Aos 80 anos, João Bosco receberá Medalha UBC no Rio de Janeiro

Com 365 obras cadastradas, João Bosco será homenageado em cerimônia com convidados no dia 1º de setembro, na Casa UBC, no Rio.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
João Bosco receberá a Medalha UBC
João Bosco receberá a Medalha UBC (Crédito: Divulgação)

O cantor, compositor e violonista João Bosco receberá a Medalha UBC no dia 1º de setembro, em um evento para convidados na Casa UBC, no Rio de Janeiro. Criada pela União Brasileira de Compositores (UBC), a distinção reconhece autores que contribuíram para a construção do repertório musical brasileiro.

A cerimônia terá direção musical de Julinho Teixeira e contará com um pocket show dedicado às composições do homenageado. Pedro Luís, Badi Assad, Laura de Castro, Juliana Linhares e Joyce Alane estão entre os artistas convidados para interpretar suas canções.

Esta será a quarta edição da Medalha UBC, que passou a ser entregue duas vezes por ano. A homenagem foi concedida a Fausto Nilo, em Fortaleza, em 2024, e a Luiz Caldas, em Salvador, em 2025. Em abril de 2026, Guilherme Arantes recebeu a medalha em São Paulo.

Guilherme Arantes com a Medalha UBC (Foto Rafael Sonho Real / LordBull)
Guilherme Arantes com a Medalha UBC (Foto Rafael Sonho Real / LordBull)

João Bosco divide homenagem com parceiros e intérpretes

Aos 80 anos, João Bosco segue em atividade com um novo álbum nas plataformas digitais e uma turnê. Ao comentar a homenagem, o compositor relacionou a medalha à sua trajetória, às parcerias construídas ao longo de mais de cinco décadas e ao papel dos intérpretes e do público.

“Toda homenagem ao compositor é, antes de tudo, uma homenagem à própria canção. É dela que nasce o encontro entre quem escreve, quem interpreta e quem escuta. Recebo a Medalha UBC com alegria e gratidão, olhando para essa longa caminhada, de mais de trezentas composições, como quem continua aprendendo com a música todos os dias. Divido essa distinção com meus estimados parceiros, principalmente com aquele que já não está aqui, mas que de certa forma esteve sempre ao meu lado, Aldir Blanc, e também com os intérpretes que deram vida às minhas, às nossas canções, e com o público, que é quem completa o sentido de cada uma delas. Seguimos. Ser compositor é um ofício do qual me orgulho”, declara João Bosco.

A parceria com Aldir Blanc ocupa um espaço de destaque nesse repertório. Para Marcelo Castello Branco, diretor executivo da UBC, a obra criada pela dupla registrou diferentes dimensões da vida brasileira.

“João é um patrimônio da música brasileira, como testemunha musical de nossas perplexidades, desventuras e amores. Sua parceria com Aldir Blanc produziu canções eternas que descreveram com sensibilidade o nosso tempo social, político e afetivo, com nossas contradições, pequenezas e altruísmos. Dupla fundamental na construção das infinitas possibilidades da música brasileira. Como instrumentista, um virtuoso, um artesão de um som particular, que alia simplicidade e complexidade com genialidade despretensiosa. A Medalha UBC estará em boas mãos”, resume Castello Branco.

O violão e as canções de João Bosco

De acordo com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), João Bosco tem 365 obras musicais e 749 gravações cadastradas. A composição “O bêbado e a equilibrista”, feita com Aldir Blanc, foi a música do autor mais tocada nos últimos cinco anos e também a mais regravada de seu repertório, com 116 registros.

Elis Regina aparece entre as principais intérpretes de sua obra, com 66 canções gravadas e cadastradas no Ecad. A relação entre composição, interpretação, voz e violão também foi destacada por integrantes da diretoria da UBC.

“João Bosco é daqueles autores que também canta sua obra de maneira magistral. Além de tocar um violão brasileiro personalíssimo, colaborou para construir repertórios muito ricos de intérpretes de gerações diferentes em nosso país”, afirma Fernanda Takai, diretora secretária-geral da UBC.

“João Bosco é sem dúvida um dos nossos maiores compositores de todos os tempos. Um mestre da melodia, do ritmo e uma grande escola do violão brasileiro. Suas canções atravessam gerações e reafirmam a sua obra como um patrimônio vivo da cultura nacional, imune à passagem do tempo. Viva João Bosco!”, completa Celso Fonseca, diretor superintendente da UBC.

Wilson Simoninha, diretor presidente da entidade, também ressaltou as características musicais que identificam o compositor.

“Desde a primeira vez que ouvi João Bosco, fiquei completamente impactado. Suas parcerias, sua voz, seu ritmo e seu violão, um dos melhores do planeta, são únicos na música brasileira. Daqui a cem, duzentos anos, certamente as pessoas continuarão ouvindo e descobrindo esse universo musical tão genial”, comenta Wilson Simoninha.

Álbum reúne artistas de diferentes gerações

Em julho, João Bosco lançou a primeira parte do álbum “Amigos Novos e Antigos – João Bosco 80”, projeto de 17 faixas que celebra seu aniversário e revisita diferentes períodos de sua obra. O repertório passa pelo samba, pelas influências afro-brasileiras, pelo jazz e pela poesia presente nas composições do artista.

O disco reúne participações de Chico Buarque, Caetano Veloso, Zeca Pagodinho, Mart’nália, Anitta, Ivete Sangalo e Hamilton de Holanda. O lançamento e a turnê mantêm o compositor em atividade no mesmo ano em que sua trajetória será reconhecida pela Medalha UBC.

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