Mais de 160 horas de música, cerca de 120 shows e cinco palcos transmitidos durante sete dias. A cobertura do Rock in Rio 2026 pela Globo foi planejada para levar diferentes recortes da Cidade do Rock ao Multishow, Canal Bis, Globoplay, TV Globo e às redes sociais, com linguagens adaptadas ao público de cada plataforma.
À frente dessa estrutura está Pedro Secchin, diretor geral da transmissão do festival desde 2013. Ao longo desse período, a cobertura incorporou novos sinais, formatos digitais e recursos de imagem, sem deixar de lidar com o desafio de uma transmissão musical ao vivo: acompanhar atrações simultâneas e reagir a acontecimentos que não podem ser previstos.
Em entrevista ao Mundo da Música, Secchin detalhou as escolhas editoriais e técnicas da operação. Já Bernardo Leão, diretor de Marketing de Produtos Digitais Globo, explicou como a estratégia também chega ao espaço físico do evento por meio da Arquibancada Globoplay, novo formato do estande da plataforma.
Uma operação planejada meses antes do festival

A escala da transmissão exige que as equipes de produção, engenharia, tecnologia e direção artística atuem de forma coordenada. Antes da abertura dos portões, é preciso definir a infraestrutura de captação, organizar as equipes responsáveis por cada palco e desenhar a grade de exibição das diferentes plataformas.
“O principal desafio é orquestrar toda a operação, que é gigante e que precisa funcionar em tempo real em múltiplos canais. Coordenar cinco palcos com dinâmicas distintas exige um alinhamento fino entre engenharia, tecnologia, produção e direção artística. As decisões de maior antecedência envolvem o desenho da infraestrutura tecnológica e de captação, o planejamento da transmissão e a definição da grade de exibição e das equipes de apresentação para cada janela”, explica Pedro Secchin.
“Um planejamento rigoroso que começa muitos meses antes garante que a operação rode com agilidade no ao vivo, permitindo que a equipe foque no que mais importa: captar a emoção e a energia da Cidade do Rock com a máxima fidelidade para quem assiste de casa”, ele complementa.
O desafio aumenta porque cada palco possui horários, propostas artísticas e ritmos próprios. Ao mesmo tempo, a transmissão precisa acompanhar entrevistas, bastidores e reações do público. Parte do trabalho antecipado serve justamente para que a equipe consiga responder com rapidez aos acontecimentos do festival sem comprometer os sinais ao vivo.
A estrutura será distribuída por diferentes canais. O Multishow transmitirá os palcos Mundo e Sunset diariamente, a partir das 15h15. O Canal Bis entra no ar às 15h50 com os shows do Espaço Favela, do New Dance Order e, pela primeira vez, do Supernova. O Globoplay reunirá a cobertura e oferecerá um sinal extra do Multishow em 4K para os assinantes do plano Premium.
Cada plataforma mostra um Rock in Rio diferente

A presença em tantas telas não significa repetir a mesma transmissão em todos os espaços. Segundo Secchin, a estratégia parte do perfil de cada marca e dos hábitos de quem acompanha o conteúdo. O público interessado em ver um show completo, por exemplo, possui uma demanda diferente daquela de quem assiste a um resumo na televisão aberta.
“O Multishow é o grande hub da música ao vivo e da cultura pop, aprofundando nos palcos principais (Mundo e Sunset) com análises, conversas e o clima dos bastidores. O Canal Bis atua como o espaço das novas cenas e da música eletrônica e urbana. O Globoplay traz a conveniência da experiência multitela e personalizada, oferecendo a íntegra e sinal extra em 4K. Já a TV Globo atua como o grande ponto de reunião nacional, costurando o evento em formato de revista eletrônica e flashes”, ele detalha.
Segundo ele, a linguagem muda para se adaptar à rotina e ao perfil de quem está em cada tela, mas a essência do festival e o tom de celebração permanecem os mesmos em todo o ecossistema. “No fim, o objetivo é o mesmo, independente da janela, que é traduzir a experiência do Rock in Rio para quem não está na Cidade do Rock”, afirma Secchin.
Essa divisão também orientou a distribuição dos palcos entre Multishow e Bis. Além de organizar os sinais simultâneos, a escolha tenta aproximar cada apresentação do contexto editorial no qual ela será exibida.
“A divisão é orientada pela afinidade editorial de cada marca com as propostas artísticas dos palcos. O Multishow concentra os palcos Mundo e Sunset por reunirem os grandes headliners, encontros históricos e as atrações de maior apelo de massa. Já o Canal Bis sempre teve uma vocação voltada para a diversidade de ritmos, experimentação e tendências, abrigando a efervescência da música eletrônica no New Dance Order e a potência cultural do Espaço Favela”, Secchin pontua.
Ele comenta que a Globo decidiu ir além, incluindo o palco Supernova, para apresentar novos talentos da música brasileira ao espectador em casa.
“A inclusão do palco Supernova este ano foi motivada pelo nosso compromisso constante de ampliar o olhar sobre o festival e abrir espaço para a descoberta de novos nomes e vertentes que estão moldando a música brasileira. Trazer o Supernova para o Bis enriquece a oferta de conteúdo para quem quer explorar o festival em toda a sua pluralidade”, detalha Secchin.
A estreia do Supernova no Canal Bis acrescenta à cobertura um palco dedicado a artistas que ainda constroem seu espaço diante de públicos maiores. Com isso, a transmissão reúne tanto as apresentações de nomes de alcance internacional quanto recortes das cenas eletrônica, urbana e periférica presentes no festival.
A revista eletrônica leva o festival à TV aberta

