Universal Music Group e ElevenLabs fecham acordo para criar plataforma de música com IA

UMG e ElevenLabs firmam acordo plurianual para uma plataforma licenciada de remixes, mashups e experiências vocais com IA.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
ElevenLabs e UMG firmam acordo
ElevenLabs e UMG firmam acordo (Crédito: Divulgação)

A ElevenLabs assinou seu primeiro acordo com uma grande gravadora. A empresa de inteligência artificial fechou nesta quinta-feira (10) uma parceria plurianual com o Universal Music Group (UMG) que envolve licenciamento de música, desenvolvimento de produtos e a criação de uma nova plataforma voltada aos fãs.

Ainda em desenvolvimento, o serviço permitirá que o público trabalhe com músicas de artistas e compositores participantes para criar remixes, mashups, novas interpretações de faixas e experiências vocais personalizadas. A proposta parte de um ponto que vem ganhando espaço nas negociações entre gravadoras e empresas de IA: colocar o uso de repertório dentro de ambientes licenciados e prever remuneração aos titulares dos direitos.

O acordo também estipula que UMG e ElevenLabs desenvolvam juntas outros produtos de áudio com inteligência artificial para artistas e compositores. A parceria não tem prazo público para o lançamento da plataforma nem, até o momento, anunciou quais nomes do catálogo da gravadora participarão da iniciativa.

ElevenLabs terá plataforma separada para músicas licenciadas

A nova plataforma será oferecida separadamente dos produtos de música que a ElevenLabs já mantém. Um deles é o ElevenMusic, aplicativo que permite gerar e editar músicas originais, com controles sobre elementos como voz, instrumentos, estilo e arranjo. A empresa também oferece a Music API, destinada à integração de seus modelos de criação musical a produtos de outras companhias.

A diferença do novo projeto está na participação de repertórios licenciados e de artistas que aderirem à proposta. Em vez de se limitar à geração de uma faixa nova a partir de comandos do usuário, a ElevenLabs pretende permitir experiências criativas baseadas em obras já conhecidas.

“As possibilidades mais empolgantes da IA e da música são aquelas que colocam artistas, compositores e fãs no centro. A UMG e a ElevenLabs compartilham a visão de que a IA responsável pode inspirar descobertas, aprofundar o engajamento entre artistas e fãs e abrir novas oportunidades de receita para a comunidade criativa. A liderança da ElevenLabs em áudio criado com IA traz uma nova dimensão ao nosso crescente ecossistema de parceiros comprometidos em expandir o que é possível criativa e comercialmente para a arte humana”, afirma Sir Lucian Grainge, presidente e CEO do Universal Music Group.

O modelo testa um caminho que as gravadoras vêm buscando para transformar a criação musical por IA em um produto comercial controlado. Para a indústria, isso pode representar uma alternativa ao uso de catálogos em ferramentas que treinam ou geram conteúdo sem acordos prévios com detentores de direitos.

Licenciamento toma a frente na disputa sobre IA e música

ElevenLabs lançou o Eleven Music
ElevenLabs lançou o ElevenMusic (Crédito: Divulgação)

O acordo chega em um momento no qual as relações entre empresas de inteligência artificial e titulares de direitos musicais passam por uma mudança. Depois de uma primeira fase marcada principalmente por processos judiciais e questionamentos sobre o uso de gravações no treinamento de modelos, começam a aparecer mais negociações destinadas a criar produtos licenciados.

Para a ElevenLabs, a parceria representa a entrada formal no universo das majors. A companhia é conhecida principalmente por suas tecnologias de geração e clonagem de voz e afirma que seus produtos são utilizados por consumidores, desenvolvedores e empresas em mais de 70 idiomas.

“A IA abre possibilidades incríveis para interagir com nossas músicas e artistas favoritos. Ao combinar a comunidade global e a experiência da UMG em gestão de direitos com nossos modelos e produtos de IA, vamos permitir que artistas e compositores criem novas experiências poderosas para seus fãs e garantir que sejam remunerados de forma justa”, afirma Mati Staniszewski, cofundador e CEO da ElevenLabs.

A possibilidade de fãs criarem versões derivadas de músicas conhecidas também coloca a plataforma em uma área de interesse cada vez maior para as gravadoras: transformar comportamentos que já existem nas redes sociais, como remixes e mashups, em experiências oficiais. Nesse formato, a gravadora mantém participação no licenciamento, os artistas podem decidir se querem integrar o serviço e a empresa de tecnologia ganha acesso autorizado ao repertório.

Ainda faltam detalhes importantes sobre como isso funcionará. UMG e ElevenLabs não informaram quais catálogos estarão disponíveis, como será feita a adesão dos artistas, quais limites serão impostos às criações dos usuários ou de que forma a receita será dividida. Essas definições ajudarão a mostrar até onde o novo modelo pode transformar a relação entre música licenciada e ferramentas de IA.

Leia mais: