Joana Thimoteo, diretora de gênero da Globo, fala sobre consolidação do Circuito Sertanejo e transmissão de Barretos 2026

Diretora de gênero da Globo detalha, em entrevista, como o Circuito Sertanejo se tornou uma frente da programação musical multiplataforma.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
Joana Thimoteo, diretora de gênero da Globo
Joana Thimoteo, diretora de gênero da Globo (Crédito: Divulgação)

O Circuito Sertanejo chega à etapa de Barretos em 2026 como parte de uma estratégia mais ampla da Globo para transformar grandes festivais em experiências de conteúdo distribuídas entre televisão aberta, canal por assinatura, streaming e plataformas digitais. Em entrevista exclusiva ao Mundo da Música, Joana Thimoteo, diretora de gênero da Globo, explica como o projeto passou a ocupar um espaço próprio na programação musical da empresa e o que a emissora identifica na força atual do sertanejo.

Criado em 2022, o Circuito Sertanejo reúne algumas das principais festas do gênero no país. Neste ano, são seis etapas no total: ExpoLondrina, Ribeirão Rodeo Music, Pedro Leopoldo Rodeio Show, Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, Jaguariúna Rodeo Festival e Caldas Country. Para Joana, a consolidação aconteceu à medida que a iniciativa deixou de funcionar como uma sequência de transmissões isoladas e passou a construir uma jornada reconhecível ao longo do calendário.

A etapa de Barretos exemplifica essa lógica. No sábado (22), a TV Globo transmite o show de Gusttavo Lima após o “Altas Horas”, enquanto Multishow e Globoplay acompanham ao vivo apresentações de Gusttavo e Alok. O evento também se desdobra em conteúdos no gshow, nas redes sociais e nas páginas do “Viver Sertanejo”, com entrevistas, bastidores e registros da cultura ligada à festa.

Música ao vivo ganha espaço em uma estratégia que vai além dos shows

A aposta no Circuito Sertanejo acompanha um movimento maior da Globo em direção aos grandes eventos musicais do país. Segundo Joana, a música ao vivo ocupa um papel particular nessa estratégia por oferecer elementos difíceis de reproduzir em outros formatos, como a reação da plateia, encontros inesperados e a sensação de acompanhar um acontecimento no momento em que ele ocorre. O desafio, de acordo com a executiva, é traduzir essa atmosfera para públicos que não estão fisicamente dentro das arenas.

Essa adaptação também ajuda a explicar por que uma mesma cobertura assume formatos diferentes em cada plataforma. A TV aberta concentra os grandes momentos para uma audiência mais ampla, enquanto o Multishow se aproxima de um público que já acompanha música de maneira recorrente. O Globoplay estende o acesso à transmissão, e os canais digitais exploram bastidores, encontros e conteúdos mais curtos. Em vez de reproduzir o mesmo material em todas as telas, a estratégia procura fazer com que as plataformas se complementem.

A própria configuração dos festivais também mudou. Joana aponta que as fronteiras entre gêneros se tornaram menos rígidas e cita a aproximação do sertanejo com o pop, o piseiro e a música urbana. A presença de artistas como Alok em Barretos ajuda a ilustrar esse cenário. Para a diretora, a cobertura precisa acompanhar tanto essa mistura musical quanto uma relação mais ativa entre fãs e artistas, marcada por comunidades digitais, interesse por bastidores e busca por histórias que extrapolam o palco.

Confira, abaixo, a conversa completa com o Mundo da Música:

Entrevista com Joana Thimoteo, diretora de gênero da Globo

Pedro Leopoldo Rodeio Show (Crédito: Phillipe Guimarães)
Pedro Leopoldo Rodeio Show (Crédito: Phillipe Guimarães)

Mundo da Música: O sertanejo ocupa há anos uma posição importante no consumo de música no Brasil. O que a Globo identifica hoje na força do gênero que justifica um projeto dedicado como o Circuito Sertanejo?

Joana Thimoteo: O sertanejo é o gênero mais ouvido no país e tem uma capacidade muito particular de conversar com diferentes públicos e gerações. É um gênero que está presente nas grandes festas, nas plataformas digitais, nas rádios e, principalmente, em experiências ao vivo que mobilizam milhares de pessoas.

Para a Globo, que tem como premissa estar sintonizada com o que a sociedade escuta e vive, o Circuito Sertanejo nasceu como uma resposta estratégica a essa força cultural. É um projeto que nos permite acompanhar a evolução do gênero, a popularidade dos encontros ao vivo e a forma como o sertanejo dialoga de forma fluida com outros ritmos, fortalecendo o nosso compromisso de levar a riqueza da música brasileira para todas as telas.

MM: O Circuito Sertanejo nasceu em 2022. Ao longo desses anos, em que momento vocês perceberam que o projeto havia se consolidado como uma frente importante da programação musical da Globo?

Joana: Desde o início, percebemos uma resposta muito positiva do público, mas a consolidação acontece quando o projeto deixa de ser apenas uma transmissão pontual e passa a construir uma jornada contínua e uma identidade sólida no calendário cultural do país e na nossa grade. O Circuito foi crescendo a cada temporada, acompanhando festas importantes do calendário sertanejo e reunindo grandes artistas. Hoje, chegamos a uma etapa como Barretos entendendo que existe uma expectativa do público em torno dessa cobertura e uma marca já reconhecida dentro da nossa programação musical. Ele reforça o papel da Globo de transformar festivais em grandes eventos de conteúdo e entretenimento multiplataforma, em que a audiência sabe que encontrará a melhor cobertura, seja pela TV aberta, por assinatura ou no streaming.

MM: A Globo tem investido cada vez mais na transmissão e na cobertura de alguns dos maiores festivais e eventos musicais do país. O que a música ao vivo representa hoje dentro da estratégia de entretenimento da empresa?