Na TV Globo, a cobertura será conduzida por Kenya Sade em uma revista eletrônica diária. O programa reunirá os destaques de cada data, além de flashes, entrevistas, bastidores e conteúdos produzidos diretamente da Cidade do Rock. Samanta Alves circulará pelo festival para conversar com o público e mostrar os bastidores, enquanto Evelyn Castro, Tiago Abravanel, Ed Gama e Lucas Leto participarão com diferentes perspectivas sobre a música, as apresentações e a experiência de acompanhar o Rock in Rio.
Os especiais serão exibidos durante todas as noites do festival, em horários adaptados à programação da emissora. No dia 7 de setembro, a TV Globo também transmitirá ao vivo o show de Elton John, a partir das 23h45. A proposta da revista é atender quem não consegue acompanhar as várias horas de apresentações oferecidas pelos canais especializados e pelo Globoplay.
“A TV aberta fala com um público amplo e diverso, que muitas vezes não consegue acompanhar horas ininterruptas de transmissão ao vivo. Por isso, desenhamos o formato de revista eletrônica diária comandado pela Kenya Sade para funcionar como um grande resumo do festival. Esse modelo combina a agilidade dos flashes ao vivo durante a programação com um especial noturno que pode trazer também conteúdo ao vivo, além de selecionar os pontos altos de cada dia, como as performances mais marcantes, as reações do público, os bastidores mais quentes e entrevistas exclusivas. A ideia é entregar um produto dinâmico, que contextualize a importância de cada atração e permita que qualquer pessoa, independentemente de quanto tempo tenha para assistir, sinta-se parte do evento”, conta Secchin.
No ambiente digital, a lógica é outra. Criadores de conteúdo circularão pela Cidade do Rock para produzir vídeos sobre shows, atrações, bastidores e encontros com o público. Os materiais serão publicados no YouTube e nas redes sociais do Globoplay e do Multishow, além de outros canais digitais da Globo.
“O segredo é entender que elas não são concorrentes, mas camadas que se somam na jornada do espectador. A alta qualidade técnica e a entrega em 4K são pilares da transmissão ao vivo das telas principais, garantindo a melhor imersão de imagem e som para quem busca ver os shows na íntegra no Globoplay e canais por assinatura. Já a linguagem digital opera com a lógica da efemeridade e do tempo real através do olhar dos criadores de conteúdo. O objetivo é que todas essas frentes trabalhem integradas: o show ao vivo alimenta as redes e a espontaneidade do digital retroalimenta a narrativa da TV, criando uma cobertura fluida e viva em tempo real”, analisa Secchin.
Arquibancada Globoplay conecta espaço físico e conteúdo

Dentro da Cidade do Rock, a novidade será a Arquibancada Globoplay. Pela primeira vez, o estande da plataforma terá esse formato e funcionará como um ponto de convivência, ativações e produção de conteúdo. A estrutura oferecerá uma visão dos shows e abrigará um circuito com túnel imersivo e quiz sobre as bandas do festival.
“A arquibancada Globoplay foi pensada para colocar o público no centro da experiência e materializar, dentro da Cidade do Rock, o nosso conceito de estar no melhor lugar do show. A estrutura em formato de arquibancada não apenas oferece um ponto de vista privilegiado do festival para quem está lá, mas funciona também como um grande cenário de convivência e geração de conteúdo”, explica Bernardo Leão.
O espaço também contará com o Lounge Multishow, inspirado em um bar musical, e receberá DJs durante os sete dias. No topo da estrutura, o Espaço Creator será destinado a influenciadores e convidados que produzirão conteúdos a partir do festival.
“Com ativações como o circuito imersivo, o quiz musical e o Lounge Multishow, colocamos o público presente no centro da experiência. Além disso, o Espaço Creator no topo do estande permite que influenciadores e convidados produzam conteúdos em tempo real mostrando a atmosfera do evento sob a perspectiva de quem está vivendo aquele momento”, acrescenta Leão.
A proposta conecta o estande à cobertura digital ao transformar as reações e os registros do público em material que pode circular pelas redes sociais, pelo streaming e pela televisão. As atrações serão abertas aos visitantes mediante reserva de horário, e os assinantes do Globoplay terão direito a acesso rápido à Arquibancada Globoplay.
Com produção de Maria Garcia, produção executiva de Valesca Campos, direção geral de Pedro Secchin e direção de gênero de Joana Thimoteo, a transmissão ocorrerá nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro. A operação mostra como a cobertura de um festival passou a ocupar várias janelas ao mesmo tempo, das apresentações completas em 4K aos vídeos verticais que registram os acontecimentos fora dos palcos.
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