O Universal Music Group rejeitou oficialmente a proposta de aquisição apresentada pela Pershing Square Capital, do investidor Bill Ackman. Avaliada em cerca de US$ 64 bilhões, a oferta foi considerada insuficiente pelo conselho da companhia, que afirmou que o negócio não atende aos interesses dos acionistas, artistas, compositores, funcionários e demais partes envolvidas.
O movimento encerra semanas de especulação sobre uma possível mudança estrutural na maior empresa de música do mundo. A proposta havia sido apresentada em abril e previa a combinação da Universal com a Pershing Square SPARC Holdings, incluindo a transferência da principal listagem da empresa da bolsa de Amsterdã para a Bolsa de Nova York.
Segundo a companhia, a decisão foi unânime. Após analisar a proposta com apoio de consultores financeiros e jurídicos, o conselho da Universal concluiu que a oferta “subestima de forma fundamental e material” o valor da empresa e não entregaria uma geração de valor superior no longo prazo.
Por que a Universal rejeitou a proposta
A principal justificativa da Universal foi a avaliação financeira. Embora a proposta representasse um prêmio relevante em relação ao preço das ações no mercado, a empresa entende que seu valor real é maior do que o refletido na oferta de Ackman.
A presidente do conselho, Sherry Lansing, destacou a confiança na atual estratégia da companhia:
“A UMG construiu uma posição incomparável na indústria da música por meio de uma visão clara e de uma execução consistente. O conselho tem total confiança em Sir Lucian [Grainge, CEO do UMG] e sua equipe para entregar crescimento sustentável e continuar gerando valor para todos os envolvidos”, declarou.
Nos bastidores, a proposta também enfrentou resistência de um personagem importante: Cyrille Bolloré. O executivo lidera o Grupo Bolloré, maior acionista individual da Universal, com participação próxima de 28%. Dias antes da decisão oficial, ele já havia afirmado publicamente que o valor oferecido estava abaixo do que considera adequado para a empresa.

Crescimento fortalece posição da companhia
A rejeição acontece em um momento de resultados positivos para a Universal. Desde sua abertura de capital, em 2021, a companhia afirma ter aumentado sua receita em 60% e o EBITDA ajustado em quase 70%.
Em 2025, a empresa alcançou 33% de participação global no mercado de música gravada, o maior índice registrado em 12 anos. Já na área de edição musical, atingiu 24% de participação, o melhor desempenho desde que a consultoria Music & Copyright começou a monitorar o setor, em 2010.
Outro dado usado pela empresa para justificar sua posição é o domínio artístico. Pelo terceiro ano consecutivo, artistas da Universal ocuparam nove das dez primeiras posições do ranking global da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI).
A companhia também destacou iniciativas recentes voltadas ao mercado financeiro, incluindo a ampliação de seu programa de recompra de ações, a venda de metade de sua participação no Spotify e a promessa de divulgar indicadores financeiros mais detalhados aos investidores.
O que estava em jogo

Bill Ackman argumentava que as ações da Universal vinham sendo negociadas abaixo de seu potencial por fatores que não estavam ligados ao desempenho operacional da empresa. Entre eles, a estrutura acionária da companhia, a participação no Spotify e o adiamento da esperada listagem nos Estados Unidos.
Para o investidor, uma estrutura corporativa baseada nos EUA poderia atrair mais fundos institucionais e destravar valor para os acionistas. Mesmo reconhecendo a qualidade da gestão liderada por Sir Lucian Grainge, Ackman defendia mudanças estruturais para acelerar a valorização da empresa no mercado.
A Universal, porém, escolheu seguir seu próprio caminho. Em comunicado, o CEO reafirmou a estratégia focada em talentos, inovação e relacionamento com fãs.
“Continuamos comprometidos em liderar a indústria atraindo os maiores talentos do mundo, aprofundando o engajamento dos fãs globalmente e impulsionando a inovação”, declarou Sir Lucian Grainge.
A decisão sinaliza que a companhia acredita que ainda há espaço para crescer sem abrir mão de sua estrutura atual. Em um momento em que inteligência artificial, superfãs, novas formas de monetização e expansão global estão em destaque nas discussões do mercado musical, a Universal aposta que seu valor futuro será maior do que o preço colocado sobre a mesa por Bill Ackman.
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