O Prosa Zuca abre sua primeira edição de 2026 nesta quinta-feira, 21 de maio, às 19h, em São Paulo, com uma pergunta que atravessa boa parte da música atual: “Viralizar é para todos? Qual a música que estamos construindo na era digital?”. O encontro é idealizado pelo rapper gaúcho Zudizilla e acontece pelo segundo ano consecutivo em parceria com a UBC (União Brasileira de Compositores).
A proposta é discutir os impactos da cultura digital na criação, na promoção e na circulação da música brasileira. O tema passa por uma tensão cada vez mais comum para artistas e equipes: como usar redes, tendências e plataformas sem transformar toda obra em um produto pensado apenas para poucos segundos de atenção.
A mesa terá mediação da jornalista Talita Morais e de Zudizilla, com participação de Gabriel Nogueira, especialista em marketing musical, do artista baiano RDD e de Letícia Martins, representante da SoundOn. O evento acontece na Petra Zuca, A Casa da Música Brasileira, espaço cultural em São Paulo voltado a estúdios, salas de ensaio, encontros e experiências ligadas à música.
Viralização entra na conversa sem apagar a criação
O debate parte de um ponto bastante concreto do mercado: promover música deixou de ser uma tarefa restrita a gravadoras, rádios, assessorias e grandes campanhas. Hoje, um artista independente pode criar conteúdo, testar narrativas, conversar com fãs e gerar descobertas usando ferramentas que antes não existiam ou estavam concentradas em poucas mãos.
Para Letícia Martins, Music Promotion & Branding Manager na SoundOn, esse cenário abriu novas possibilidades, mas também exige leitura de linguagem, constância e troca entre quem cria música e quem entende o comportamento das plataformas.
“Promover uma música tem sido uma tarefa cada vez mais plural e acessível, as redes sociais permitiram que todo artista seja capaz de criar mecanismos de divulgação do seu trabalho, além de abrir novas oportunidades de viralização. Estou animada para bater esse papo no PROSA ZUCA e trocar ideias sobre as diversas formas de se criar conteúdo e viralizar”, antecipa.
Essa visão toca em uma mudança importante para o mercado brasileiro. A viralização não substitui planejamento, repertório, construção de imagem ou relação com público, mas passou a fazer parte da engrenagem de lançamento. O desafio é entender quando uma tendência ajuda uma música a circular e quando ela força o artista a adaptar demais sua identidade.
Esse também é o ponto levantado por Zudizilla:
“Fazer parte do Prosa é mergulhar ainda mais na minha pesquisa diária, de vida, sobre a música e todos os seus desdobramentos. Tudo que faz a máquina girar e acontecer. É uma honra fazer parte e vamos garantir um ano cheio de debates ricos, trocas e ainda mais música”, sugere Zudizilla.
Casa Zuca busca criar pontes para o mercado brasileiro

Além da mesa sobre viralização, o Prosa Zuca se posiciona como um espaço de encontro entre artistas, gestores, plataformas e instituições. A presença da UBC dá ao projeto um recorte mais ligado à formação de mercado, aos direitos e à criação de conversas que ajudam artistas a entender melhor os caminhos profissionais possíveis.
Para Marcelo Castello Branco, CEO da UBC, o projeto dialoga com a proposta da Casa Zuca como ambiente de articulação para a música brasileira.
“O Prosa Zuca é um movimento e série de eventos que bem traduz nossas ambições de criar conexões e novos entendimentos sobre o mercado da música brasileira e todo seu potencial de criar oportunidades e mais protagonistas. A Casa Zuca tem paralelos com a Casa UBC e São Paulo é um endereço perfeito para isso.”
A comparação com a Casa UBC ajuda a entender o papel desse tipo de encontro. Mais do que uma conversa pontual sobre redes sociais, a iniciativa tenta aproximar diferentes partes da cadeia da música em um mesmo ambiente. Isso inclui quem cria, quem distribui, quem promove, quem gere carreiras e quem pensa os direitos envolvidos nessa circulação.
O elenco da mesa também mostra essa combinação. Gabriel Nogueira traz a visão de estratégias digitais e comunidades, com passagens por campanhas de artistas como Anitta, Marina Sena, Alok, Rachel Reis, Gloria Groove e Pabllo Vittar. RDD, também conhecido como Rafa Dias, entra com a experiência de produtor, DJ e nome ligado à inovação sonora a partir do pagodão baiano, da música eletrônica, do trap e dos afrobeats.
Nesse contexto, o Prosa Zuca acerta ao não tratar a viralização como fórmula única. O tema interessa justamente porque não existe resposta simples. Uma música pode ganhar força por um vídeo curto, por uma comunidade fiel, por uma performance ao vivo, por um recorte de letra ou por uma combinação de tudo isso. Para o artista, entender esse jogo é cada vez menos uma escolha e cada vez mais parte do trabalho de sustentar uma carreira.
Leia mais:
- Catálogo de capas? Primary Wave compra arquivo visual da Hipgnosis e mira exposições globais com Pink Floyd, Queen e Led Zeppelin
- PROSA ZUCA estreia nova edição em parceria com a UBC para discutir música na era digital
- 7 perguntas sobre mercado que o palco Soundbeats III by Mundo da Música busca responder no Rio2C 2026
- Nova pesquisa de Anita Carvalho sobre empresariamento artístico aponta desigualdade de gênero e queda de satisfação entre artistas
- Exclusivo: Parceria da Believe com a Urban Pop mira nova fase da música urbana brasileira









