Alok conta ao Mundo da Música os bastidores de sua estreia na Sphere, tornando-se o primeiro brasileiro a tocar na arena de Las Vegas

Alok faz história ao tocar no Sphere, em Las Vegas, a convite de ILLENIUM, e leva experiência audiovisual imersiva à arena de tecnologia 16K.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
Alok na Sphere (Crédito: Alive Co/Sphere Entertainment)
Alok na Sphere (Crédito: Alive Co/Sphere Entertainment)

Alok se tornou o primeiro artista brasileiro a se apresentar na Sphere, em Las Vegas, um dos espaços mais tecnológicos da música ao vivo no mundo. O DJ e produtor foi convidado por ILLENIUM para abrir a primeira noite de sua residência na arena, na quinta-feira (5), levando ao palco um set marcado por forte integração entre música e recursos visuais.

O show marcou a estreia de Alok no local inaugurado em 2023 e rapidamente transformado em referência internacional para grandes produções ao vivo. A arena tem arquitetura esférica, como indica o nome, e combina projeções de altíssima resolução com um sistema de áudio projetado para criar experiências imersivas em grande escala.

A participação também soma à presença do brasileiro em circuitos globais da música eletrônica. Segundo o ranking anual da revista DJ Mag, Alok aparece atualmente como o terceiro melhor DJ do mundo, posição que consolidou sua presença em festivais e arenas internacionais nos últimos anos.

Arena futurista redefine o conceito de show

A Sphere chama atenção pelo tamanho e pela tecnologia empregada em suas apresentações. A estrutura tem cerca de 112 metros de altura e 157 metros de largura, sendo considerada a maior arena esférica do planeta.

No interior, uma tela de resolução 16K cobre toda a superfície do espaço, criando um ambiente visual contínuo que envolve o público durante as apresentações. Ao todo, são aproximadamente 700 mil metros quadrados de superfície dedicada à projeção de imagens.

O sistema de som também foi desenvolvido para explorar essa dimensão imersiva. A arena utiliza tecnologias como beamforming e Wave Field Synthesis, que permitem direcionar o áudio com precisão para diferentes áreas do espaço. Isso faz com que a experiência sonora seja distribuída de forma uniforme, independentemente da posição do público dentro da arena.

Além do som e das projeções, o espaço também conta com efeitos multissensoriais e recursos de tecnologia 4D. Esses elementos ajudam a criar espetáculos em que música, imagem e arquitetura funcionam de forma integrada.

Alok vê lições na experiência imersiva

Alok na Sphere (Crédito: Alive Co/Sphere Entertainment)
Alok na Sphere (Crédito: Alive Co/Sphere Entertainment)

Em conversa exclusiva com o Mundo da Música, Alok destacou que a experiência de tocar na Sphere exige um tipo diferente de preparação, justamente pela escala tecnológica do local.

“Tocar na Sphere é uma experiência fora da curva. Eu já conhecia o espaço, estive lá em 2024, mas subir ao palco e fazer uma entrega à altura do que é considerada hoje a casa de shows mais tecnológica do mundo exige um nível grande de responsabilidade. Ali você percebe que não se trata apenas de um DJ set, mas de uma experiência cinematográfica, de imersão sensorial. Estamos falando de uma tela gigantesca, de altíssima resolução, que envolve completamente o público. Isso muda a forma como as pessoas sentem a música.”

O artista afirma que a principal aprendizagem da apresentação, para um artista brasileiro, não está necessariamente em reproduzir o mesmo nível de tecnologia em outros palcos, mas em repensar a maneira como os shows são concebidos.

“Para mim, a principal lição não é necessariamente replicar a tecnologia em si, mas a mentalidade por trás dela: criar experiências imersivas e narrativas que integrem som, imagem e arquitetura. Tenho buscado esse caminho em algumas das minhas apresentações mais recentes, como o show da pirâmide, o Keep Art Human e, mais recentemente, o Rave The World. Minha equipe e eu temos nos dedicado a construir trajetórias em que o público não esteja apenas ali para ouvir música, mas para viver experiências memoráveis e, se possível, despertar novas consciências e formas de pensar.”

Visual 360 graus exigiu adaptação do show

Para se apresentar na Sphere, a equipe de Alok precisou adaptar parte do conteúdo visual do show. O espaço funciona de forma diferente dos palcos tradicionais, já que a tela envolve completamente o público.

“Minha equipe e eu desenvolvemos um conteúdo visual adaptado a esse contexto de 360 graus, como se estivéssemos criando um universo ao redor das pessoas. Já temos certa experiência nessa dinâmica de sincronizar música e tecnologia, mas ali estávamos diante de um telão esférico tridimensional, o que representa uma verdadeira quebra de paradigma. Não é um telão plano atrás do artista; ele circunda todo o espaço, envolvendo o público por completo. Isso cria uma sensação muito próxima de realidade virtual, como se estivéssemos construindo uma arquitetura visual viva dentro do próprio show.”

A participação na Sphere também reforça uma parceria que já vinha chamando atenção do público. Em 2025, Alok e ILLENIUM lançaram a faixa “To The Moon”, que rapidamente passou a integrar os sets de ambos em apresentações ao redor do mundo.

Nos próximos meses, o brasileiro segue com agenda internacional intensa. Em março, retorna ao festival Tomorrowland Winter, nos Alpes franceses, com apresentações nos palcos ORBYZ, Frozen Lotus e Mainstage.

Antes disso, Alok também prepara o lançamento de seu novo espetáculo, “Rave The World”. O show estreia em Londres no dia 5 de junho e propõe uma releitura do espírito das raves para novas gerações. Um preview da apresentação está marcado para o dia 2 de maio em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

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