Chartmetric aponta Copa de 2026 como a edição mais musical da história da FIFA

Estudo da Chartmetric mostra como FIFA, marcas, seleções e artistas transformaram a Copa de 2026 em disputa global por streaming.
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Nathália Pandeló
Futebol e música, Copa do Mundo
Crédito: Freepik

A Chartmetric aponta a Copa do Mundo de 2026 como a edição mais musical da história da FIFA. Sediado por Estados Unidos, México e Canadá, o torneio já seria o maior da história pelo número de seleções e pela distribuição geográfica. Mas, fora de campo, a competição também ganhou uma nova dimensão: a de um ecossistema musical próprio, com músicas oficiais, ações de marcas, canções de torcida e lançamentos pensados para surfar o interesse global pelo futebol.

Segundo a Chartmetric, a combinação entre esporte, streaming e redes sociais fez da Copa de 2026 um laboratório para medir como as músicas ligadas a grandes eventos podem nascer em diferentes frentes. Não se trata somente de um hino oficial. O torneio tem faixas lançadas por artistas convidados pela FIFA, canções de patrocinadores, projetos de federações nacionais e músicas que ganharam força de forma mais orgânica entre torcedores.

O movimento aparece também nos dados de audiência. Quase uma semana após a partida de abertura, o perfil FIFA Sound figurava como o quarto artista que mais crescia em ouvintes mensais no Spotify. Para a indústria da música, esse dado ajuda a mostrar como a Copa se tornou uma vitrine global capaz de deslocar atenção para artistas de diferentes países, idiomas e gêneros.

A Copa virou uma disputa musical entre artistas, marcas e seleções

As músicas mais tocadas da Copa do Mundo 2026
As músicas mais tocadas da Copa do Mundo 2026 (Crédito: Divulgação)

A edição de 2026 já reúne uma lista extensa de artistas associados ao torneio. Na Colômbia, Luis Alfonso e Pipe Bueno lançaram “Te Quiero Ver Campeón”, que chegou a 590 mil streams no Spotify, enquanto Silvestre Dangond levou o jogador Luis Díaz ao clipe de “Ganas de Tenerla”, faixa que já soma 1,6 milhão de reproduções.

Na Bélgica, Sylvie Kreusch e Roméo Elvis aparecem com “Kiss the Grass (Allez Allez)”, enquanto o escocês JJ Bull lançou “Very Unofficial World Cup Song”, trilha não oficial para a primeira participação da Escócia desde 1998. O que muda em 2026 é justamente essa fragmentação. Cada país, marca ou comunidade tenta emplacar a própria trilha, em vez de esperar que apenas a FIFA dite o som da Copa.

As marcas também entraram com força nesse campo. A Coca-Cola reuniu J Balvin, Amber Mark, Travis Barker e Steve Vai em uma versão de “Jump”, do Van Halen, que já soma 2,1 milhões de streams. A Adidas escalou a japonesa Ado para “Kira”, enquanto a Buchanan’s Blended Scotch Whisky apostou em Rauw Alejandro para “Dando Vueltas”, faixa que chegou a 4,4 milhões de streams e mira a relação da comunidade latina com o futebol.

O Canadá também usou a Copa como vitrine cultural. A Canada Soccer Foundation lançou o álbum “Perfect Pitch”, com nomes ligados ao país. Entre as faixas, “Electric Circus”, de Nelly Furtado e Boi-1da, aparece como uma das apostas mais fortes, com 1,4 milhão de streams desde abril. Curiosamente, segundo a Chartmetric, a maior parte da audiência da música vem dos Estados Unidos, não do Canadá.

FIFA Sound mostra a ambição musical da entidade em 2026

A própria FIFA também aumentou a aposta. Para 2026, a entidade convidou artistas das 16 cidades-sede para participar do projeto “Official FIFA World Cup 2026 Host City Themes”, uma tentativa de fazer com que o torneio tenha sons conectados aos lugares que recebem os jogos.

