O Spotify vai levar ao Brasil seu programa de monetização para podcasts, abrindo uma nova possibilidade de receita principalmente para produtores que trabalham com vídeo. A chegada ao país faz parte da maior expansão geográfica do programa até agora, com mais de 35 novos mercados incluídos ainda neste segundo semestre.
Além do Brasil, a lista reúne México, Colômbia, Chile, Peru, Espanha, Itália, Polônia e diferentes países da América Central e do Caribe. O programa já funcionava nos Estados Unidos, em partes da Europa e na Austrália. A expansão aumenta principalmente a presença da ferramenta de monetização do Spotify na América Latina, onde o mercado de podcasts e vídeos digitais já reúne grandes audiências, mas as opções de receita variam bastante entre os países.
A movimentação também acompanha uma mudança no próprio consumo dentro da plataforma. Segundo dados divulgados pelo Spotify, o consumo de podcasts em vídeo cresceu 140% desde que o formato começou a ser disponibilizado mais amplamente, em 2022. No fim de 2025, quase meio milhão de podcasts em vídeo já estavam disponíveis no serviço, e mais de 390 milhões de usuários haviam assistido a conteúdos desse tipo.
Como funciona a monetização do Spotify
O Spotify Partner Program combina diferentes fontes de renda para os criadores. A primeira vem da publicidade. Quando os usuários da modalidade gratuita escutam ou assistem aos conteúdos, os produtores elegíveis podem receber uma participação na receita dos anúncios exibidos pelo Spotify.
A segunda está relacionada diretamente aos podcasts em vídeo. Quando um assinante Premium assiste a um episódio participante, os anúncios dinâmicos inseridos pela plataforma são retirados. Em vez da publicidade, aquele consumo passa a contar para a chamada receita de vídeo Premium, vinculada ao engajamento do público com o conteúdo.
Isso significa que o mesmo episódio pode gerar dinheiro de formas diferentes. Um usuário gratuito pode contribuir com receita publicitária, enquanto um assinante Premium que assiste ao vídeo pode gerar remuneração pelo consumo. Os criadores também podem distribuir seus programas em outras plataformas.
Os patrocínios negociados diretamente pelos produtores continuam permitidos, inclusive dentro dos vídeos exibidos aos assinantes Premium. O Spotify oferece ferramentas para administrar e acompanhar essas inserções, mas afirma que os criadores ficam com 100% do valor obtido por meio desses acordos.
Critérios ficaram mais acessíveis em 2026

No início deste ano, o Spotify reduziu os requisitos para participar do Partner Program. Atualmente, é necessário ter pelo menos três episódios publicados, duas mil horas de consumo no Spotify nos últimos 30 dias e mil pessoas na audiência durante o mesmo período.
A plataforma considera nessa métrica pessoas distintas que ouviram ou assistiram ativamente a algum episódio. Quando o programa estiver disponível no Brasil, os produtores poderão verificar a elegibilidade na área de monetização do Spotify for Creators.
A mudança nos critérios já teve reflexos nos números divulgados pela empresa. Desde janeiro, os pagamentos mensais totais destinados aos programas inscritos cresceram mais de um terço. Entre os podcasts em vídeo participantes, o Spotify aponta crescimento médio superior a 45% nas horas consumidas.
Esses dados ajudam a explicar por que a empresa vem reduzindo as barreiras para a entrada de novos criadores. Quanto maior o número de produtores monetizados, maior também a oferta de conteúdos que podem manter usuários assistindo aos episódios dentro da própria plataforma.
Vídeo coloca Spotify em disputa maior pelos criadores
A expansão mostra que a estratégia do Spotify para podcasts está cada vez menos restrita ao áudio. Com a remuneração ligada ao consumo em vídeo, a plataforma passa a disputar de maneira mais direta produtores que já trabalham com formatos audiovisuais e distribuem seus programas em serviços como o YouTube.
Para esses criadores, o modelo permite combinar diferentes receitas a partir do mesmo conteúdo: publicidade, pagamentos associados ao consumo no Premium, patrocínios próprios e negócios realizados fora da plataforma. O vídeo também pode ser reaproveitado em cortes para redes sociais, o que aumenta o número de canais usados para descobrir e monetizar uma produção.
A chegada ao Brasil adiciona esse modelo a um dos maiores mercados digitais da América Latina. Agora, a questão será entender quanto o Partner Program consegue representar na receita dos podcasts brasileiros e se a monetização do vídeo será suficiente para estimular mais produtores locais a investir no formato.
Leia mais:
- Spotify leva programa de monetização de podcasts em vídeo ao Brasil e abre novas possibilidades de receitas
- Após 50 anos, Djavan revisita álbum de estreia; ao Mundo da Música, Max Viana revela o que encontrou nas fitas originais do pai
- BMG define nova liderança após união com a Concord e expande acordo com Jean-Michel Jarre
- Como conseguir um perfil verificado de artista nas plataformas de streaming
- Dos cinemas ao Carnaval: Ludmilla fala ao Mundo da Música sobre a fase pós “Fragmentos” e início da era “Fervo da Lud” com a Sony Music









