A Funarte tem um novo presidente de forma oficial. O gestor cultural e artista de teatro Leonardo Lessa teve a nomeação confirmada no Diário Oficial da União de 16 de abril, depois de já responder interinamente pelo cargo desde 3 de abril, após a saída de Maria Marighella. A mudança acontece num momento em que a fundação entra em uma fase decisiva para transformar em política pública a recém-criada Política Nacional das Artes, instituída pelo Decreto nº 12.916, publicado no fim de março.
Mais do que uma troca de comando, o movimento indica continuidade. Lessa já fazia parte da estrutura central da fundação desde 2023, como diretor-executivo, e antes disso também passou pela direção de Artes Cênicas da própria Funarte, em 2015 e 2016. O histórico mostra que o novo presidente não chega de fora, nem para começar uma gestão do zero. Ele assume depois de participar diretamente do ciclo de reconstrução institucional que marcou os últimos três anos da entidade.
O que muda com a nomeação de Leonardo Lessa

A oficialização de Leonardo Lessa consolida um nome que já vinha operando a máquina da Funarte. Ele é formado em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Minas Gerais, foi assessor parlamentar em políticas culturais, coordenou o Galpão Cine Horto, em Belo Horizonte, e participou do grupo de transição da área da cultura no início do atual governo.
Esse percurso ajuda a explicar o perfil da escolha. Lessa reúne experiência de gestão, trânsito na formulação de políticas culturais e passagem anterior pela própria Funarte. Num órgão que voltou a ganhar protagonismo federal desde 2023, esse tipo de trajetória pesa porque a presidência não envolve só editais e programação. Também passa por articulação federativa, desenho institucional e diálogo com diferentes setores das artes, do teatro à música, da dança ao circo. A própria fundação apresentou a troca como parte de um esforço de continuidade, não de ruptura.
A herança da gestão Maria Marighella

A troca acontece poucos dias depois da saída de Maria Marighella, que deixou a presidência para disputar a eleição de 2026 na Bahia. Durante sua gestão, a Funarte retomou programas de fomento, reorganizou áreas internas e reposicionou a instituição no debate sobre políticas públicas para as artes. Em balanço divulgado pelo governo, a fundação afirma ter investido mais de R$ 200 milhões em mais de 1.200 projetos artísticos desde 2023.
Esse dado ajuda a entender por que a palavra de ordem agora é continuidade. A nova diretoria herda uma instituição mais ativa do que a Funarte que o atual governo encontrou no início do mandato. Ao mesmo tempo, o cenário ficou mais exigente. Depois de uma fase concentrada em reconstrução administrativa e retomada de programas, a cobrança tende a migrar para execução, escala e permanência das políticas. É esse ponto que torna a troca menos protocolar do que parece à primeira vista.
O peso da Política Nacional das Artes nessa transição

O fator mais importante desse contexto é a Política Nacional das Artes. O decreto que a instituiu foi assinado em 30 de março e apresentado pelo governo como um marco para reconhecer as artes como direito e organizar de forma mais estruturada a atuação pública no setor. A expectativa, agora, é ver como esse marco sai do papel e chega aos programas, às redes locais e ao cotidiano de artistas, grupos e espaços culturais.
Ao assumir a presidência, Leonardo Lessa indicou exatamente esse caminho.
“Recebo esta missão da ministra Margareth Menezes com muita honra e profunda gratidão pela confiança depositada no trabalho coletivo que temos desenvolvido ao longo dos últimos três anos. Ao assumir a presidência da Funarte, reafirmo o compromisso com a continuidade da gestão da ex-presidenta Maria Marighella, a quem agradeço por toda parceria e dedicação. Sua gestão foi responsável por grandes avanços, que deram condições institucionais para que a Funarte esteja à altura do desafio de coordenar a implementação da Política Nacional das Artes”, afirmou Lessa.
O novo presidente da Funarte apontou qual deve ser o eixo da próxima etapa:
“A Fundação Nacional de Artes seguirá firme em seu propósito de atuar como instituição estratégica do Estado brasileiro, dedicada à formulação e execução de programas de fomento às artes, em diálogo permanente com os entes federativos e com intensa participação social. Seguiremos trabalhando para que essa conquista se traduza em oportunidades concretas para os agentes artísticos e toda a sociedade brasileira”.
Com a nomeação oficializada, a Funarte entra agora em uma etapa voltada à execução da PNA e à manutenção dos programas de fomento retomados nos últimos anos. Entre os pontos acompanhados pelo setor estão o desenho das próximas ações, a articulação com estados e municípios e a continuidade dos investimentos destinados a artistas, grupos e espaços culturais.
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