Joana: A música tem a capacidade única de gerar conexão emocional imediata. E a música ao vivo tem uma força que é muito difícil de reproduzir em outro formato. Existe a energia de estar diante de uma plateia, a imprevisibilidade dos encontros e a sensação de acompanhar algo que está acontecendo naquele momento.

Sabemos que nem todos conseguem estar fisicamente na arena de um festival. Por isso, a nossa missão é justamente encontrar maneiras de traduzir e levar essa experiência para quem está em casa, preservando essa emoção e, ao mesmo tempo, criando uma narrativa que faça sentido para a televisão e para cada uma das plataformas, desdobrando essa vivência em um ecossistema multitela que conecta artistas, público e marcas de maneira orgânica e marcante.

Festa do Peão de Barretos
Festa do Peão de Barretos

MM: Barretos terá transmissão na TV Globo, Multishow e Globoplay, além da cobertura digital. Como vocês definem o papel de cada plataforma e adaptam a cobertura aos diferentes públicos?

Joana: Cada plataforma nos permite contar essa história de uma maneira diferente. Na TV Globo, temos a oportunidade de levar os grandes momentos de Barretos para um público amplo, inserindo o festival dentro da programação da emissora. No Multishow, conseguimos aprofundar a experiência musical e acompanhar os shows ao vivo de uma maneira mais próxima do público que já tem essa relação com a música. O Globoplay amplia esse acesso e permite que as pessoas acompanhem a transmissão de onde estiverem. E, no digital, temos espaço para explorar bastidores, encontros e conteúdos mais rápidos, criando outras portas de entrada para o festival. No fim, é uma cobertura que se complementa.

MM: Os festivais também funcionam como vitrines para observar movimentos do mercado musical. A partir da experiência da Globo nesses eventos, vocês percebem mudanças no perfil do público, nos artistas que despertam mais interesse ou na relação das pessoas com os gêneros musicais?

Joana: Com certeza. As fronteiras entre os gêneros musicais estão cada vez mais tênues e o público brasileiro é essencialmente eclético. Hoje, observamos uma busca forte por experiências de interseção entre estilos e isso é bem percebido nos festivais, que hoje reúnem artistas de universos diferentes no mesmo palco e encontram um público disposto a ouvir e descobrir novidades. O próprio sertanejo dialoga constantemente com o pop, o piseiro e a música urbana, para citar alguns.

Além disso, vemos o crescimento da relação de colaboração direta entre fãs e artistas, onde o fandom e o engajamento digital moldam a repercussão das apresentações. O público não quer apenas assistir passivamente ao show, ele busca histórias, bastidores, identificação cultural e causas como diversidade e inclusão. Festivais como Barretos são retratos vivos dessas transformações.

MM: Ao transmitir festivais tão diferentes entre si, do Circuito Sertanejo a outros grandes eventos do calendário nacional, quais critérios determinam quais artistas, apresentações e histórias recebem maior espaço na cobertura?

Joana: Não olhamos apenas para os números de streaming. O nosso principal critério é a representatividade e a pluralidade. A Globo fala com todo o Brasil, e o Brasil é um país essencialmente diverso, onde a música representa a força de cada região. Por isso, o nosso olhar não se restringe apenas aos maiores festivais do circuito nacional.

Na hora de definir o espaço de cada apresentação, buscamos um equilíbrio entre a relevância do artista no momento, a força dos ritmos locais e a capacidade daquela história de gerar conexão emocional com o público.  Também buscamos aproveitar aquilo que só um evento ao vivo pode oferecer: um encontro inesperado, uma participação especial, um momento espontâneo ou uma história que ajude a traduzir a atmosfera daquele lugar. Nosso objetivo é garantir que toda a diversidade da música brasileira encontre espaço e voz no nosso ecossistema. Hoje a Globo tem um portfólio de eventos musicais amplo e diverso. A música é uma marca na Globo.

MM: Por fim, o que a experiência acumulada com o Circuito Sertanejo ensinou à sua equipe sobre como transformar um festival presencial em uma experiência musical pensada para quem acompanha de casa?

Joana: O principal aprendizado é que transmitir um festival é entregar uma experiência, e não apenas colocar uma câmera no palco. Aprendemos que o evento precisa ser desenhado para o formato multitela desde o início.

Para quem está em casa sentir que faz parte daquela festa, precisamos integrar o show com o entorno: a energia do público, a narrativa dos bastidores, o engajamento nas redes digitais e a linguagem apropriada para cada tela. O Circuito Sertanejo nos ensinou a aprimorar esse equilíbrio entre a grandiosidade do evento presencial e a intimidade da tela, construindo uma jornada fluida, emocionante e memorável para o público. 

Serviço | Circuito Sertanejo em Barretos

Evento: 71ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos
Data da transmissão principal: sábado, 22 de agosto de 2026
TV Globo: show de Gusttavo Lima ao vivo, logo após o “Altas Horas”
Multishow e Globoplay: transmissão ao vivo a partir das 23h, com shows de Gusttavo Lima e Alok
Globoplay: sinal aberto também para não assinantes
Apresentação na TV Globo: Kenya Sade e Rafa Kalimann
Apresentação no Multishow e Globoplay: Laura Vicente, Marina Fabris e André Piunti
Especial na TV Globo: domingo, 30 de agosto, após o “Fantástico”, com melhores momentos dos shows de Nattan e Alok
Cobertura digital: gshow, redes sociais do Multishow e Globoplay e páginas do “Viver Sertanejo”, com bastidores, entrevistas e conteúdos do festival
Local: Parque do Peão, Barretos, São Paulo
Onde assistir: TV Globo, Multishow e Globoplay

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