A Riot Games escolheu a música como um dos principais pontos de contato entre o público e a final da Etapa 2 do VCT Américas, que acontece de 4 a 6 de setembro, no Suhai Music Hall, em São Paulo. Interpretada por Priscilla e Rincon Sapiência, “Faz o Mundo Ouvir” também dá nome à campanha criada para receber a primeira decisão do campeonato realizada fora de Los Angeles, nos Estados Unidos.
Produzida pelo estúdio mdois, a faixa combina português, espanhol e inglês. A proposta é representar as diferentes comunidades do VALORANT nas Américas sem abandonar a identidade brasileira e a relação com São Paulo, cidade escolhida para sediar o evento. O clipe, produzido pela Pródigo com a Riot Games, reúne artistas, jogadores profissionais, criadores de conteúdo, referências ao jogo e elementos da cultura paulistana.
Em entrevista ao Mundo da Música, Daniel Gouw, Diretor de Marketing Criativo na Riot Games Brasil, conta que os resultados serão avaliados para além das visualizações e do alcance. A empresa também acompanhará as conversas, as reações às referências escondidas no vídeo e os conteúdos produzidos pelos próprios fãs. Priscilla, por sua vez, fala sobre a gravação nos três idiomas e a aproximação com um universo que ainda está conhecendo.
A comunidade como parte da campanha
Embora esteja ligada à divulgação dos playoffs e da final do VCT Américas, a campanha foi planejada para continuar nas mãos dos jogadores e espectadores. O conceito convida o público a demonstrar sua torcida e criar a partir da música, em vez de ocupar somente o lugar de audiência.
Por isso, a Riot Games pretende combinar indicadores quantitativos, como alcance, visualizações e engajamento, com uma leitura qualitativa da repercussão. A recepção aos artistas e aos easter eggs, nome dado às referências escondidas no clipe, também ajudará a empresa a entender se o público se reconheceu na campanha.
“Desde o início, nosso objetivo era gerar empolgação para os playoffs e para a chegada da final do VCT Americas a São Paulo, mas FAZ O MUNDO OUVIR também nasceu com uma ambição maior: celebrar a paixão da nossa comunidade e o jeito único que ela tem de demonstrá-la. A música e o clipe são um ponto de partida para isso. Queremos que a comunidade se aproprie do conceito e mostre sua própria maneira de torcer, criar, se expressar e, claro, fazer barulho. Por isso, além dos indicadores tradicionais de alcance, visualizações e engajamento, estamos olhando muito para a resposta qualitativa da comunidade: como receberam a música, o clipe e os artistas, quais conversas surgiram, como repercutiram os easter eggs e, principalmente, o que criaram a partir da campanha. Mais do que saber quantas pessoas ouviram, queremos entender quantas se sentiram parte desse momento”, afirma Daniel Gouw.
Essa tentativa de estimular a participação aparece na narrativa do vídeo. O personagem principal começa um dia comum de trabalho em São Paulo e passa a encontrar elementos do VALORANT em diferentes situações. Depois de tentar ignorá-los, ele aceita que o jogo já faz parte de sua rotina e de suas relações.
Priscilla e Rincon aproximam o VCT Américas de São Paulo
A escolha de Priscilla e Rincon Sapiência como intérpretes partiu da necessidade de construir uma faixa brasileira que também pudesse circular entre os demais países das Américas. Para isso, a Riot Games reuniu artistas com trajetórias e sonoridades diferentes. Rincon participou do desenvolvimento da letra, levando à música referências do rap urbano e de São Paulo. Priscilla assumiu a parte pop e o desafio de cantar em três línguas.
“Priscilla e Rincon nos interessaram justamente por serem muito diferentes e complementares. O Rincon tem um domínio incrível da escrita e uma conexão muito forte com São Paulo e com a cena urbana brasileira. Já conhecíamos essa força de trabalhos anteriores com a Riot e sabíamos da capacidade dele de transformar nossas ideias em palavras muito impactantes. A Priscilla traz a versatilidade e o lado pop que também fazem parte do universo musical de VALORANT. É uma artista em constante evolução, capaz de transitar por diferentes estilos, públicos e referências. E ainda conseguiu assumir um desafio importante para o projeto: cantar em português, espanhol e inglês, ajudando a conectar as diferentes comunidades das Américas. Juntos, eles trouxeram duas vozes bastante distintas para uma música que precisava ser brasileira, mas também conversar com toda a região”, explica Daniel Gouw.