O álbum oficial da Copa, porém, é o que mais concentra atenção. Entre os destaques estão Belinda e Los Ángeles Azules com “Por Ella”, que soma 4,1 milhões de streams, Jessie Reyez e Elyanna com “Illuminate”, e Daddy Yankee e Shenseea com “Echo”, que chegou a 1,1 milhão.

A Chartmetric aponta que Elyanna foi uma das artistas mais beneficiadas pela exposição. O ranking da cantora subiu de 4,3 mil para 1,7 mil na plataforma, e seus likes no TikTok avançaram de 30,9 milhões para 32,3 milhões. As visualizações de sua página na Wikipédia também saltaram de 377 para 12,1 mil, um sinal de que o público foi pesquisar mais sobre a artista chilena-palestina.

O caso mais comentado, no entanto, é “Lighter”, parceria de Jelly Roll e Carin León. A faixa já acumula 6,2 milhões de streams e é a segunda música oficial mais ouvida do torneio até agora. Mesmo assim, a recepção foi dividida, com críticas ao encaixe da canção no contexto da Copa. O desempenho comercial, por outro lado, mostra que a rejeição nas redes nem sempre impede uma música de circular em larga escala.

Shakira ainda define o padrão das músicas de Copa

As maiores músicas da Copa do Mundo de todos os tempos
As maiores músicas da Copa do Mundo de todos os tempos (Crédito: Divulgação)

Apesar do volume de lançamentos em 2026, a régua histórica continua alta. Em 2022, “Arhbo”, de Ozuna, já tinha alcançado 10 milhões de streams no mesmo estágio anterior ao torneio. No Catar, Jung Kook lançou “Dreamers” no dia de abertura da Copa e a música chegou a 528,9 milhões de streams.

Em 2018, Nicky Jam, Will Smith e Era Istrefi somaram 165,6 milhões de streams com “Live It Up”. Em 2014, Pitbull e Jennifer Lopez emplacaram “We Are One (Ola Ola)”, que chegou a 422 milhões de reproduções.

Ainda assim, nenhum exemplo pesa tanto quanto Shakira. “Waka Waka (This Time for Africa)”, parceria com o grupo Freshlyground, tornou-se a primeira música de Copa a entrar no Billions Club do Spotify. A faixa também vendeu 15 milhões de cópias digitais e, em 2025, seu videoclipe aparecia entre os dez mais vistos da história do YouTube.

A artista colombiana voltou ao universo da Copa em 2014 com “La La La”, participação de Carlinhos Brown, e agora aparece novamente com “Dai Dai”, parceria com Burna Boy. A nova música já lidera a corrida de 2026, com 69,7 milhões de streams no Spotify, 368,3 milhões de visualizações no TikTok e 4 milhões de likes no YouTube em poucas semanas.

O próximo hino pode vir de fora da FIFA

A história mostra que nem sempre a música que define uma Copa vem do pacote oficial. K’Naan virou fenômeno global com “Wavin’ Flag”, lançada em campanha da Coca-Cola, enquanto Vegedream ultrapassou 600 milhões de streams com “Ramenez la coupe à la maison”, criada para celebrar o título da França em 2018.

Também há casos como “Magic in the Air”, do Magic System, que se tornou inseparável das festas francesas na Copa da Rússia, e “World Cup”, de IShowSpeed, que chegou a 96,5 milhões de streams como um dos sucessos musicais não oficiais do Catar 2022.

É esse comportamento que torna a disputa musical da Copa tão difícil de prever. Algumas faixas chegam com grandes nomes e campanhas milionárias, mas perdem força antes da final. Outras nascem em arquibancadas, transmissões, vídeos curtos ou comemorações e acabam grudando no imaginário do torneio.

Para a Chartmetric, a Copa de 2026 mostra que a música virou parte importante da experiência global do futebol. Entre lançamentos oficiais, ações de patrocinadores e canções de torcida, o torneio indica que cada Copa encontra sua trilha. A diferença é que, agora, essa disputa acontece em tempo real, com dados, plataformas e públicos de vários países decidindo quais músicas continuam em campo.

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