Mulheres ocupam 29,7% dos contratos de representação na indústria da música, aponta índice de paridade de gênero

Índice de paridade de gênero aponta que mulheres são 29,7% dos criadores representados e cerca de 35% dos novos contratos na música.
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Nathália Pandeló
Índice de Paridade de Gênero na Música, segundo o ROSTR
Índice de Paridade de Gênero na Música, segundo o ROSTR (Crédito: Reprodução)

As mulheres representam 29,7% dos criadores com contratos profissionais na indústria da música, segundo o novo Índice de Paridade de Gênero. O levantamento foi produzido pela ROSTR para a organização She Is The Music e considera artistas ligados a gravadoras, editoras, agências e empresas de gestão de carreira.

O resultado mostra uma proporção próxima de três mulheres para cada dez autores representados. A distância em relação à paridade também aparece entre os profissionais que tomam decisões sobre carreiras: mulheres são 26,7% dos empresários e 25,9% dos agentes registrados na base.

O relatório propõe que o mercado adote 50% de mulheres como referência voluntária até 2030, quando a composição e a rotatividade dos elencos permitirem. O objetivo não é determinar contratações individuais, mas criar uma medida comum para acompanhar a distribuição de oportunidades.

Novos contratos ainda não apontam avanço

Os contratos firmados nos últimos anos têm uma divisão menos desigual do que os elencos já existentes. Ainda assim, os dados indicam uma estabilidade: as mulheres foram 35,2% dos novos acordos em 2023, 34% em 2024, 35,2% em 2025 e 35,2% entre janeiro e o período analisado de 2026.

A gestão de carreiras apresentou uma participação feminina próxima de 39% nos novos contratos. Entre as gravadoras, o percentual caiu de 38,4% em 2023 para 34,3% em 2026. A edição musical registrou a menor proporção entre as quatro áreas pesquisadas, com 27,8%. Como esse índice está abaixo da participação feminina nos elencos atuais do setor, a continuidade desse padrão pode tornar a distribuição ainda mais desigual.

O estudo diferencia o conjunto de contratos ativos, construído ao longo de vários anos, do fluxo de novos acordos. Para que a proporção geral se aproxime de 50%, não basta que as novas contratações sejam um pouco mais equilibradas. A participação feminina entre os novos negócios teria de crescer e se manter acima do índice encontrado nos elencos atuais.

63 elencos já atingiram a paridade de gênero

edital Mulher artista negra

Apesar do cenário geral, 63 empresas e profissionais analisados possuem elencos formados por pelo menos 50% de mulheres. O relatório reuniu esses participantes no chamado “Clube dos 50%”, que inclui diferentes tamanhos de operação e áreas do mercado.

Entre as agências com mais de 100 criadores, três já ultrapassaram essa marca. A ROAM e a Ground Control Touring apresentam os elencos mais equilibrados no comparativo de grandes operações. Entre as maiores agências, a CAA lidera em participação feminina e reúne cinco dos dez agentes com as maiores proporções de mulheres em seus elencos.

O desequilíbrio é maior na música gravada: apenas uma gravadora que cumpriu os critérios do levantamento alcançou uma composição paritária. Na edição musical, a Concord lidera o comparativo geral, e a Universal Music Publishing Group aparece com o maior percentual feminino entre as três grandes editoras.

Levantamento não representa toda a força de trabalho

O índice analisa criadores contratados ou representados que podem gerar propriedade intelectual, como gravações e composições. Músicos de estúdio, engenheiros de som, profissionais de turnê e funcionários de empresas ficam de fora, a menos que também façam parte de um elenco considerado pelo estudo.

A base reúne 39.214 criadores únicos nas quatro categorias, dos quais 2.579 aparecem simultaneamente em gravadoras, editoras, agências e empresas de gestão. Bandas e duos foram excluídos das porcentagens de gênero, pois a ROSTR registra essa informação no nível individual. A classificação estava disponível para 99,3% dos artistas individuais.

Os autores também alertam que a cobertura é maior na América do Norte, no Reino Unido e na Europa. Portanto, os resultados descrevem a base da ROSTR, e não todo o mercado mundial. Mesmo com essa limitação, a proximidade dos percentuais entre diferentes áreas aponta um padrão: os setores com mais recursos e poder de investimento continuam distantes de uma divisão equilibrada.

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