Na interpretação, Priscilla procurou preservar a mesma intenção apesar das mudanças de idioma. A cantora conta que a experiência passou pela experimentação da sonoridade das palavras e pela busca de uma energia comum às três línguas.
“A música é uma língua universal, então acima de tudo ela garante que todos fiquem na mesma página, independente da língua. Foi muito divertido experimentar a fonética das três e ver que a mesma energia pode soar através de várias formas”, conta Priscilla.
A cantora também optou por não se apresentar como conhecedora de um jogo com o qual ainda está criando familiaridade. A entrada nesse universo aconteceu por meio do marido, Laudz (parte do duo eletrônico Tropkillaz), que joga VALORANT, mas o interesse de Priscilla se concentrou na estética, nas animações e na forma como a produção musical se relaciona com o público.
“Eu ainda estou conhecendo o universo de VALORANT, então não quis fingir que entendia tudo sobre o jogo ou os personagens. Meu marido sempre joga e eu aproveitei pra acompanhar e me envolver com o universo. Mas meu olhar acabou indo muito mais para a estética, as animações e, principalmente, para a produção musical. Fiquei muito impressionada e curiosa em entender como essas músicas conseguem traduzir a energia desse universo e conversar com uma comunidade tão engajada. Foi por esse lugar que eu busquei me conectar com o projeto”, relata Priscilla.
Entre a identidade brasileira e o público das Américas

As referências à cultura local não ficaram restritas à escolha de Priscilla e Rincon Sapiência. As cenas gravadas em São Paulo receberam texturas urbanas, memes e citações a equipes e nomes conhecidos da comunidade. Spacca, Sacy, xrm, SofiaEspanha, Tixinha e Coreano estão entre as participações especiais.
Os jogadores profissionais foram filmados em Los Angeles. Aspas, Saadhak, Demon1, Less e zekken aparecem juntos em cenas que deixam temporariamente de lado a rivalidade entre as equipes. O recurso ajuda a colocar a comunidade e a celebração do campeonato à frente da competição dentro do vídeo.
A estratégia também mostra como uma campanha global pode assumir características próprias em cada mercado. Nesse caso, a cidade-sede deixou de funcionar somente como cenário da final e passou a orientar a letra, os artistas, a estética e parte das referências do clipe.
Por que a música se tornou um ativo do VALORANT
A Riot Games tem um histórico de projetos que conectam jogos, música e audiovisual. Em “Faz o Mundo Ouvir”, essa relação é usada para estender a experiência do VCT Américas a momentos nos quais o público não está acompanhando uma partida ou uma transmissão.
Para a empresa, uma música também pode manter a lembrança de um campeonato depois de seu término. Ao continuar nas plataformas, nos vídeos dos fãs e nas redes sociais, a faixa preserva associações com o evento e pode adquirir uma trajetória que já não depende do calendário competitivo.
“Buscamos construir VALORANT não apenas como uma marca de jogo, mas como uma marca que também faz parte do lifestyle dos nossos jogadores. Isso significa encontrar formas de manter essa conexão mesmo quando eles não estão em uma partida, e a música tem um papel muito importante nisso. Ela também tem uma capacidade única de transformar momentos em memória coletiva. Uma campanha termina e um campeonato acaba, mas uma música pode continuar sendo ouvida e compartilhada por anos, carregando consigo a lembrança daquele momento e daquela experiência”, explica Gouw.
“Além disso, a música nos permite conectar uma experiência global à cultura local. Trabalhar com artistas, ritmos e referências brasileiras faz com que um evento internacional como o VCT Américas ganhe uma identidade própria para quem está vivendo esse momento aqui. É por essa combinação de presença, identidade e permanência que enxergamos a música como um ativo estratégico para fortalecer a relação entre VALORANT e sua comunidade”, analisa Daniel Gouw.
O lançamento não funciona somente como uma trilha para divulgar datas e ingressos. A música passa a ocupar uma posição própria dentro da campanha, com capacidade de circular entre os fãs, chegar a outros públicos e prolongar a presença cultural do campeonato. O resultado dependerá do desempenho da faixa e do clipe, mas também da quantidade e do tipo de participação que a comunidade produzirá a partir deles.
A Grande Final da Etapa 2 do VCT Américas será realizada nos dias 4, 5 e 6 de setembro, no Suhai Music Hall, em São Paulo. “Faz o Mundo Ouvir” já está disponível nas plataformas digitais, e o clipe pode ser assistido no canal oficial do VALORANT Champions Tour Brasil no YouTube.
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