Rock in Rio Academy leva desafios reais do festival para sala de aula na 10ª edição

O Rock in Rio Academy reuniu executivos na Cidade do Rock para discutir liderança, sucessão, crises e a gestão de uma operação com 28 mil pessoas.
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Nathália Pandeló
Rock in Rio Academy
Rock in Rio Academy (Crédito: Divulgação)

O Rock in Rio Academy transformou os bastidores da Cidade do Rock em material de estudo para executivos, empresários e gestores nesta quarta-feira (9). Em sua 10ª edição, o encontro partiu de situações enfrentadas na operação do festival para discutir liderança, cultura organizacional, sucessão e decisões tomadas sob pressão.

Com o tema “Orquestrando Sistemas Vivos Sob Pressão”, a programação combinou conversas com profissionais da Rock World, visitas às áreas de Gestão, Marketing e Produção e exercícios de tomada de decisão. A ideia é usar uma operação conhecida pelo público principalmente pelos palcos e shows para mostrar o trabalho de gestão necessário para colocá-la de pé.

A abordagem ajuda a explicar por que um festival pode funcionar como estudo de caso para outros setores. Segundo a organização, 28 mil pessoas participam da operação do Rock in Rio. Coordenar esse contingente envolve estabelecer responsabilidades, criar processos para imprevistos e manter equipes diferentes trabalhando em torno de objetivos comuns.

Liderança sem respostas prontas

Criadora do Rock in Rio Academy e fundadora da Provoke, Agatha Arêas destacou que a proposta do projeto é aproximar participantes das decisões que normalmente ficam restritas aos bastidores do festival.

“Esta 10ª edição do Rock in Rio Academy reafirmou a força de transformar conhecimento em experiência e experiência em conexão. A Cidade do Rock virou uma imensa sala de aula, aproximando participantes, executivos da Rock World e desafios reais de uma operação dessa complexidade, e mostrando, mais uma vez, o valor de transformar os bastidores de um dos maiores festivais do mundo em aprendizado aplicável para líderes de diferentes setores”, afirmou Agatha.

Durante o Rock in Rio Academy, a discussão sobre liderança também passou pela dificuldade de tomar decisões em cenários novos. Reynaldo Gama, CEO da Ânima Empresas, argumentou que modelos baseados apenas na figura de especialistas encontram limites diante de problemas ainda sem respostas consolidadas.

“A gente está na décima edição do Rock in Rio Academy, sempre tentando trazer inovação e trazer a sala de aula para dentro do festival. Este ano, a minha temática foi liderança, e falamos muito sobre essa liderança relacional, humana e criativa. Eu costumo dizer que a gente está vivendo uma era do ineditismo e que não tem especialista em coisa inédita. Então, tentamos trazer um pouco disso, dessa vulnerabilidade, dessa cultura de experiência que o Rock in Rio tem. É essa mistura de educação, cultura e experiência, tudo isso dentro do festival”, afirmou.

Uma operação de 28 mil pessoas e decisões sob pressão

Rock in Rio Academy (Crédito: Divulgação)
Rock in Rio Academy (Crédito: Divulgação)

A dimensão da equipe apareceu na conversa conduzida por Luis Justo, CEO da Rock World. Para o executivo, a cultura da empresa ajuda a alinhar as milhares de pessoas envolvidas no evento, incluindo profissionais que trabalham longe da área vista pelo público.

“Falar sobre todos numa mesma direção é a raiz da cultura que faz tudo acontecer. Afinal, são 28 mil pessoas que precisam estar unidas por um único propósito para transformar sonhos em realidade e fazer a experiência do Rock in Rio acontecer. Não tem atalho: a mágica está na soma da atenção a todos os detalhes. E integridade é fazer a coisa certa mesmo quando ninguém está vendo”, afirmou.

Essa estrutura também precisa funcionar quando algo foge do plano. Ricardo Acto, COO do Rock in Rio, e Jessica Cavalcanti, gerente do projeto, abordaram a gestão de crises e a distribuição de autonomia entre diferentes níveis da operação.

“Nós vamos falar sobre gestão de crise e, principalmente, sobre o que é necessário para tomar decisões que estão em cima da hora, especialmente diante de situações imprevisíveis que saem dos planos e que a gente gostaria de evitar. E o quanto isso tem impacto na governança de alta performance, ou seja, como é importante ter autonomia e responsabilidade técnica para que um plano tão grande, nas diferentes hierarquias, consiga ser colocado em prática”, explicou Ricardo.

O debate coloca a autonomia como parte da preparação para crises. Uma operação desse tamanho não pode depender de uma única pessoa para responder a cada problema, o que exige clareza sobre até onde cada equipe pode decidir e quais responsabilidades acompanham essa liberdade.

Sucessão e diferentes gerações entram no planejamento

Rock in Rio Academy (Crédito: Divulgação)
Rock in Rio Academy (Crédito: Divulgação)

O próprio comando da Rock World virou estudo de caso durante o Rock in Rio Academy. Justo encerra um ciclo de 15 anos na liderança da companhia, e Ronaldo Pereira assume a função após um processo de transição realizado ao longo de quatro meses.

“Nesse momento de transição e olhar para futuro e legado, ter a oportunidade de compartilhar como tem sido esse processo junto com a Agatha e o Ronaldo, que está assumindo essa posição, mostra como uma sucessão bem construída e estruturada é olhar para o futuro e para a permanência do legado”, afirmou Justo.

Outra discussão tratou de um desafio que aparece tanto na gestão quanto na relação com o público: fazer uma marca com quatro décadas de história conversar com gerações diferentes. Ana Deccache, diretora de Marketing da Rock World, Zé Ricardo, vice-presidente Artístico, e Joana Cardoso, gerente de Conexões e Influência, abordaram como o festival combina uma narrativa geral com conversas direcionadas a comunidades específicas.

“O encontro de gerações é necessário para a existência de um mega festival. O Rock in Rio tem quatro décadas e consegue ter Stray Kids, que é uma tendência nova, mas, ao mesmo tempo, ter Elton John. É sobre como o Rock in Rio se conecta com os valores do seu tempo sem perder a sua identidade através do tempo”, explicou Zé Ricardo.

Para Roberta Medina, vice-presidente executiva e sócia-fundadora da Rock World, esse equilíbrio entre mudança e continuidade também ajuda a explicar a longevidade do evento.

“A nossa missão é ajudar toda a equipe e os executivos a distinguir o que é Rock in Rio e o que não é Rock in Rio, como base dessa transformação constante. Não é ficar igual, mas respeitar esse DNA em tudo o que a gente faz”, comentou Roberta.

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