Warner firma parceria com a Bain Capital para investir US$ 1,2 bilhão em catálogos musicais
Nova joint venture da Warner Music Group com o grupo de investimentos tem como objetivo adquirir obras consagradas e preservar legados musicais por meio de estratégias globais de distribuição e marketing.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
A Warner Music Groupanunciou nesta terça-feira (01) a criação de uma joint venture com a empresa de investimentos Bain Capital, com o objetivo de adquirir catálogos musicais considerados “lendários”, tanto em fonogramas quanto em obras editoriais. A parceria nasce com um aporte total de até US$ 1,2 bilhão, sendo que cada parte participa igualmente do investimento.
A iniciativa prevê que a Warner será responsável pela gestão de marketing, distribuição e administração dos catálogos adquiridos, enquanto as duas empresas irão compartilhar a responsabilidade pela identificação e aquisição dos ativos.
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De acordo com o anúncio oficial – que chega mais de três meses após o início das negociações -, o fundo será utilizado para garantir que os legados de artistas e compositores sejam preservados, promovidos e apresentados a novas gerações.
Segundo fontes do mercado, parte do investimento será feito por meio de dívida, com Goldman Sachs e Fifth Third Bank atuando como coordenadores financeiros da operação.
Parceria mira ativos históricos em momento estratégico
O anúncio ocorre em um contexto de mudanças no comportamento de consumo musical, impulsionado principalmente pelo streaming e pelo uso de tecnologias emergentes que reacendem o interesse por obras clássicas.
A valorização de catálogos antigos tem levado grandes empresas a disputarem ativos raros e valiosos, como mostram as aquisições recentes de obras de artistas como Queen, Pink Floyde Notorious B.I.G. por concorrentes da Warner.
A nova joint venture, portanto, busca posicionar-se como uma opção preferencial para artistas que desejam manter seus catálogos ativos e relevantes no ambiente digital. Uma das primeiras movimentações especuladas no mercado seria a aquisição do catálogo fonográfico do Red Hot Chili Peppers, avaliado em cerca de US$ 350 milhões.
Declarações reforçam objetivo de longo prazo
Robert Kyncl, CEO da Warner Music Group, e Angelo Rufino, sócio da Bain Capital (Crédito: Divulgação)
Em comunicado, Robert Kyncl, CEO da Warner Music Group, destacou a relevância cultural e comercial da iniciativa:
“Artistas e compositores icônicos escolhem a WMG para expandir seus legados e apresentar sua arte a novas gerações por meio de campanhas impactantes e inovadoras. Aumentar nossa profunda expertise e infraestrutura global com a força financeira da Bain Capital e sua crença na música nos tornará o destino preferido para catálogos de destaque.”
Ele completou:
“Combinar nossa infraestrutura global com a capacidade financeira da Bain Capital nos torna o destino ideal para catálogos de alto prestígio.”
Já Angelo Rufino, sócio da Bain Capital, ressaltou a importância da curadoria de catálogos neste momento da indústria:
“O conteúdo musical atemporal continua no centro do entretenimento do consumidor. A administração dos catálogos nunca foi tão importante, já que artistas e compositores merecem apoio para aumentar o valor de seu trabalho enquanto oferecem aos fãs colaborações novas e empolgantes. A Warner Music Group, com seus profundos recursos criativos e cultura de parceria, é o parceiro ideal para a Bain Capital trabalhar junto enquanto expandimos e protegemos a música icônica do mundo.”
Rufino afirmou ainda que a Warner foi escolhida como parceira por seu “espírito de colaboração e recursos criativos profundos”.
Catálogos continuam atraindo grandes cifras
Apesar de uma desaceleração no volume de transações envolvendo catálogos musicais desde o auge em 2020 e 2021, os valores dos negócios permanecem elevados. Nos últimos dois anos, a Sony pagou aproximadamente US$ 1,1 bilhão pelo catálogo do Queen e US$ 400 milhões pelo do Pink Floyd.
Já a Primary Wave comprou 50% dos direitos de Notorious B.I.G. por cerca de US$ 100 milhões. A própria Warner Chappell adquiriu recentemente os direitos editoriais da obra de Tom Petty, embora os valores não tenham sido divulgados.
A joint venture com a Bain Capital sinaliza que a Warner pretende continuar atuando nesse mercado, ampliando seu portfólio com obras que mantêm valor cultural e comercial mesmo décadas após seus lançamentos originais.
Impactos esperados para o mercado musical
A aliança entre uma gigante do entretenimento e um dos maiores grupos de investimentos do mundo mostra que o mercado de catálogos musicais continua sendo visto como um ativo valioso, especialmente por sua longevidade e capacidade de gerar receitas recorrentes em múltiplas frentes, de streaming a sincronização com publicidade, filmes e jogos.
A tendência aponta para uma profissionalização ainda maior na gestão desses ativos, com foco em estratégias de monetização que combinem inovação tecnológica, curadoria cultural e valorização do legado artístico.
Com mais de US$ 185 bilhões em ativos sob gestão, a Bain Capital fortalece o poder de aquisição da Warner e reforça o movimento de fundos de investimento entrando no setor musical com objetivos de longo prazo. A expectativa do mercado é de que as primeiras compras da nova joint venture sejam anunciadas ainda este ano.
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