A música brasileira alcançou a oitava posição entre as maiores exportadoras de repertório gravado do mundo no primeiro semestre de 2026. O resultado aparece no novo relatório da Luminate, que analisa o consumo global de música, cinema e televisão e mede a circulação dos artistas para além de seus países de origem.
O Brasil avançou pelo terceiro ano consecutivo. O país ocupava o décimo lugar em 2024, passou ao nono em 2025 e agora aparece à frente da Austrália e da Suécia. Segundo o levantamento, Alok e Anitta ajudaram a elevar a participação brasileira no streaming internacional.
O ranking é liderado pelos Estados Unidos, seguidos por Reino Unido, Coreia do Sul, Canadá, Alemanha e França. Porto Rico ocupa a sétima colocação, imediatamente acima do Brasil, o que deixa dois territórios latino-americanos entre os dez maiores polos de exportação musical do semestre.
Portugal, Bolívia e Argentina lideram consumo da música brasileira

Portugal aparece como o principal importador da música brasileira, seguido por Bolívia e Argentina. A presença de dois países sul-americanos entre os maiores destinos mostra que a expansão internacional do repertório nacional não depende somente da língua portuguesa.
Para elaborar a classificação, a Luminate considera o desempenho dos artistas no streaming sob demanda, o número de mercados que consomem a produção de cada país, o tamanho desses mercados e a quantidade de artistas que alcançam audiências internacionais. A posição, portanto, não é definida somente por um grande sucesso isolado, mas pela capacidade de diferentes carreiras circularem no exterior.
O avanço de Alok e Anitta mostra dois caminhos possíveis para essa circulação. A música eletrônica permite que Alok participe de festivais, colaborações e playlists internacionais, enquanto Anitta construiu uma carreira com lançamentos em português, espanhol e inglês. O relatório não detalha os números individuais dos dois artistas, mas os aponta como nomes que contribuíram diretamente para o crescimento brasileiro.
A posição também coloca o Brasil como o único país da América Latina continental no Top 10. Porto Rico, que aparece separadamente como território de origem, tem Estados Unidos, México e Espanha como seus principais mercados consumidores.
Mercado brasileiro mantém forte preferência por artistas locais

Ao mesmo tempo que ganha espaço no exterior, o Brasil permanece entre os mercados com maior concentração de consumo em artistas nacionais. O relatório agrupa o país com Índia, Japão e Coreia do Sul entre os territórios menos abertos ao repertório estrangeiro.
O gráfico da Luminate indica que aproximadamente três quartos dos streams consumidos no Brasil vêm de artistas locais. O estudo não publica um percentual exato, mas posiciona o país perto de 25% de participação internacional. A visualização também sugere que poucos países de origem são suficientes para representar 90% do consumo brasileiro.
Essa característica pode dificultar a entrada de artistas estrangeiros que não tenham presença local, colaborações brasileiras ou campanhas adaptadas ao mercado. Por outro lado, mostra que o país possui uma base doméstica capaz de sustentar diferentes gêneros, cenas regionais e carreiras antes da busca por público internacional.
Esse cenário entrega um contraste: o público brasileiro é conhecido por ter forte preferência pelo próprio repertório, enquanto a indústria nacional aumenta sua capacidade de exportação. Para gravadoras, distribuidoras e empresários, o movimento aponta espaço para estratégias que partam da força doméstica e identifiquem mercados onde cada artista tenha afinidade cultural, linguística ou musical.
Música latina cresce dentro e fora dos Estados Unidos

A expansão brasileira acontece em um semestre de alta para a música latina. Nos Estados Unidos, as faixas em espanhol responderam por 9,4% dos streams entre as 10 mil músicas mais consumidas nas primeiras 21 semanas de 2026. O inglês caiu para 87,1%, sua menor participação na série apresentada pela Luminate.
O público casual de gêneros musicais em espanhol também chegou a 54% dos ouvintes norte-americanos no primeiro trimestre. Em 2021, esse índice era de 44%, o que mostra a entrada do repertório latino no consumo de pessoas que não se identificam necessariamente como fãs dessas canções.
O principal pico ocorreu após a apresentação de Bad Bunny no Super Bowl. Na semana encerrada em 12 de fevereiro, a música latina alcançou 2,74 bilhões de streams de áudio sob demanda nos Estados Unidos, o maior resultado semanal de sua história. Outro aumento foi registrado em março, impulsionado por álbuns colaborativos da música regional mexicana.
O crescimento da América Latina cria uma oportunidade para a música brasileira, mas não garante sua circulação automática. O português ainda ocupa uma faixa menor do consumo internacional do que o espanhol. O avanço no ranking indica, contudo, que artistas brasileiros estão encontrando rotas próprias de exportação, apoiadas por colaborações, presença digital, festivais e mercados com proximidade cultural.
Leia mais:
- Relatório da Luminate coloca Brasil em 8º lugar entre maiores exportadores de música
- SIBC grava primeiro audiovisual da carreira com os Arcos da Lapa como cenário
- Exclusivo: Sony Music Brasil assina contrato com Celo Dut, integrante do selo de Baco Exu do Blues
- Firjan SESI destina R$ 3,4 milhões a projetos de música, teatro, dança, circo e artes visuais no Edital Mosaico Rio 2027
- Exclusivo: Benzadeus reúne Ivete Sangalo, Marvvila, Lary, Ayla, Mannda Lym e Amanda Amado em iniciativa pelo protagonismo feminino no pagode









