A Som Livre apresenta, a partir de hoje (02), o slap sessions como seu novo movimento criativo em 2026. A iniciativa nasce dentro do Slap, selo criado em 2007 com a proposta de revelar novos artistas e que, ao longo dos anos, lançou nomes como Tiago Iorc e Silva. Agora, o projeto aposta em gravações acústicas para reposicionar o selo como um espaço permanente de criação e conteúdo.
Gravado no estúdio da própria Som Livre, o slap sessions propõe encontros em voz e violão, com foco na interpretação. A ideia é simples: revisitar canções já conhecidas do público e também apresentar versões de músicas que fazem parte da formação cultural de cada artista. O resultado é um registro mais cru, centrado na força da composição e na identidade de quem está diante do microfone.
Formato acústico como estratégia de posicionamento
O slap sessions foi pensado como um ambiente de experimentação. Em vez de grandes produções ou arranjos complexos, o projeto coloca o artista em evidência, explorando nuances de interpretação que muitas vezes passam despercebidas nas versões originais.
Segundo Alan Lopes, gerente de A&R da Som Livre, o critério principal para participar da série não está ligado a gênero musical.
“Para este projeto, buscamos artistas com autenticidade, é um jeito novo e íntimo de se ter acesso às canções já conhecidas e por ser tão cru e verdadeiro precisamos que os artistas imprimam isso.”
A escolha por não restringir a curadoria a um estilo específico dialoga com o momento do mercado. Em um cenário de consumo fragmentado e playlists segmentadas, a aposta está na personalidade do intérprete, e não na etiqueta de gênero. O acústico funciona, então, como um filtro natural: sem grandes produções, a música precisa se sustentar na interpretação.

Outro ponto que chama atenção é o fato de o slap sessions não se limitar ao casting do selo.
“Enxergamos o Slap como um movimento artístico, algo que se desdobra em comportamento para além do selo. Então precisamos desse terreno de compartilhamento entre todos os artistas do grupo Sony que possuir sinergia com o projeto, e também com artistas independentes, por que não?!”
A abertura para artistas de fora soma ao posicionamento do Slap como plataforma criativa, e não apenas como um braço de lançamentos. Ao expandir o leque de participantes, o projeto ganha fôlego e se conecta com diferentes cenas.
Melly inaugura a série com EP de cinco faixas
A primeira edição do slap sessions é protagonizada pela cantora e compositora Melly, que estreia o projeto com um EP de cinco faixas: “Eternamente”, imortalizada por Gal Costa, além de “Despacha”, “Azul”, “Cacau” e “Gaveta (Onironauta)”.
A releitura de “Eternamente” aparece como um dos momentos centrais do registro. Na nova versão, a faixa ganha contornos ainda mais intimistas, destacando a potência vocal de Melly e sua leitura pessoal da obra. Ao percorrer diferentes momentos do repertório da artista, o EP funciona também como um retrato de sua trajetória.
O slap sessions terá continuidade ao longo de 2026, com novas gravações previstas para o primeiro semestre. Embora a Som Livre ainda não divulgue os próximos nomes, a estratégia já está clara: criar múltiplos pontos de contato entre obra e público.
Para Alan Lopes, o investimento em audiovisual e conteúdo digital responde a uma lógica objetiva de mercado.
“Nos tempos de hoje, é um fato que uma canção tem a chance de se tornar mais conhecida a partir da quantidade de pontos de contato que ela tem com a audiência. Ou seja, quanto mais versões daquela faixa tiver disponível para o público, mais chances teremos daquela obra ser compreendida e absorvida através de diferentes visões e contextos. Esse projeto se torna estratégico a partir do momento em que damos mais uma oportunidade do público se identificar com uma grande obra, seja ela recente ou não, conhecida ou não.”
Ao transformar o estúdio em palco e a releitura em protagonista, a Som Livre sinaliza que o slap sessions não é apenas mais um conteúdo acústico, mas parte de uma estratégia maior de posicionamento e circulação de repertório em um mercado cada vez mais orientado por presença constante e conexão direta.
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