Isaac Lee reassumiu a liderança da divisão. Na ocasião, ele ainda permaneceu no conselho administrativo da HYBE e como consultor sênior da alta liderança do grupo.
“Fazer parte da HYBE e testemunhar seu crescimento notável foi um dos capítulos mais inspiradores da minha trajetória profissional”, disse Braun em comunicado divulgado à época. “O presidente Bang é um verdadeiro visionário e um gênio musical. O que ele construiu com a HYBE é incomparável. Estou incrivelmente orgulhoso de nossas conquistas coletivas e ansioso para apoiar o presidente Bang e o CEO Jason Jaesang Lee em seu sucesso contínuo enquanto sigo para o próximo passo.”
Agora, menos de um ano depois, Scooter Braun deixa também o conselho. Na prática societária, esse tipo de movimento reduz sua presença nas decisões formais da companhia, mesmo que ele continue próximo em caráter consultivo. A diferença é importante porque conselho, diretoria e consultoria têm pesos distintos. O conselheiro participa de decisões de governança. O consultor atua de forma mais pontual, sem o mesmo papel institucional.
HYBE reorganiza a operação nas Américas

A mudança ocorre em um período de reorganização da HYBE fora da Coreia do Sul. Isaac Lee, ex-executivo da Univision e da Televisa, assumiu em 2025 uma posição mais ampla sobre as operações nas Américas, acumulando a liderança da HYBE America com a presidência da HYBE Latin America.
Esse desenho indica uma tentativa da empresa de consolidar decisões nos Estados Unidos e na América Latina sob uma mesma direção. Para um grupo que nasceu no K-pop, mas quer operar como companhia global de entretenimento, essa estrutura ajuda a aproximar música, mídia, distribuição, catálogo e parcerias regionais.
Em março de 2026, a HYBE também aprovou um aporte de US$ 100 milhões na HYBE America. O valor foi descrito em documento regulatório como uma injeção de capital para apoiar as operações da subsidiária. No mesmo período, Isaac Lee e Kevin Mayer, ex-CEO do TikTok e atual co-CEO da Candle Media, foram nomeados para mandatos de três anos no conselho da HYBE.
Essas movimentações mostram que a empresa não está reduzindo sua ambição internacional. O que muda é a liderança do processo. Braun foi peça central na entrada mais agressiva da HYBE no mercado americano, especialmente depois da venda da Ithaca Holdings para o grupo sul-coreano, em 2021, por US$ 1,05 bilhão.
Compra da Ithaca abriu a fase americana da HYBE
A aquisição da Ithaca Holdings levou para dentro da HYBE ativos como a SB Projects, o Big Machine Label Group e nomes ligados ao universo de Justin Bieber e Ariana Grande. O acordo também colocou Scooter Braun no conselho da empresa e deu à HYBE uma porta de entrada mais direta para o mercado musical dos Estados Unidos.
Sob sua gestão na HYBE America, a divisão comprou a Quality Control, empresa de Atlanta associada ao hip-hop e a artistas como Lil Baby, Lil Yachty, City Girls e os primeiros lançamentos do Migos. O negócio, anunciado em 2023, foi avaliado em cerca de US$ 300 milhões.
Ao mesmo tempo, Scooter Braun chegou à HYBE carregando uma imagem pública marcada por disputas no mercado musical, especialmente pelo caso envolvendo os masters dos seis primeiros álbuns de Taylor Swift. O episódio tornou seu nome conhecido fora dos bastidores da indústria e passou a acompanhar sua trajetória executiva, mesmo depois da venda desses direitos.
Com a saída do conselho, a HYBE preserva a ligação com Braun, mas desloca o executivo para uma função menos exposta. Para a companhia, o movimento coincide com uma fase em que a operação americana passa a ser conduzida por Isaac Lee e por uma estrutura mais voltada à integração entre Estados Unidos, América Latina e estratégia global. Para Braun, a mudança fecha mais um capítulo de uma transição que começou na gestão artística, passou pela liderança executiva e agora chega à governança.
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