A Petrobras vai investir R$ 270 milhões em projetos culturais de todo o Brasil por meio da Seleção Petrobras Cultural 2026, lançada nesta quarta-feira, 1º de julho, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Esta é a maior seleção pública de projetos culturais já realizada pela empresa em sua história.
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Os projetos selecionados serão viabilizados por meio da Lei Rouanet e da Lei do Audiovisual, dois mecanismos federais de incentivo à cultura. Na prática do setor, isso significa que os projetos precisam seguir regras públicas de enquadramento, prestação de contas e aprovação técnica, mas entram na seleção da Petrobras antes da contratação final do patrocínio.
As inscrições são gratuitas e ficam abertas de 1º a 31 de julho de 2026, até as 18h, pelo horário de Brasília. A execução dos projetos deverá começar entre 1º de maio de 2027 e 30 de abril de 2028, conforme o regulamento da seleção.
Como a seleção está organizada
A nova edição da Seleção Petrobras Cultural 2026 está dividida em quatro eixos: Ícones da Cultura Brasileira, Cinema e Cultura Digital, Produção e Circulação, e Festivais e Festas Populares. Dentro deles, há 11 modalidades de patrocínio, o que abre espaço para diferentes formatos de atuação no mercado cultural.
Entre as modalidades estão espaços e instituições artístico-culturais, grupos e coletivos, produção e distribuição de longas-metragens, distribuição de filmes em cinema, projetos de cultura digital, produção de games, circuitos de espetáculos artísticos, circuitos de exposições, incubação e desenvolvimento cultural, festivais, mostras e festas populares.
Para a música, o edital pode ter impacto direto em circuitos de espetáculos, festivais, grupos artísticos, projetos de formação e espaços culturais. Em um mercado no qual boa parte da circulação ainda depende de patrocínio, leis de incentivo e parcerias institucionais, uma seleção desse porte ajuda a movimentar turnês, equipes técnicas, comunicação, acessibilidade e ações presenciais fora dos grandes centros.
Os valores máximos variam conforme a modalidade. Projetos de espaços culturais, grupos e coletivos, circuitos de espetáculos, circuitos de exposições e produção de longas podem solicitar até R$ 4,3 milhões. Festivais e festas populares têm teto de R$ 3,3 milhões. Projetos de cultura digital podem chegar a R$ 1,5 milhão, enquanto a produção de games e distribuição de longas em cinema têm limite de R$ 1 milhão.
Diversidade e economia criativa entram como critérios

A Petrobras informa que diversidade e economia criativa serão dimensões transversais da seleção. Isso quer dizer que todos os projetos precisarão apresentar ações relacionadas a esses dois pontos, não apenas como tema, mas também na estrutura da proposta.
O regulamento prevê distribuição mínima de 15% do valor total da seleção para proponentes de cada região do país: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Também haverá pontuação adicional para propostas de proponentes sediados no Norte, Nordeste, Centro-Oeste ou Espírito Santo, além de projetos com ações presenciais em pelo menos três regiões brasileiras.
Outro ponto importante é a previsão de que ao menos 25% das propostas selecionadas atendam a critérios ligados a grupos com menor representação histórica nas artes. Isso pode ocorrer pelo quadro societário ou diretivo da instituição proponente, ou pela temática principal do projeto.
A exigência conversa com um debate antigo do setor cultural: não basta concentrar investimento em projetos já consolidados nos mesmos territórios. Quando um edital cria travas de distribuição regional e de diversidade, ele tenta reduzir a distância entre quem já acessa patrocínio com frequência e quem ainda encontra barreiras para chegar a recursos desse porte.
O que os proponentes precisam observar
A seleção é voltada a pessoas jurídicas com CNPJ válido, natureza cultural e direito privado. Pessoa física, MEI e empresário individual não podem participar como proponentes. Também é exigido que o CNPJ tenha CNAE compatível com a atividade proposta.
As propostas devem ser objetivas, baseadas em entregas e compatíveis com a modalidade escolhida. Projetos inscritos pela Lei Rouanet deverão ser enquadrados no artigo 18, enquanto os projetos da Lei do Audiovisual deverão utilizar o artigo 1º A.
Há ainda exigências de comunicação. Nos projetos via Lei Rouanet, entre 15% e 20% do aporte da Petrobras deverá ser direcionado a comunicação, divulgação, acessibilidade e comunicação acessível. O regulamento também exige profissional ou assessoria dedicada exclusivamente à comunicação, além de medição de visibilidade em mídia espontânea ao fim do projeto.
Para o mercado cultural, esse ponto muda o jogo porque trata comunicação como parte do projeto, não como um detalhe posterior. Festivais, circuitos e instituições que se estruturarem melhor nesse campo podem ganhar mais alcance, público e documentação de resultado. Em uma seleção desse tamanho, a capacidade de entregar impacto cultural e mostrar esse impacto tende a pesar tanto quanto a programação em si.
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