Operação Lumen reúne Brasil e outros quatro países para bloquear 317 sites de pirataria musical

A ação da Operação Lumen mira domínios com 15 milhões de visitas mensais e inclui páginas ligadas à distribuição de malware para milhões de usuários.
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Nathália Pandeló
Pirataria, Operação Lumen

A Operação Lumen começou nesta quarta-feira (23) com uma ação coordenada contra 317 sites associados à pirataria musical e à distribuição de programas maliciosos na América Latina. A iniciativa reúne autoridades do Brasil, Peru, Paraguai, República Dominicana e Equador e prevê o bloqueio dos domínios por provedores de internet nos países participantes.

Segundo a IFPI, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica, os endereços atingidos registraram, juntos, uma média de 15 milhões de visitas mensais no último ano e alcançaram mais de 5,4 milhões de visitantes únicos no período. Dos 317 sites identificados, 44 também estavam associados à distribuição de malware ou a outras atividades maliciosas, com impacto estimado sobre mais de 4,7 milhões de usuários.

A operação foi idealizada e é liderada pelo INDECOPI, órgão peruano de propriedade intelectual. No Brasil, participam o CyberGaeco e a ANCINE. Também integram a ação a DINAPI, do Paraguai, a ONDA, da República Dominicana, e a SENADI, do Equador.

Operação Lumen mira sites de stream ripping

Operação contra fraude de streaming Brasil IFPI

Entre os principais alvos da Operação Lumen estão páginas de stream ripping, ferramentas que permitem transformar conteúdos disponíveis em serviços de streaming em arquivos permanentes para download. Esses sites costumam receber links de plataformas como YouTube e extrair deles arquivos de áudio, sem autorização dos titulares dos direitos.

Com o bloqueio, os provedores de internet dos países participantes deverão impedir o acesso aos domínios identificados. A medida busca reduzir tanto o consumo de música por serviços não licenciados quanto a exposição dos usuários a páginas que podem distribuir programas maliciosos.

Para a IFPI, os dois problemas estão cada vez mais relacionados. A presença de malware em 44 dos 317 sites incluídos na operação indica que parte das páginas utilizadas para acessar conteúdos sem autorização também pode representar riscos de segurança digital.

Bloqueios podem direcionar público para serviços licenciados

Victoria Oakley, CEO da IFPI
Victoria Oakley, CEO da IFPI. Foto: Divulgação

A IFPI também relaciona a nova ação a um estudo realizado pela entidade em 2025 sobre os efeitos do bloqueio recorrente de sites de pirataria no comportamento dos usuários. Segundo a pesquisa, ações consistentes desse tipo provocaram crescimento de 15% a 50% nas visitas a serviços licenciados de música, entre eles Spotify e Amazon Music.

O levantamento apontou ainda um aumento de 3% a 8% nas visitas a páginas destinadas à criação de contas pagas ou à mudança para planos superiores. Os números ajudam a explicar por que o bloqueio de domínios passou a ser usado pela indústria como uma das estratégias para tentar deslocar parte do consumo de páginas não autorizadas para serviços formais.

“A Operação LUMEN mostra o que pode ser alcançado quando autoridades trabalham juntas através das fronteiras para enfrentar ameaças como a pirataria. O estudo da IFPI confirmou que o bloqueio de sites pode ser uma ferramenta eficaz e proporcional para interromper o acesso a serviços ilegais, inclusive ajudando a direcionar usuários para serviços licenciados e páginas de assinaturas pagas, e esta ação coordenada ajudará a interromper centenas de sites infratores e prejudiciais. Elogiamos a liderança e a cooperação das autoridades participantes. Esta iniciativa ajudará a proteger artistas e fãs, ao mesmo tempo em que apoia um mercado digital de música mais saudável”, afirmou Victoria Oakley, CEO da IFPI.

A Operação Lumen também dá continuidade a ações realizadas anteriormente na região. Em 2024, a IFPI e a Pro-Música Brasil apoiaram a Operação Redirect no país. Na primeira fase, oito sites que disponibilizavam música sem autorização e expunham usuários a malware foram desativados.

A ofensiva acontece em um momento de crescimento do mercado fonográfico latino-americano. Segundo o Global Music Report 2026 da IFPI, a América Latina foi a região que mais cresceu no mundo em receitas de música gravada em 2025, com alta anual de 17,1%. No mesmo período, o Brasil apareceu como o oitavo maior mercado fonográfico global, enquanto o México ocupou a décima posição.

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