Um show para 50 mil pessoas marcou uma nova etapa na trajetória de BK’ e também colocou em evidência a escala alcançada pelo rap brasileiro no mercado de eventos ao vivo. No sábado (19), o artista abriu, em São Paulo, a turnê que celebra os dez anos de “Castelos & Ruínas”, álbum lançado em 2016 e um dos trabalhos centrais de sua carreira.
A apresentação reuniu 39 músicas e foi organizada como uma narrativa, com prólogo, três atos, dois interlúdios e bis. Ao longo da noite, BK’ recebeu nomes de diferentes gerações da música brasileira, entre eles Marcelo D2, Djonga, Luccas Carlos, L7NNON, Akira Presidente, Sain, Febem e Evinha.
A estreia também representou um marco para o gênero: BK’ se tornou o primeiro rapper brasileiro a comandar como atração principal um show no estádio do Palmeiras. Em entrevista ao Mundo da Música, ele afirma que a marca de 50 mil pessoas reflete uma transformação que vai além de sua própria carreira.
“Acho que mostra o quanto a cena cresceu e o quanto a gente conseguiu construir nesses últimos anos. Quando eu comecei, não existia essa perspectiva de um rapper fazer um show solo num estádio desse tamanho. E hoje isso tá acontecendo. E não é uma conquista só minha. É uma conquista pro hip hop como um todo, tá ligado? Tem muita gente que veio antes, muita gente que tá fazendo agora, produtores, artistas, público, todo mundo que foi construindo essa cena”, diz BK’.
De “Castelos & Ruínas” ao estádio

O tamanho atual do espetáculo contrasta com o cenário encontrado pelo artista em 2016. Naquele momento, BK’ lançava seu primeiro álbum solo sem saber exatamente até onde aquele trabalho poderia chegar. Dez anos depois, a equipe transformou essa distância entre os dois momentos em parte da própria estrutura do show.
“A gente queria contar e fazer uma história, não simplesmente um show. Em 2016 eu era um cara que tava começando, que tinha muita coisa pra falar e também tava tentando entender onde aquela música podia levar. Eu sempre quis algo grandioso – lógico que naquela época não sabia que ia chegar no estádio – mas, nós viemos nessa construção há um tempo, com os shows na Apoteose, as conquistas que viemos tendo como nomeação no [Latin] Grammy… a construção é gigante por trás pra chegar no Nubank Parque. Tô muito feliz que o público curtiu esse primeiro show e ainda mais feliz que vamos a várias cidades com a tour”, explica BK’.
Essa construção apareceu também na divisão do repertório. Os atos “A Luz”, “A Sombra” e “Coroação” organizaram diferentes fases da discografia, conectando as músicas de “Castelos & Ruínas” aos trabalhos lançados ao longo da década seguinte.
Mais do que reproduzir cronologicamente a carreira, a ideia foi usar o show como uma narrativa sobre crescimento artístico, relações e mudanças de escala. A estrutura também permite que a turnê mantenha uma identidade própria mesmo fora de São Paulo.
Convidados ajudam a contar dez anos de trajetória

Os encontros no palco foram outro elemento usado para representar a história de BK’. A seleção reuniu artistas ligados diretamente à formação musical do rapper, parceiros de diferentes momentos e nomes que representam gerações distintas do hip hop brasileiro.
“São pessoas que fazem parte da minha caminhada ou representam momentos importantes, e não só pra mim, mas pro rap como um todo. Sain, por exemplo, me levou pra música. D2 é referência desde sempre… Evinha eu falo sempre da representatividade que tem e o quanto conheci em casa, com minha mãe”, conta BK’.
“Então, quis trazer um pouco de cada geração do rap pra contar essa história comigo, e mostrar que nada se constrói sozinho. O rap me deu muita coisa além da música e vai deixar ainda muito legado pra quem tá chegando”, completa.
Entre os momentos da noite, Marcelo D2 dividiu “Eu Já Sabia” com BK’ e Sain, enquanto Djonga participou de “O Mundo É Nosso”. Evinha apareceu em “Só Quero Ver” e “Cacos de Vidro”.
A escolha dos convidados ajuda a mostrar como a própria trajetória de BK’ se conecta a diferentes fases do rap brasileiro. Ao reunir referências anteriores à sua geração, contemporâneos e artistas que cresceram junto com a expansão do gênero, o show transforma as participações em parte da narrativa, e não apenas em aparições pontuais.
Turnê seguirá com mudanças entre as cidades

Depois da abertura em São Paulo, a “Castelos & Ruínas 10 Anos Tour” seguirá para Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte e Curitiba antes de chegar ao Rio de Janeiro. O encerramento está marcado para 16 de janeiro de 2027, no Maracanã.
Apesar da estrutura criada para a estreia, BK’ afirma que a proposta não é reproduzir exatamente o mesmo espetáculo em todas as cidades. A intenção é preservar a narrativa do álbum e, ao mesmo tempo, permitir mudanças ao longo da turnê.
“O público pode esperar a mesma energia, mas cada cidade vai ter a sua própria história. Não quero que seja uma coisa engessada, de repetir São Paulo exatamente igual. É a história do Castelos & Ruínas que tá sendo contada… Mas pode ter certeza que cada noite será única. Então, bora lá tropa!!”, convida BK’.
A turnê é realizada pela 30e em parceria com 11MM e Gigantes. Depois de transformar os dez anos de “Castelos & Ruínas” em um espetáculo para 50 mil pessoas em São Paulo, BK’ leva agora essa narrativa pelo país até chegar ao Rio, cidade onde começou sua trajetória.
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