Prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere revela plano de R$ 225 milhões para cultura e audiovisual

Prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere revela plano de R$ 225 milhões para cultura e audiovisual
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Nathália Pandeló
Prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere apresenta investimentos em audiovisual e cultura (Crédito: Divulgação)
Prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere apresenta investimentos em audiovisual e cultura (Crédito: Divulgação)

O Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, apresentou, durante o Rio2C, o Plano de Investimentos na Cultura e no Audiovisual Carioca, com previsão de R$ 225 milhões até 2028. O anúncio foi feito no painel “Cultura o Ano Todo”, realizado na Cidade das Artes, e reuniu também o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, o presidente da RioFilme, Leonardo Edde, e o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares.

O plano chega como uma tentativa de organizar, em uma agenda de médio prazo, a relação entre fomento público, produção cultural, audiovisual, memória e territórios. Isso significa que a Prefeitura do Rio busca transformar os investimentos em editais, programas e equipamentos culturais com calendário mais previsível para artistas, produtores, instituições e coletivos.

“Assinamos a liberação de um investimento recorde, que mais uma vez coloca a cidade do Rio numa posição de protagonismo nessa indústria tão importante que é o audiovisual. É um investimento que vai permitir centenas de produções. Essa indústria gera emprego, gera renda e, muito especialmente, faz do Rio de Janeiro um lugar relevante no mundo”, destacou Cavaliere.

Fomento contínuo tenta dar mais previsibilidade ao setor

Um dos principais pontos apresentados por Eduardo Cavaliere foi a criação de uma política de fomento em fluxo contínuo. O modelo prevê editais permanentes, com quatro ciclos de seleção por ano, em vez de chamadas concentradas em momentos isolados. A ideia é dar mais regularidade ao acesso aos recursos e reduzir a espera entre elaboração, inscrição, seleção e execução dos projetos.

Pelo plano, cada ciclo poderá contemplar até oito propostas, com valores de até R$ 50 mil ou R$ 200 mil por iniciativa. O investimento previsto para essa frente é de R$ 4 milhões. Para o setor cultural, esse tipo de mecanismo pode ter impacto direto na gestão dos projetos, porque permite que instituições e produtores trabalhem com prazos mais claros e com uma lógica menos dependente de editais pontuais.

Também foram anunciados editais de pesquisa e residências artísticas, com investimento de R$ 5,5 milhões para 80 propostas. Essa frente atende uma etapa muitas vezes menos visível da cadeia cultural: a criação, a formação, o desenvolvimento de linguagem e a pesquisa. Sem esse tempo de elaboração, muitos projetos chegam ao público já pressionados por orçamento, calendário e entrega imediata.

Territórios, coletivos e memória entram no plano

Eduardo Cavaliere apresenta investimentos da prefeitura no Rio2C
Eduardo Cavaliere apresenta investimentos da prefeitura no Rio2C (Crédito: Divulgação)

O plano apresentado no Rio2C pelo Prefeito Eduardo Cavaliere também reserva recursos para ações locais. Serão 15 propostas selecionadas, com investimento total de R$ 3,75 milhões, voltadas a iniciativas culturais nos territórios da cidade. Esse eixo é importante porque reconhece que a produção cultural do Rio não está concentrada apenas nos grandes equipamentos, festivais ou centros de decisão.

Outro ponto anunciado foi a continuidade do programa de premiação para coletivos culturais, que deve contemplar 55 propostas, com investimento de R$ 2,2 milhões. A iniciativa reconhece ações já realizadas em diferentes regiões, incluindo manifestações populares, urbanas e comunitárias. Em uma realidade em que muitos coletivos atuam com pouca estrutura formal, esse tipo de premiação pode funcionar como uma porta de entrada para políticas públicas mais constantes.

A pauta de acervo e memória também apareceu entre os eixos do plano. Estão previstas ações de catalogação, preservação e valorização de acervos cariocas, além do mapeamento e da premiação de mestres da cultura popular. O objetivo é reconhecer agentes que transmitem saberes, práticas e tradições ligados à identidade cultural da cidade.

Audiovisual aparece como motor de economia criativa

Na frente do audiovisual, o anúncio de Eduardo Cavaliere reforça a estratégia de posicionar o Rio como polo de produção. A presença da RioFilme no painel sinaliza que o setor segue tratado como uma área de impacto econômico, capaz de gerar trabalho para profissionais técnicos, artistas, produtores, roteiristas, diretores, equipes de set, fornecedores e prestadores de serviço.

Lucas Padilha afirmou que o plano também parte de um balanço das políticas implementadas desde 2021 e de uma visão de cultura como estratégia de desenvolvimento. Segundo o secretário, o investimento não se limita aos equipamentos próprios da cidade, mas alcança instituições espalhadas por diferentes regiões.

“Apresentamos um balanço do que aconteceu, um compromisso com o presente e um olhar para o futuro, mostrando que desde 2021 a Prefeitura do Rio encara a cultura como estratégia de desenvolvimento, de cidadania, de soberania”, disse Padilha.

A reação institucional também chegou pelo setor musical. Em nota, a Ordem dos Músicos do Brasil do Estado do Rio de Janeiro afirmou que recebe o anúncio com expectativa e respeito, destacando a importância de músicos, artistas independentes, produtores culturais e trabalhadores do audiovisual serem protagonistas desse processo. Para a entidade, o investimento em políticas públicas e editais reconhece o papel da arte, da música e do audiovisual na economia criativa carioca.

O impacto para a música depende de como os editais serão desenhados e de quanto espaço haverá para projetos que envolvam criação, circulação, formação, registro audiovisual, preservação de acervos e trabalho técnico. Para músicos e profissionais do setor, a previsibilidade de chamadas públicas pode ajudar a tirar projetos do improviso, organizar calendários de lançamento, viabilizar apresentações e criar novas oportunidades de renda em uma cadeia que vai muito além do palco.

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