A BMG anunciou um acordo global de gravação com Tash Sultana, em um movimento que marca a primeira parceria internacional de selo da carreira de uma das trajetórias independentes mais fortes da música australiana recente. O contrato inclui novas gravações e também o catálogo gravado de Sultana, que passará a integrar a BMG em 2030.
O anúncio chama atenção menos por um simples “novo contrato” e mais pelo ponto de partida da negociação. Tash Sultana chega à BMG após construir uma carreira global fora da estrutura tradicional de gravadoras, com bilhões de streams, centenas de milhares de ingressos vendidos e presença em festivais e palcos de grande porte na América do Norte, Europa, Reino Unido, América Latina, Austrália e Nova Zelândia.
Esse tipo de acordo ajuda a mostrar uma mudança importante no mercado. Em vez de apostar apenas em artistas no início da carreira, as grandes empresas seguem buscando nomes que já chegam com público, dados, catálogo, histórico de turnê e controle criativo. Para a BMG, o contrato soma repertório futuro e um catálogo já testado globalmente. Para Tash Sultana, a parceria aponta para uma nova etapa com estrutura internacional, sem apagar a construção independente que levou até aqui.
Da independência ao acordo global
Tash Sultana ganhou projeção como uma figura autodidata, multi-instrumentista e ligada ao live-looping, técnica em que a pessoa grava camadas sonoras ao vivo e cria a impressão de uma banda completa em tempo real. Essa identidade ajudou a transformar performances em vídeos virais, shows disputados e uma base de fãs espalhada por vários mercados.
Entre os principais marcos da carreira estão os singles “Jungle”, “Notion” e “Mystik”, além dos álbuns “Flow State” e “Terra Firma”. O primeiro venceu o ARIA Awards, prêmio da Australian Recording Industry Association, e recebeu certificação de ouro. O segundo chegou ao primeiro lugar na parada australiana da ARIA.
No anúncio da nova parceria, Tash Sultana conectou o novo contrato ao tempo em que seguiu de forma independente:
“Eu fui artista independente por muito tempo e intencionalmente. Eu queria ver até onde poderia levar isso por conta própria, construir algo real e com sentido a partir do zero. Chegar a este ponto me permitiu entrar em uma parceria a partir de um lugar de força e clareza sobre o meu futuro nos meus termos, que sempre foi o meu objetivo de longo prazo. A BMG pareceu o movimento certo para esta próxima fase, uma oportunidade para crescer, evoluir e levar as coisas para o próximo nível”, declarou.
A BMG chega então como uma parceira para uma fase posterior, quando a carreira já tem repertório, público e escala internacional. É um desenho cada vez mais comum em acordos globais: a gravadora oferece rede, equipe e alcance, enquanto o artista chega com uma marca própria já consolidada.
Catálogo, novos lançamentos e estratégia internacional

O ponto do catálogo também merece atenção. Ao incluir gravações futuras e o repertório gravado que passará à BMG em 2030, o acordo cria uma relação de longo prazo entre empresa e artista. Isso pode envolver estratégias de relançamento, campanhas em plataformas, sincronizações em filmes, séries, publicidade e jogos, além de novas formas de trabalhar músicas que já têm histórico de consumo.
Para o mercado, catálogos com faixas conhecidas e audiência global seguem valiosos porque não dependem apenas do ciclo curto de lançamentos. Músicas como “Jungle” e “Notion” já têm vida própria em diferentes territórios, o que permite ações coordenadas em streaming, redes sociais, turnês e licenciamento. Quando esse repertório se conecta a novas gravações, a gravadora ganha mais caminhos para organizar narrativa, campanha e presença internacional.
Heath Johns, presidente da BMG para Austrália, Nova Zelândia e Sudeste Asiático, disse que as novas músicas tiveram peso na decisão da empresa:
“Tash é um talento geracional com uma plataforma global que foi construída por trabalho incansável e convicção criativa. Quando nossa equipe ouviu o nível dessas novas músicas, soubemos instantaneamente que seríamos a parceira perfeita para levar Tash a níveis ainda maiores. Somos gratos por Tash ter escolhido a BMG e estamos animados para nos juntar a Tash nesta próxima fase de sua jornada artística, será a maior até hoje.”
A chegada de Sultana também fortalece o elenco de gravações da BMG ligado à Austrália e à Nova Zelândia, que já inclui Chet Faker, Dope Lemon, Crowded House, Hockey Dad, The Cat Empire, Pacific Avenue, Ladyhawke, Tim Minchin e The Living End.
Para a BMG, o acordo soma um nome com reconhecimento em mercados distintos e uma base construída sem dependência inicial de uma major. Para Tash Sultana, o contrato abre uma fase em que independência passada e estrutura global passam a conviver na mesma estratégia.
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