O Google anunciou a compra da ProducerAI, plataforma de criação musical por inteligência artificial que nasceu como “Riffusion”, e incorporou a startup ao Google Labs e ao Google DeepMind. A movimentação posiciona o Google de forma ainda mais estratégica na disputa por ferramentas de IA musical, um mercado que combina aportes milionários, acordos com gravadoras e debates sobre direitos autorais.
A aquisição acontece apenas uma semana após o lançamento do Lyria 3 no aplicativo Gemini. Descrito pela empresa como seu modelo mais avançado de geração musical até agora, o Lyria 3 permite criar faixas a partir de comandos de texto ou imagem.
Agora, ele passa a ser o motor por trás da ProducerAI, que também integra o Gemini na interface conversacional, o modelo Nano Banana para capas de álbuns e o Veo para vídeos musicais gerados por IA. Todos os conteúdos recebem a marca d’água SynthID, tecnologia do Google para identificar material criado por inteligência artificial.
O que muda com a ProducerAI dentro do Google

Fundada por Seth Forsgren e Hayk Martiros, a ProducerAI começou como um projeto aberto que viralizou no fim de 2022. Em outubro de 2023, a empresa levantou US$ 4 milhões em rodada seed liderada pela Greycroft, com participação da South Park Commons e da Sky9. A dupla The Chainsmokers entrou como conselheira. Em julho de 2025, a plataforma foi relançada já com o nome atual, utilizando inicialmente um modelo próprio.
Segundo Elias Roman, diretor sênior de produto do Google Labs, o diferencial da ProducerAI está no formato conversacional da ferramenta.
“Não é uma ferramenta em que você coloca um comando, gira uma roleta e algo simplesmente sai. A realidade é que não é assim que boa música é feita… e a ProducerAI foi realmente criada para as trocas que acontecem ao longo do tempo.”
A proposta é permitir que o usuário ajuste elementos musicais em etapas, refinando arranjos, timbres, letras e estrutura em um processo contínuo. Em vez de entregar um resultado fechado em segundos, a plataforma tenta simular a dinâmica de um estúdio, em que a criação passa por revisões e decisões sucessivas.
Forsgren afirmou ao The Verge:
“Estamos apenas começando a arranhar a superfície do que esses modelos serão capazes de fazer quando aproveitarmos tudo o que o Google traz para a mesa.”
Com o suporte técnico e a infraestrutura do Google, a tendência é que a ferramenta ganhe escala global mais rapidamente, integrando-se a um ecossistema que inclui YouTube e outras soluções baseadas em IA.
Corrida bilionária no mercado de IA musical

A chegada da ProducerAI ao portfólio do Google ocorre em um momento de forte expansão no setor. A Suno, uma das plataformas mais conhecidas de geração musical por IA, levantou US$ 250 milhões em rodada Series C e alcançou valuation de US$ 2,45 bilhões, com receita anual reportada de US$ 200 milhões.
O mercado tem sido marcado por negociações e disputas envolvendo grandes gravadoras, como Warner Music Group, Sony Music e Universal Music Group, além de entidades europeias de gestão coletiva. Parte dessas empresas já firmou acordos de licenciamento com plataformas de IA, enquanto outras ainda discutem judicialmente o uso de seus catálogos no treinamento de modelos.
O Google não detalhou publicamente quais obras foram utilizadas no treinamento do Lyria 3, mas afirmou ter desenvolvido a tecnologia em colaboração com a comunidade musical e com atenção a acordos de direitos autorais e contratos vigentes. Segundo apuração do MBW, o modelo teria sido treinado com músicas que o YouTube e o próprio Google têm direito de utilizar dentro de seus termos de serviço e acordos existentes.
Para o mercado musical, o movimento indica dois caminhos. De um lado, a consolidação de gigantes de tecnologia como protagonistas na criação musical por IA. De outro, a tentativa de estruturar esse avanço dentro de bases contratuais mais claras, em um ambiente onde a discussão sobre autoria, remuneração e uso de catálogo ganhou dimensão global.
Para artistas, compositores e produtores, o cenário se torna mais complexo. Ferramentas como a ProducerAI prometem acelerar testes criativos e facilitar experimentações sonoras, mas também levantam dúvidas sobre divisão de royalties e impacto econômico no longo prazo. Ao integrar essas soluções ao seu ecossistema, o Google sinaliza que a IA musical tende a se tornar parte cada vez mais presente do processo criativo.
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