Relatório da Luminate coloca Brasil em 8º lugar entre maiores exportadores de música

Com Alok e Anitta, a música brasileira avança pelo terceiro ano seguido e supera Austrália e Suécia no ranking global da Luminate.
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Nathália Pandeló
Alok e Anitta são exportadores da música brasileira, afirma Luminate
Alok e Anitta são exportadores da música brasileira, afirma Luminate (Crédito: Divulgação)

A música brasileira alcançou a oitava posição entre as maiores exportadoras de repertório gravado do mundo no primeiro semestre de 2026. O resultado aparece no novo relatório da Luminate, que analisa o consumo global de música, cinema e televisão e mede a circulação dos artistas para além de seus países de origem.

O Brasil avançou pelo terceiro ano consecutivo. O país ocupava o décimo lugar em 2024, passou ao nono em 2025 e agora aparece à frente da Austrália e da Suécia. Segundo o levantamento, Alok e Anitta ajudaram a elevar a participação brasileira no streaming internacional.

O ranking é liderado pelos Estados Unidos, seguidos por Reino Unido, Coreia do Sul, Canadá, Alemanha e França. Porto Rico ocupa a sétima colocação, imediatamente acima do Brasil, o que deixa dois territórios latino-americanos entre os dez maiores polos de exportação musical do semestre.

Portugal, Bolívia e Argentina lideram consumo da música brasileira

Música brasileira - Crédito Fellipe Ditadi music, dados
Música brasileira (Crédito: Fellipe Ditadi)

Portugal aparece como o principal importador da música brasileira, seguido por Bolívia e Argentina. A presença de dois países sul-americanos entre os maiores destinos mostra que a expansão internacional do repertório nacional não depende somente da língua portuguesa.

Para elaborar a classificação, a Luminate considera o desempenho dos artistas no streaming sob demanda, o número de mercados que consomem a produção de cada país, o tamanho desses mercados e a quantidade de artistas que alcançam audiências internacionais. A posição, portanto, não é definida somente por um grande sucesso isolado, mas pela capacidade de diferentes carreiras circularem no exterior.

O avanço de Alok e Anitta mostra dois caminhos possíveis para essa circulação. A música eletrônica permite que Alok participe de festivais, colaborações e playlists internacionais, enquanto Anitta construiu uma carreira com lançamentos em português, espanhol e inglês. O relatório não detalha os números individuais dos dois artistas, mas os aponta como nomes que contribuíram diretamente para o crescimento brasileiro.

A posição também coloca o Brasil como o único país da América Latina continental no Top 10. Porto Rico, que aparece separadamente como território de origem, tem Estados Unidos, México e Espanha como seus principais mercados consumidores.

Mercado brasileiro mantém forte preferência por artistas locais

Maiores exportadores de música no primeiro semestre de 2026, segundo Luminate
Maiores exportadores de música no primeiro semestre de 2026, segundo Luminate (Crédito: Divulgação)

Ao mesmo tempo que ganha espaço no exterior, o Brasil permanece entre os mercados com maior concentração de consumo em artistas nacionais. O relatório agrupa o país com Índia, Japão e Coreia do Sul entre os territórios menos abertos ao repertório estrangeiro.

O gráfico da Luminate indica que aproximadamente três quartos dos streams consumidos no Brasil vêm de artistas locais. O estudo não publica um percentual exato, mas posiciona o país perto de 25% de participação internacional. A visualização também sugere que poucos países de origem são suficientes para representar 90% do consumo brasileiro.

Essa característica pode dificultar a entrada de artistas estrangeiros que não tenham presença local, colaborações brasileiras ou campanhas adaptadas ao mercado. Por outro lado, mostra que o país possui uma base doméstica capaz de sustentar diferentes gêneros, cenas regionais e carreiras antes da busca por público internacional.

Esse cenário entrega um contraste: o público brasileiro é conhecido por ter forte preferência pelo próprio repertório, enquanto a indústria nacional aumenta sua capacidade de exportação. Para gravadoras, distribuidoras e empresários, o movimento aponta espaço para estratégias que partam da força doméstica e identifiquem mercados onde cada artista tenha afinidade cultural, linguística ou musical.

Música latina cresce dentro e fora dos Estados Unidos

Bad Bunny no Super Bowl
Bad Bunny no Super Bowl

A expansão brasileira acontece em um semestre de alta para a música latina. Nos Estados Unidos, as faixas em espanhol responderam por 9,4% dos streams entre as 10 mil músicas mais consumidas nas primeiras 21 semanas de 2026. O inglês caiu para 87,1%, sua menor participação na série apresentada pela Luminate.

O público casual de gêneros musicais em espanhol também chegou a 54% dos ouvintes norte-americanos no primeiro trimestre. Em 2021, esse índice era de 44%, o que mostra a entrada do repertório latino no consumo de pessoas que não se identificam necessariamente como fãs dessas canções.

O principal pico ocorreu após a apresentação de Bad Bunny no Super Bowl. Na semana encerrada em 12 de fevereiro, a música latina alcançou 2,74 bilhões de streams de áudio sob demanda nos Estados Unidos, o maior resultado semanal de sua história. Outro aumento foi registrado em março, impulsionado por álbuns colaborativos da música regional mexicana.

O crescimento da América Latina cria uma oportunidade para a música brasileira, mas não garante sua circulação automática. O português ainda ocupa uma faixa menor do consumo internacional do que o espanhol. O avanço no ranking indica, contudo, que artistas brasileiros estão encontrando rotas próprias de exportação, apoiadas por colaborações, presença digital, festivais e mercados com proximidade cultural.

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